quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Thomas Hobbes: "O homem é o lobo do homem"


Thomas Hobbes (1588/1679)

Para o filósofo inglês da Idade Moderna, o "Homem é o lobo do Homem".
No que ele chama de "Estado de Natureza", os homens são perfeitamente iguais, desejam as mesmas coisas e têm as mesmas necessidades, o mesmo instinto de auto-preservação.
Por isso, o estado natural é conflito..é guerra...
As guerras existem porque as pessoas querem as mesmas coisas...
Como adquirir a paz?
Apenas através de um Contrato, um pacto formal entre pessoas iguais que renunciam suas liberdades em troca de tranquilidade.
Pelo contrato as pessoas desejam o Bem Comum ..isso é feito através do Direito Positivo que se mantém pelo legislativo.
Hobbes pertence ao período filosófico chamado de "Contractualismo", período onde filósofos acreditaram que apenas um Contrato, um acordo coletivo faria o homem evoluir...

- Vc concorda que as pessoas precisem de um pacto universal para que o Estado seja pacífico? Ou...por esse prisma..o mundo precisa de um único pacto?
- As pessoas são iguais na base natural?
- Nossos instintos nos tornam agressivos? É o conforto da tecnologia e da civilização que nos mantém além dos instintos?
- É instintivo que uns tenham mais poder que outros? O mais forte?
- A Constituição seria um exemplo de Pacto?

O homem literalmente se "mata" para ter dinheiro, status, sucesso e poder consumir, mas e a qualidade de vida?

domingo, 16 de dezembro de 2007

malocas, favelas..problema antigo?

Na Letra de música abaixo, cantada como um alegre samba, se desenvolve uma crítica social, evidenciando não somente a falta de moradia, mas a falta de prestígio humano, onde vale mais quem tem mais...o "ser" não importa tanto..

Já nos trechos do poema de Drummond, percebemos que "somos diferente e queremos ser sempre diferentes" , porém, o "diferente aqui sintetiza a idéia de "superioridade" e poder..e poder sobre o quê? Quanto tempo se demora para progredir?

Uma sugestão: levante a data de criação da letra e do poema....

Saudosa Maloca

João Gilberto

Composição: Adoniran Barbosa

Se o sinhö não tá lembrado
Dá licença de contá
Que aqui onde agora está
Este ardifício arto
Era uma casa véia
Um palacete assobradado
Foi aquí, seu moço, que eu, Mato Grosso e o Joca
Construímo nossa maloca
Mas, um dia, nóis nem pode se alembrá
Veio os home co as ferramenta
O dono mandô derrubá
Peguemo todas nossas coisa
E fumo pro meio da rua
Apreciá a demolição
Que tristeza que nóis sentia
Cada taubua que caía
Doía no coração
Mato Grosso quis gritá
Mas em cima eu falei
Os home tá coa razão
Nóis arranja outro lugá
Só se conformemo
Quando o Joca falou
"Deus dá o frio conforme o cobertô"
E hoje nóis pega as páia
Na grama do jardim
E pra isquece nóis cantemo assim
Saudosa maloca, maloca querida
Dim dim donde nóis passemo dias feliz de nossas vida
Saudosa maloca, maloca querida
Dim dim donde nóis passemo dias feliz de nossas vida

FAVELÁRIO NACIONAL
Carlos Drummond de Andrad
e

Quem sou eu para te cantar, favela,
Que cantas em mim e para ninguém
A noite inteira de sexta-feira
e a noite inteira de sábado
E nos desconheces,
como igualmente não te conhecemos?
Sei apenas do teu mau cheiro:
Baixou em mim na viração,
Direto, rápido, telegrama nasal
Anunciando morte... melhor, tua vida.
...
Tenho medo. Medo de ti, sem te conhecer,
Medo só de te sentir, encravada
Favela, erisipela, mal-do-monte
Na coxa flava do Rio de Janeiro.

Medo: não de tua lâmina nem de teu revólver
Nem de tua manha nem de teu olhar.
Medo de que sintas como sou culpado
E culpados somos de pouca ou nenhuma irmandade.
Custa ser irmão,
Custa abandonar nossos privilégios
E traçar a planta
Da justa igualdade.
Somos desiguais
E queremos ser
Sempre desiguais.
E queremos ser
Bonzinhos benévolos
Comedidamente
Sociologicamente
Mui bem comportados.
Mas, favela, ciao,
Que este nosso papo
Está ficando tão desagradável.
Vês que perdi o tom e a empáfia do começo?
...
8. Guaiamu

Viemos de Minas, sim senhor,
fugindo da cerca braba lá do Norte.
Em riba de cinco estacas fincadas no mangue
a gente acha que vive
com a meia graça de Deus Pai Nosso Senhor.
Diz - que isto aqui tem nome Nova Holanda.
Eu não dou fé, nem sei onde é Holanda velha.
Me dirijo à Incelência: Isso é mar?
Mar, essa porcaria que de tarde
a onda vem e limpa mais ou menos,
e volta a ser porcaria, porcamente?
Vossa Senhoria tá pensando
que a gente passa bem de guaiamu
no almoço e na janta repetido?
Guaiamu sumiu faz tempo.
Aqui só vive gente, bicho nenhum
tem essa coragem.
Espia a barriga,
espia a barriga estufada dos meninos,
a barriga cheia de vazio,
de Deus sabe o quê.
Ele não podendo sustentar todo mundo
pelo menos faz inchar a barriga até este tamanho.

sábado, 8 de dezembro de 2007

A escola fantasma....

Você sabia que?

- NO Estado de SP, a taxa de natalidade está radicalmente caindo. Estamos constatando essa tese através das escolas públicas ou privadas de Ensino Fundamental I, II e Ensino Médio . Em 1976, período conhecido na Educação como a "Onda de adolescentes", haviam pelo menos duas unidades prediais por bairro em quase todas as cidades com mais de 40.000 habitantes. Sendo que geralmente eram por ex., no mínimo 4 salas de quintas séries do FII, com pelo menos 35 alunos...
Na verdade, o governo estadual tinha que construir prédios quase que mensalmente .......
Porém, em meados da década de 90 se iniciou uma regressão no aumento do número de salas...depois uma estatificação...agora uma regressão...
- Hoje em 2007....passei por Limeira, Iracemápolis, R. Claro, Campinas, Sumaré e Americana.....
O processo é elementar: Primeiro fecham classes...e são muitas classes que estão se fechando. Em certas escolas fecham num ano 5 salas .....e culmina no fechamento de escolas em bairros com mais de 15 anos (ou dez anos)..
Os prédios têm se tornado obsoletos..alguns, elefantes brancos.....
Um exemplo...numa escola de Sumaré no ano de 2006..tinham 6 primeiros colegiais do diurno......e duas quintas séries...
Percebemos na prática...que as crianças estão deixando de nascer literalmente...
Se compararmos o número de filhos nascido numa família com a década de 80 com a de 90...já veremos uma diminuição de 3 para 1 ou nenhum.....o que leva alguns autores da economia administrativa a afirmar que durante o século XXI experimentaremos um país de pessoas, cuja a maioria estaria acima dos 35 anos.....e isso daria efeito imediato no tempo para aposentadoria (o q já aconteceu no funcionalismo público estatal aqui). Provavelmente nesse futuro ninguém se aposentará antes dos 65 ou 70 anos (mesmo q trabalhe desde os 12)....
A amaça das "escolas fantasmas" preocupa alguns profissionais da área..por reduzir por tabela o número de contratações;;;Geralmente preocupa aqueles que não se pluralizaram profissionalmente...
No Brasil ainda não tínhamos assistido ao quadro da redução de crianças ...
De início deduziram que, como o valor de parcelas em escolas privadas caiu e são perfeitamente negociáveis, a clientela se debandou para o ensino privado...mas......as escolas particulares tb estão fechando salas...
Uma outra verdade....é q pelo menos no Estado de SP...se percebeu que a alfabetização tem realmente chegado à todos.....Portanto...somente a taxa de natalidade é indício de diminuição no número do educando.....

Particularmente penso que a constatação é excelente......a qualidade do serviço prestado deve melhorar muito......e a qualidade de vida social para todos tb ......
Um outro fenômeno tb está se desenvolvendo...:A aula digital.....
Creio q no futuro bem próximo, talvez na margem de 5 anos..., o aprendizado oficial, será feito em escala progressiva via cabo ou digital...com economia de prédios, massas de profissionais, ócio..e desinformação gerada por ausência de especialidade ou reciclagem do profissional.....

Uma sugestão de pesquisa:
Selecione na própria internet dados que evidenciem :
a) Números de prédios escolares construídos em bairros "novos" na década de 80 em metrópoles
b) Números de prédios escolares construídos nos bairros novos em 2005 ou 2006 em metrópoles....
c) Na sua própria escola...pergunte o número de alunos matriculados nas 5a séries e na Prefeitura de sua cidade tente uma estatística atualizada do números de habitantes

sábado, 24 de novembro de 2007

A divisão social do trabalho e o crime

Segundo Platão em sua Sofocracia, ou governo dos sábios, o que naturalmente irá distinguir os homens é a Educação de origem.
Em sua teoria, tudo é relativamente simples. Ele divide o progresso intelectual humano nas almas de ouro, prata e bronze.
A divisão é da seguinte forma: Os pais não devem aplicar a educação formal aos filhos pois estão envoltos à paixões. Assim, crianças a partir de 5 anos devem ir para unidades que sejam imparciais na educação.
Nessa escola...de início toda a chance ao intelecto será dado à todos, porém naturalmente existirá uma seleção pois nem todos mostrarão aptidão ao conhecimento. Esses, poderão ficar então com os trabalhos braçais como agricultura e outras fontes de sustento da Pólis.
O processo seletivo dentro da unidade deverá continuar e um novo grupo não conseguirá alcançar o estágio final, que é aquém do conhecimento é o da Crítica sobre o conhecimento, e o da sabedoria. Entretanto, esse grupo se diferirá do primeiro, pois já tem uma gama de conhecimento intelectual. Assim, esses serão os soldados da Pólis, com relativo conhecimento mas ainda sem o poder intelectual crítico necessário para o governo da Pólis.
Somente o grupo restante nesse processo educativo, terá condições de governar e se manter na elite...assim, o governo Aristocrático, ou o governo de poucos...q é diferente da Tirania ou da Democracia...
Agora vamos falar do Brasil de agora:
Perceba a divisão do trabalho social:
Todos entram na escola...muitos adquirem diploma..mas, apenas poucos são médicos, engenheiros, advogados..
Muitos não irão passar da 8a série, porque realmente não dominam conteúdos ....(até porque falamos de um conteúdo cartesiano)...esses, provavelmente irão para o trabalho em lavoura...ou serão garis..
Outros..farão até faculdades particulares..mas, não serão mais empregados de escritórios, técnicos ou policiais..
Outros estudam em sofisticados colégios particulares e sem dificuldades entraram em faculdades de peso como a Paulista de Medicina ..Serão médicos..e terão altos salários..se mantendo sem problemas na própria classe social formadora..
Salários?
Muito para médicos , pouco para bóias frias..
Qual a importância das funções?
Todas são importantes dentro de uma sociedade. Se o lixo se proliferar nas ruas...as pessoas adoecerão..
Por que exatamente um lixeiro tem que ganhar pouco???
Um PM que protege as ruas e garante a cidadania deve morar numa favela????
O que dificulta o processo social no Brasil é a caduca tentativa de se manter o que já não funciona, uma divisão social de trabalho injusta..que acaba criando o desprestígio das demais funções. Acaba criando vergonha e humilhação nos trabalhos que não foram classificados num alto status..
Por que alguém iria preferir ser empregada doméstica..nesse quadro se pode ter lucros na informalidade?? E por que uma empregada doméstica, que mantém a casa de alguém em ordem, ganha tão mal????????
Defendo que as pessoas devam ter salários conforme sua competência e aptidão, mas não na forma de divisão social, onde as chances são nulas para quem não tem condições de cursar um Anglo.
Todas as profissões e os respectivos trabalho precisam ser valorizados, independente de escolaridade.
Emile Durkheim dizia que o Estado deveria ser comparado à harmonia de um corpo.
Já percebeu a perfeição do corpo?
Se vc estiver caminhando e pisar num prego. Qual a atitude do corpo?
Ao acaso a outra perna irá pronunciar "ainda bem que não foi comigo?", os braços se cruzarão e dirão: "Nada tenho com isso"?. Os olhos mirarão as montanhas e dirão: "Somos superiores"?? .
Não!!!
Se vc pisar num prego, a dor é igual para todos os orgãos, os olhos procurarão o objeto, sua coluna se inclinará e seus dedos o arrancarão. Se assim não for, tudo se prolongará até a morte do corpo. Tudo funciona em conjunto, embora haja um chefe no corpo, ninguém é mais bajulado ou recebe mais pelo que faz. Todos são úteis.
A diferença brutal entre pessoas, começa educação seletiva, depois pela divisão de trabalho e pela manutenção não de competência mas de status...Origina-se o desconforto, o tédio e o crime.
Não existem chances iguais. O que seria da agricultura brasileira se todos pudessem estudar no Rio Branco , colégio paulista?????? Quem iria conduzir os ônibus lotados se todos pudessem ter acesso à redes de ensino de valor?
Na verdade, no Brasil ainda existe a relação feudal, mantida por trabalhadores servis. Produz-se operários e não se dá chances justas de seleção.

domingo, 18 de novembro de 2007

Heráclito e Parmênides - Nós "somos" ou deixamos de "ser"?


Essa conversa não é nova, até porque o que há de novo no pensamento? o que ainda não foi dito? Mas mesmo assim precisamos sempre exercitar nosso intelecto pois ele é como um músculo, precisa ser metodicamente trabalhado. Agora vamos viajar na história do pensamento: Citarei a Grécia pois não tenho ainda conhecimentos suficientes sobre o pensamento da China ou Egito.. Assim, na antiga Grécia existiram os chamados "Pré-Socráticos", nome dado aos pensadores que vieram antes de Sócrates. Estes, foram chamados de Filósofos da Natureza pois procuravam por uma substância única que poderia ter originado todas as coisas existentes na terra. Dois filósofos se destacam: - Parmênides de Eléia (530-460 a.C.) : Procurando por explicações lógicas e ordenadas, distinguindo-se da mística, procura ordenar o "Ser" do "não-Ser". Parece uma atividade simplista? Pois é...mas essa aparência é enganosa. Mas, existem opostos? algo pode ser ou não ser...ou, é possível que algo se transforme em seu próprio oposto.. Diante dessa dúvida ele chega à conclusão do Princípio da Identidade. Faz a negação do que os "sentidos mentirosos" lhe mostravam, assim: o Ser é Uno, um único grande Ser eterno que jamais se altera e a qual tudo, Seres e Não -Seres, são apenas ilusões de si mesmo. O ser é eterno, único, imóvel e ilimitado. Porém, o Imóvel e Ilimitado é Deus.
A mudança para ele era algo superficial que não afetaria a essência de qualquer objeto..
Imagine-se assim: Você muda totalmente suas roupas, muda de casa, de hábitos..mas, se torna mesmo outra pessoa?

-
Heráclito de Éfeso (540-476 a.C.):

Não obstante
, Heráclito....já pensava diferente...

Para ele...nada poderia ser igual ..pois tudo estaria em movimento permanente...A vida seria um movimento com fluxo perpétuo...Você é a mesma pessoa de 10 min atrás? Quantas coisas não acontecem em 10 min?
"Não se entra no mesmo rio duas vezes".
A lei fundamental do Universo é o "devir", que significa contínuas transformações. Tudo flui e nada fica como é. Não temos e não somos também estáveis.
" Tudo segue seu curso. Para Heráclito o princípio das coisas é o fogo. O fogo transforma-se em água, sendo que uma metade retorna ao céu como vapor e a outra metade transforma-se em terra. Sucessivamente, a terra transforma-se em água e a água, em fogo." (1) A palavra "devir" na filosofia tem o seguinte sentido : Transformação..o que supera o termo "mudança"..pois "trans-formar" é estar sempre superando etapas anteriores..
Para Heráclito o devir explica a realidade...
Ele nos proporciona uma "dialética" , a contradição...a oposição..
Para deixar mais claro, Dialética significa: Dialética, "di" de diálogo...Num "diálogo" não existem mais de uma pessoa argumentando? A Dialética pressupõe além de um diálogo, a contradição das coisas...a diferença por vzs radical entre tudo que existe na natureza...(2)

E por fim...podemos concluir se somos, fomos ou seremos diferentes? Ou se sempre fomos nós mesmos...assim como tudo que nos rodeia?
Confusão não?
Tudo pode ser simples assim: "Nós sempre fomos os mesmos" pois nosso Eu ao que parece, segundo Freud se formou na infância, recebeu projeções até de nossos avós..ou segundo geneticistas modernos, nós já tínhamos personalidade... de um DNA transportado..antes de se formar o embrião...
Não importa o que façamos...temos um interior já "moldado"..ou seja, temos uma essência..Todavia, essa essência não se transforma?.
Esse é o paradoxo de nosso século...
Hoje sabemos que existem Reflexos condicionados propostos pela Mídia ou pelo Marketing..que cultura e meio ambiente (que estão sempre em transformação) alteram uma pessoa...alteram qualquer coisa...Tudo na terra é fluxo..é contradição...e parece que é isso que nos leva à evolução...
Foi a passagem pelas guerras que nos fazem pedir a Paz...foram erros cometidos que nos forçam a acertar...Parecem que os problemas nos forçam a evoluir ..e a superar a nós mesmos...
Existem pessoas adeptas ao reduto da rotina e tem limitações quanto ao que é novo. Porém, a rotina é uma ilusão psicológica...passa uma idéia de normalidade pseudo eterna que não existe e a prova é a finitude física de todos nós, ou seja, a morte.

Bem, espero que vcs não tenham se confundido tanto..a ideia é só fazê-los refletir com argumentação significativa...do contrário..a filosofia por mais célebre, tornar-se fútil...

(1) http://www.filosofiavirtual.pro.br/presocraticos.htm
(2) http://www.perfeitauniao.org/oficina/2001/dialetica.htm

Links Indicados:
http://www.coladaweb.com/filosofia/heraclito.htm
http://br.youtube.com/watch?v=z5h0u-EIB0I

domingo, 11 de novembro de 2007

A águia e a galinha

A Águia e a Galinha
Uma metáfora da condição humana

Era uma vez um camponês que foi a floresta vizinha apanhar um pássaro para mantê-lo em sua casa. Conseguiu pegar um filhote de águia. Coloco-o no galinheiro junto com as galinhas. Comia milho e ração própria para galinhas. Embora a águia fosse o rei/rainha de todos os pássaros. Depois de cinco anos, este homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista. Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista:
- Esse pássaro aí não é galinha. É uma águia.
- De fato – disse o camponês. É águia. Mas eu criei como galinha.
Ela não é mas uma águia. Transformou-se em galinha como as outras, apesar das asas de quase três metros de extensão.
- Não – retrucou o naturalista. Ela é e será sempre uma águia. Pois tem um coração de águia. Este coração a fará um dia voar ás alturas. - Não, não – insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como águia.
Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e desafiando-a disse: - já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não a terra, então abra suas asas e voe! A águia pousou sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas.
O camponês comentou:
- Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha!
- Não – tornou a insistir o naturalista. Ela é uma águia.
E uma águia será sempre uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã.

No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa. Sussurrou-lhe:
- Águia, já que você é uma águia, abra as suas asas e voe!
Mas quando a águia viu lá embaixo as galinhas, ciscando o chão, pulou e foi para junto delas.

O camponês sorriu e voltou à carga:
- Eu lhe havia dito, ela virou galinha!
- Não – respondeu firmemente o naturalista. Ela é águia, possuirá sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma ultima vez. Amanhã a farei voar.
No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia, levaram para fora da cidade, longe das casas dos homens, no alto de uma montanha. O sol nascente dourava os picos das montanhas. O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe:
- Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe!
A águia olhou ao redor. Tremia como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, para que seus olhos pudessem encher-se da claridade solar e da vastidão do horizonte.
Nesse momento, ela abriu suas potentes asas, grasnou com o típico kau-kau das águias e ergue-se, soberana, sobre se mesma. E começou a voar, a voar para o alto, a voar cada vez mais para o alto. Voou... voou... até confundir-se com o azul do firmamento...

E Aggrey terminou conclamando:

- Irmãos e irmãs, meus compatriotas! Nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus! Mas houve pessoas que nos fizeram pensar como galinhas. E muitos de nós ainda acham que somos efetivamente galinhas. Mas nós somos águias. Por isso, companheiros e companheiras, abramos as asas e voemos . Voemos como as águias. Jamais nos contentemos com os grãos que nos jogarem aos pés para ciscar.

(Autor: Leonardo Boff)

sábado, 3 de novembro de 2007

A gente se acostuma (trechos)


Eu sei mas não devia..

"A gente se acostuma
Mas não devia
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e não ter outra vista que não seja as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora...E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz elétrica. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão
A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar em negociações para a paz. Aceita ler todos os dias da guerra, dos números de longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: "Hoje não posso ir". A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. A lutar para ganhar o dinheiro com que pagamos. E a ganhar menos do que precisamos. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter o que pagar nas filas em que se cobra....... "

" A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentamos não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema estiver cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho é duro, a gente pensa no fim de semana. A gente vai dormir cedo e satisfeito porque tem sono atrasado.
A gente se acostuma para não ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma a evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca ou baioneta, para poupar o
peito..
A gente se acostuma para poupar a vida
Que aos poucos se gasta, e que, de se acostumar, se perde.."

(trechos)


Maria Colosante

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Salvador Dali


Que título daríamos à essa tela?
Repare nas formas: relógios secos como folhas....
Como é a relação de tempo com a vida humana? Vivemos pelo tempo? Nos algemamos pelos relógios?
Embora o surreal impressione, será que é um panorama metafísico? Ou isso é bem real e nos habita desde a pré-história?

http://br.youtube.com/watch?v=V3-gESFFoJQ

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Uma mulher filósofa e cientista....


Hipácia de Alexandria
(c. 370 d.C - 415 d.C)


"Todas as religiões dogmáticas formais são falaciosas e nunca devem ser aceitas como palavra final por pessoas que respeitem a si mesmas."

"Ensinar superstições como uma verdade absoluta é uma das coisas mais terríveis."


A cidade de Alexandria foi fundada por Alexandre, o Grande, no ano de 332 a.C, e logo se tornou o principal porto do norte do Egito. Localizada no delta do rio Nilo, numa colina que separa o lago Mariotis do mar Mediterrâneo, foi o principal centro comercial da Antigüidade. Seu porto foi construído com um imponente quebra-mar que chegava até a ilha de Faros, onde foi erguido o famoso Farol de Alexandria, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo.

Sua localização privilegiada, na encruzilhada das rotas da Ásia, da África e da Europa, transformou a cidade num lugar ideal para concentrar a arte, a ciência e a filosofia do Oriente e do Ocidente.

A Biblioteca de Alexandria foi construída por Ptolomeu I Soter no século IV a.C, e elevou a cidade ao nível de importância cultural de Roma e Atenas. De fato, após a queda do prestígio de Atenas como centro cultural, Alexandria tornou-se o grande polo da cultura helenística. Todo manuscrito que entrava no país (trazido por mercadores e filósofos de toda parte do mundo) era classificado em catálogo, copiado e incorporado ao acervo da biblioteca. No século seguinte à sua criação, ela já reunia entre 500 mil e 700 mil documentos. Além de ser a primeira biblioteca no sentido que conhecemos, foi também a primeira universidade, tendo formado grandes cientistas, como os gregos Euclides e Arquimedes.

Os eruditos encarregados da biblioteca eram considerados os homens mais capazes de Alexandria na época. Zenódoto de Éfeso foi o bibliotecário inicial e o poeta Calímaco fez o primeiro catálogo geral dos livros. Seus bibliotecários mais notáveis foram Aristófanes de Bizâncio (c. 257-180 a.C) e Aristarco da Samotrácia (c. 217-145 a.C).

Hipácia foi a última grande cientista de Alexandria. Nasceu em 370 d.C (?) -- os historiadores são incertos em diferentes aspectos da vida de Hipácia e a data de seu nascimento é debatida atualmente. Foi filha de Theon, um renomado filósofo, astrônomo, matemático e autor de diversas obras, professor da Universidade de Alexandria.
Durante toda a sua infância, Hipácia foi mantida por seu pai em um ambiente de idéias e filosofia. Alguns historiadores acreditam que Theon tentou educá-la para ser um ser humano perfeito. Hipácia e Theon tiveram uma ligação muito forte e este ensinou a ela seu próprio conhecimento e compartilhou de sua paixão na busca de respostas sobre o desconhecido. Quando estava ainda sob a tutela e orientação do seu pai, ingressou numa disciplinada rotina física para assegurar um corpo saudável para uma mente altamente funcional.

Hipácia estudou matemática e astronomia na Academia de Alexandria. Devorava conhecimento: filosofia, matemática, astronomia, religião, poesia e artes. A oratória e a retórica, com grande importância na aceitação e integração das pessoas na sociedade da época, também não foram descuidadas. No campo religioso, Hipácia recebeu informação sobre todos os sistemas de religião conhecidos, tendo seu pai assegurado que nenhuma religião ou crença lhe limitasse a busca e a construção do seu próprio conhecimento.

Quando adolescente, viajou para Atenas para completar sua educação na Academia Neoplatônica, com Plutarco. A notícia se espalhou sobre essa jovem e brilhante professora, e quando regressou já havia um emprego esperando por ela, para dar aulas no museu de Alexandria, juntamente com aqueles que haviam sido seus professores.

Hipácia é um marco na História da Matemática que poucos conhecem, tendo sido equiparada a Ptolomeu (85 - 165), Euclides (c. 330 a. C. - 260 a. C.), Apolônio (262 a. C. - 190 a. C), Diofanto (século III a. C.) e Hiparco (190 a. C. - 125 a. C.).
Seu talento para ensinar geometria, astronomia, filosofia e matemática atraía estudantes admiradores de todo o império romano, tanto pagãos como cristãos.

Aos 30 anos tornou-se diretora da Academia de Alexandria. Do seu trabalho, infelizmente, pouco chegou até nós. Alguns tratados foram destruídos com a Biblioteca, outros quando o templo de Serápis foi saqueado. Grande parte do que sabemos sobre Hipácia vem de correspondências suas e de historiadores contemporâneos que dela falaram. Um notável filósofo, Sinesius de Cirene (370 - 413), foi seu aluno e escrevia-lhe freqüentemente pedindo-lhe conselhos sobre o seu trabalho. Através destas cartas ficou-se a saber que Hipácia inventou alguns instrumentos para a astronomia (astrolábio e planisfério) e aparelhos usados na física, entre os quais um hidrômetro.

Sabemos que desenvolveu estudos sobre a Álgebra de Diofanto ("Sobre o Canon Astronômico de Diofanto"), que escreveu um tratado sobre as seções cônicas de Apolônio ("Sobre as Cônicas de Apolônio") e alguns comentários sobre os matemáticos clássicos, incluindo Ptolomeu. E em colaboração com o seu pai, escreveu um tratado sobre Euclides.

Ficou famosa por ser uma grande solucionadora de problemas. Matemáticos que haviam passado meses sendo frustrados por algum problema em especial escreviam para ela pedindo uma solução. E Hipácia raramente desapontava seus admiradores. Ela era obcecada pela matemática e pelo processo de demonstração lógica. Quando lhe perguntavam porque nunca se casara ela respondia que já era casada com a verdade.

A tragédia de Hipácia foi ter vivido numa época de luta entre o paganismo e o cristianismo, com este a tentar apoderar-se dos centros importantes então existentes. Hipácia era pagã, fato normal para alguém com os seus interesses, pois o saber era relacionado com o chamado paganismo que dominou os séculos anteriores e era alicerçado nas tradições de liberdade de pensamento.

O cristianismo foi oficializado em 390 d.C, e o recém nomeado chefe religioso de Alexandria, o bispo Cirilo, dispôs-se a destruir todos os pagãos assim como seus monumentos e escritos.

Por causa de suas idéias científicas pagãs, como por exemplo a de que o Universo seria regido por leis matemáticas, Hipácia foi considerada uma herética pelos chefes cristãos da cidade. A admiração e proteção que o político romano Orestes dedicou a Hipácia pouco adiantou, e acirrou ainda mais o ódio do bispo Cirilo por ela e, quando este tornou-se patriarca de Alexandria, iniciou uma perseguição sistemática aos seguidores de Platão e colocou-a encabeçando a lista.

Assim, numa tarde de 415 d.C, a ira dos cristãos abateu-se sobre Hipácia. Quando regressava do Museu, foi atacada em plena rua por uma turba de cristãos enfurecidos, incitados e comandados por "São" Cirilo. Arrastada para dentro de uma igreja, foi cruelmente torturada até a morte e ainda teve seu corpo esquartejado (dilacerado com conchas de ostra, ou cacos de cerâmica, consoante as versões existentes) e queimado.
O historiador Edward Gibbon faz um relato vívido do que aconteceu depois que Cirilo tramou contra Hipácia e instigou as massas contra ela: "Num dia fatal, na estação sagrada de Lent, Hipácia foi arrancada de sua carruagem, teve suas roupas rasgadas e foi arrastada nua para a igreja. Lá foi desumanamente massacrada pelas mãos de Pedro, o Leitor, e sua horda de fanáticos selvagens. A carne foi esfolada de seus ossos com ostras afiadas e seus membros, ainda palpitantes, foram atirados às chamas".

O estúpido episódio da morte de Hipácia é considerado um marco do fim da tradição de Alexandria como centro de ciências e cultura. Pouco depois, a grande Biblioteca de Alexandria seria destruída e muito pouco do que foi aquele grande centro de saber sobreviveria até os dias de hoje.

Enrico Riboni descreve os motivos e as conseqüências dessa ação fanática dos religiosos: "a brilhante professora de matemática representava uma ameaça para a difusão do cristianismo, pela sua defesa da Ciência e do Neoplatonismo. O fato de ela ser mulher, muito bela e carismática, fazia a sua existência ainda mais intolerável aos olhos dos cristãos. A sua morte marcou uma reviravolta: após o seu assassinato, numerosos pesquisadores e filósofos trocaram Alexandria pela Índia e pela Pérsia, e Alexandria deixou de ser o grande centro de ensino das ciências do mundo antigo. Além do mais, a Ciência retrocederá no Ocidente e não atingirá de novo um nível comparável ao da Alexandria antiga senão no início da Revolução Industrial. Os trabalhos da Escola de Alexandria sobre matemática, física e astronomia serão preservados, em parte, pelos árabes, persas, indianos e também chineses. O Ocidente, pelo seu lado, mergulhará no obscurantismo da Idade Média, do qual começará a sair somente mais de um milênio depois. Em reconhecimento pelos seus méritos de perseguidor da comunidade científica e dos judeus de Alexandria, Cirilo será canonizado e promovido a Doutor da Igreja, em 1882."

E Carl Sagan nos acrescenta: "Há cerca de 2000 anos, emergiu uma civilização científica esplêndida na nossa história, e sua base era em Alexandria. Apesar das grandes chances de florescer, ela decaiu. Sua última cientista foi uma mulher, considerada pagã. Seu nome era Hipácia. Com uma sociedade conservadora à respeito do trabalho da mulher e do seu papel, com o aumento progressivo do poder da Igreja, formadora de opiniões e conservadora quanto à ciência, e devido à Alexandria estar sob domínio romano, após o assassinato de Hipácia, em 415, essa biblioteca foi destruída. Milhares dos preciosos documentos dessa biblioteca foram em grande parte queimados e perdidos para sempre, e com ela todo o progresso científico e filosófico da época."


Francisco Saiz, julho de 2002

Veja mais em: http://br.geocities.com/perseuscm/hipacia.html



terça-feira, 25 de setembro de 2007

Vc se sente um deus?

Voce se sente um deus?

Álvaro de Campos
Poema em Linha Reta
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


Fernando Pessoa

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Youtube

Pessoal..dêem uma passada no Youtube tb, onde constam alguns vídeos das aulas em Filô:

http://br.youtube.com/profile?user=profcelia

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Busca pelo silêncio da Alma

Vc sabia que existia muita semelhança entre o pensamento Ocidental e Oriental na Antiguidade, especialmente na Grécia?

Em diversos períodos da história até os dias atuais....interessante perceber que depois que o Ser Humano se envolve sistematicamente com a ciência, ele tenta regressar para o simples e antagônico "Eu" ....
Interessante como a busca pelos novos continentes ou pelos mistérios do Universo param...quando o "Eu" desperta.
E logicamente existirão uma diversidade de caminhos à serem seguidos...

Considerações:
Período conhecido na Filosofia como "Helenístico" onde há o governo de Alexandre da Macedônia que incorpora a Grécia.
A preocupação filosófica, pós Aristóteles, é a busca pela felicidade, a busca do Eu.
Podemos destacar três correntes de pensadores:
- Pirro (360/272 aC): Fundador do Ceticismo
O que seria?
Em grego arcaico, "cético" pode significar "meditação", ou alguém preocupada com si mesma e assim, ausente do mundo. Atualmente o sentido de "cético", é alguem "descrente" de tudo...
Para atingir a Felicidade é preciso estar indiferente aos costumes e crenças mundanas...O homem feliz é aquele que consegue estar em "Ataraxia" ou seja estado de impertubabilidade da alma.
Interessante ressaltar que Pirro se baseia também nos ideais brâmanes da Índia.
Zenão (320-250 aC):
Fundador do Estoicismo:
Escola que tem esse nome por estar localizada próxima aos pórticos ("Stoa" em grego).
O Estoicismo acreditava que a Felicidade era um estado de tranquilidade plena, que só poderia ser atingido por meio de prática virtuosa. já a "virtude" deve ser compreendida como a indiferença às experiências da vida..
Portanto, o homem não deveria preocupar-se com questões como a morte, a fome ou a propriedade. Deveria sim cultivar o único valor real e verdadeiro, a Sabedoria.
Deve haver uma indiferença tanto ao prazer como ao sofrimento....evitar paixões assim como os vícios...fonte de todo o mal.
Foi uma das escolas de maior duração durou até o sec II da Era Cristã.
Epicuro (341-270), fundou o Epicurismo:
Herdou a idéia de Demócrito que diz que a Alma é composta de partículas imateriais, muito leves, ou seja, "Átomo"..
Para ele, não existia vida pós-morte..e o homem deveria perder o medo da morte e de outros fenômenos que não podia explicar...
Mas ele acreditava em divindades..Acreditava na existência de diversos mundos e em seus espaços, porém, não havia influência de deuses na vida humana...
A finalidade da vida na terra é o Prazer, mas não aquele que vem de instintos animais mas aquele que vem do Equilíbrio, da Razão....
A Felicidade é a Paz Espiritual...
fonte: Chalita, Gabriel, Vivendo a Filosofia. Atual Editora.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

domingo, 26 de agosto de 2007

Por que os alunos são tão apáticos ao conhecimento?

Registos sobre a apatia e a indiferença pós-moderna

O indivíduo pede para ficar só. Cada vez mais só. E, simultaneamente, não se
suporta a si próprio. Odeia estar a sós consigo. Aqui, o deserto já não tem
começo nem fim.
Quem não está hoje sujeito à dramatização e ao stress? Envelhecer.
Emagrecer. Engordar. Desfear-se. Dormir. Educar os filhos ou os netos.
Partir para férias. Regressar de férias. Tudo é um problema… As actividades
elementares tornaram-se um problema.
Quanto mais os políticos se explicam e exibem na televisão, mais toda a
gente se está marimbando. Quanto mais comunicados os sindicatos distribuem,
menos lidos são. Quanto mais os professores se esforçam por fazer com que os
alunos leiam, mais estes deixam de lado os livros… Indiferença, uma profunda
indiferença por saturação toma-nos todos. Indiferença por saturação, excesso
de informação pueril e de isolamento.
A indiferença identifica-se hoje com a pouca motivação, com a «anemia
emocional» (Riesman), e também com a desestabilização dos comportamentos e
juízos «flutuantes» na esteira das flutuações da opinião pública. A
comunicação é efémera e flutuante. Aparece, sobe ao cume, regressa de pronto
à base e desaparece. Efémera, instável, flutuante, promotora permanente da
indiferença.
A apatia já não é uma ausência de socialização. É uma nova socialização
flexível e económica. É uma descrispação necessária ao funcionamento do novo
capitalismo enquanto sistema experimental, acelerado, flutuante,
sistemático.
No capitalismo moderno a apatia torna possível a aceleração das
experimentações, de todas as experimentações e não apenas da exploração.
Podemos então perguntar: está a indiferença geral ao serviço do lucro? Não.
Não apenas ao serviço do lucro. A indiferença que se apossou dos povos
atinge todos os sectores da vida e, por isso, ela é generalizada. A
indiferença é agora meta-política, meta-económica, permitindo ao capitalismo
entrar na sua fase de funcionamento operacional.
O novo capitalismo apela ao efémero, ao flutuante… e por isso à
desestatização. Maldito seja o Estado, grita. Acontece que o Império Romano
não construiu as suas estradas, pontes e aquedutos com os fundos angariados
em actos de beneficência organizados por um grupo de jograis ambulantes.
A vida nas sociedades contemporâneas é doravante governada por uma nova
estratégia. Ela destrona o primado das relações de produção em proveito das
relações de sedução.
A indiferença cresce. Em lado algum é tão visível como no ensino. Aqui, em
poucos anos, com a velocidade de um relâmpago, o prestígio e a autoridade
dos docentes desapareceram quase por completo.
Hoje, o discursos do Mestre encontra-se banalizado, dessacralizado, em pé de
igualdade com o dos média. O ensino é uma máquina neutralizada pela apatia
escolar, feita de atenção dispersa e de cepticismo desenvolto face ao saber.
Grande desapontamento dos Mestres. É esta desafectação do saber que é
significativa. Muito mais do que o tédio, de resto variável, que tomou conta
dos alunos das escolas.
Agora a escola é menos parecida com uma caserna e mais parecida com um
deserto (ressalvando-se o facto de toda a caserna ser um deserto), onde os
jovens vegetam sem grande motivação ou interesse. Perante este desinteresse
as autoridades reagem propondo mais do mesmo. Dizem ser necessário inovar a
todo o custo: mais liberalismo, participação, investigação pedagógica… E o
escândalo está nisso mesmo, porque, quanto mais a escola se põe a ouvir os
pais e os alunos mais estes últimos desabitam sem ruído nem convulsões esse
lugar vazio.
As lutas, os movimentos, o associativismo pujante e as greves estudantis do
pós-68 desapareceram. Os estudantes são agora seres inertes. Vivem a moda, o
efémero, o absolutamente transitório, a imitação. Mais do que agir só
importa macaquear os «produtos» vendidos pelos media. O debate e a
contestação social e política extinguiu-se. A escola é um corpo mumificado e
os docentes corpos fatigados, incapazes de lhe devolver a vida.
Não se trata, para falar com propriedade, de «despolitização». Os partidos,
as eleições, continuam a «interessar» a maioria dos cidadãos. Mas
interessam-lhe do mesmo modo (e até em menor medida) que as apostas no
totoloto ou no euromilhões, a meteorologia, a vida dos «famosos» ou os
resultados desportivos. A política entrou na era do espectáculo…
Nos noticiários passa-se, com naturalidade, da política às variedades. O
relevo e o tempo dado a cada notícia é determinado pela capacidade de
entretenimento que esta tem. A sociedade actual não conhece a hierarquia, as
codificações definitivas, o centro e a periferia. Nada mais lhe interessa do
que estimulações e opções equivalentes em cadeia… Daqui resulta a
indiferença pós-moderna. Indiferença por excesso, não por defeito, por hiper
socialização, não por privação.
O que é que se mostra ainda capaz de nos espantar ou escandalizar? A apatia
que toma conta progressivamente do ser humano corresponde à velocidade da
informação. Esta, uma vez registada é esquecida. Varrida de cena por uma
outra…
O homem ou a mulher cool assemelham-se ao telespectador que experimenta
«para ver», um a um, todos os programas da noite. Ao consumidor que enche o
carrinho no supermercado. Ao veraneante que se angústia na escolha entre as
praias espanholas e o campismo na Córsega… A apatia pós-moderna é induzida
pelo campo vertiginoso dos possíveis.

De: Gilles Lipovetsky

sábado, 18 de agosto de 2007

Desprezível matemática?

Pitágoras, Idade Antiga, ressaltou o número como algo misterioso.....místico...Acreditou no número como solução para problemas, confundiu neles divindade e racionalismo.
Hoje no Brasil...existe uma resistência à Matemática, muitos a vêem como algo entediante, complexo demais para ser entendido....
Mas toda a espacialidade universal é matemática...mesmo não sendo exata.
Estamos num local que está contido em outro local que provavelmente está contido em outro local ...e é geometricamente dosado.
Quando saímos de casa....a casa matematicamente construída, nos deparamos com supermercados....bancos....lojas...do qual dependemos...e precisamos realizar operações financeiras.......e finanças são números potencializados, multiplicados...divididos...numa relação onde se soma ou se subtrai.
O capitalismo...foi envolvido na Idade Moderna pelo protestantismo europeu que se baseava no lucro e na competição dentro do trabalho e acumulo de capital...
Percebemos então reflexos em nossa conta bancária...juros que não entendemos ..taxas que pensamos entender...
A massa se conforma em não entender de taxas...(que mantém a agiotagem)...porque do contrário, teriam que estudar matemática..e se não se entende da matemática convencional ensinada à duros esforços na escola como entenderiam de matemática financeira???
Muitos tinham poucos recursos financeiros...mas, souberam usar os números e se transformaram em grandes investidores....porém outros...até receberam altos valores em dinheiro e conseguiram , além de perder tudo, ainda dever...porque nada entendiam de operações...
Talvez dentro de um capitalismo selvagem...onde permeiam grupos de eloquentes da matemática, seja interessante que muitos não gostem de números...e os vejam mesmo como algo deprimente...

sábado, 11 de agosto de 2007

O martírio paraguaio


Infelizmente, não são atuais fatos como genocídios ou guerras bacteriológicas e virais. Durante a Guerra do Paraguai (1864-1870), a Tríplice Aliança formada por Brasil (chefiado por Duque de Caxias), Argentina e Uruguai aniquilaram cerca de 70% da população paraguaia que só se entregou com a morte de seu ditador em batalha Solano Lopez. Entre as armas utilizadas no território guarani, foram jogados cadáveres infectados por febre amarela e malária de negros escravos que combatiam nos rios que abasteciam as populações civis. Tudo financiado pela Inglaterra, pais do qual a maioria dos demais era servil. E para quem não sabe o Paraguai nesse período era um pais sem analfabetos e com franca prosperidade, exatamente o oposto do que se tornou. A nação guarani lutou com homens, mulheres e crianças. O Paraguai aguarda por respostas que nunca vieram.........

Indicação de Leitura: Chiavenato, Julio José. A guerra do Paraguai

e: http://www.highrisemarketing.com/djweb/historia/textos/guerraparaguai.htm

domingo, 5 de agosto de 2007

O Amor

A lenda do Par Perfeito:

Um dia uma princesa decidiu que queria o Par Perfeito. Filha de um poderoso rei, resolveu procurar as principais pessoas sobre o assunto...Queria de qualquer forma, um amor para namorar, noivar e casar.
Foi dessa forma que encontrou um guru que era o mais entendido nos assuntos do coração e das magias.
Pediu à ele um homem perfeito cujo corpo fosse saudável e atlético, o cérebro inteligente e as atitudes sábias.
O guru então fez a primeira magia e descobriram um homem atleta, gatérrimo, e se parecia o próprio deus Apolo. Mas, de tanto utilizar os músculos, ele se esquecia de trabalhar a mente, não sabia nem ler. Foi então que a princesa pediu por outro homem.
A segunda magia foi feita, descobriram um filósofo que lia e escrevia o dia todo, mas era franzino e baixinho. A princesa então também não quis.
Ficou desapontada.
Como era difícil achar um Par Perfeito?
O guru também informou que não haviam mais homens interessantes no reino mas que poderia tentar a terceira magia: Trocar as cabeças dos corpos do atleta com o filósofo.
E assim foi feito:
Porém, já no primeiro dia.....o que estava com a cabeça do filósofo e corpo do atleta...parou de se exercitar e começou a ler...e a ler muito..e em poucos dias...voltou a ser magro...e franzino. E nesse mesmo dia, o que estava com a cabeça do atleta e corpo do filósofo começou a correr, a saltar....a carregar peso, a bombar...(e nada de ler ou pensar)...e ficou musculoso...
Dá para imaginar que a princesa morreu sozinha, não é?
Para que a estória (ou história) tivesse um final feliz seria preciso aprender a gostar das pessoas vendo-as como elas são....e deixar que "perfeito" seja apenas o desejo.....
Geralmente não amamos uma pessoa mas a representação idílica dela e se encontramos alguém queremos, ou forçamos, que o Ser seja modificado para que se materialize uma idéia que é só nossa.....
Queremos encontrar a nós mesmos em outros corpos diversificados e não entendemos ou fugimos do encontro real. O outro vive sobre o fardo de nossa projeção.
Sem entender a intersubjetividade do encontro.....lamentamos chegar na esquina e não encontrarmos mais do que sombras.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Declaração dos Direitos do homem e do cidadão

«All men are by nature equally free and independent and have certain inherent rights, of which, when they enter into a state of society, they cannot, by any compact, deprive or divest their posterity; namely, the enjoyment of life and liberty, with the means of acquiring and possessing property, and pursuing and obtaining happiness and safety.».


A Revolução Francesa em 1789, famosa pelo lema Liberdade, Igualdade e Fraternidade, tb proclamou a DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DO HOMEM E DO CIDADÃO pela primeira vêz na história. Dessa declaração surgiu posteriormente, através da ONU, a Declaração dos Direitos Humanos.
O que dizer? Temos tantas idéias, tantas leis internacionais mas teorias que não condizem com a prática. Por quê?
Abaixo os 17 artigos que a constituem.



A Declaração dos Direitos do Homem
e do Cidadão

I - Os homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos; as distinções sociais não podem ser fundadas senão sobre a utilidade comum.

II - O objetivo de toda associação política é a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis do homem; esses direitos são a liberdade, a propriedade, a segurança e a resistência à opressão.

III - O princípio de toda a soberania reside essencialmente na razão; nenhum corpo, nenhum indivíduo pode exercer autoridade que dela não emane diretamente.

IV - A liberdade consiste em poder fazer tudo que não prejudique a outrem. Assim, o exercício dos direitos naturais do homem não tem limites senão aqueles que asseguram aos outros membros da sociedade o gozo desses mesmos direitos; seus limites não podem ser determinados senão pela lei.

V - A lei não tem o direito de impedir senão as ações nocivas à sociedade. Tudo o que não é negado pela lei não pode ser impedido e ninguém pode ser constrangido a fazer o que ela não ordenar.

VI - A lei é a expressão da vontade geral; todos os cidadãos têm o direito de concorrer, pessoalmente ou por seus representantes, à sua formação; ela deve ser a mesma para todos, seja protegendo, seja punindo. Todos os cidadãos, sendo iguais a seus olhos, são igualmente admissíveis a todas as dignidades, lugares e empregos públicos, segundo sua capacidade e sem outras distinções que as de suas virtudes e de seus talentos.

VII - Nenhum homem pode ser acusado, detido ou preso, senão em caso determinado por lei, e segundo as formas por ela prescritas. Aqueles que solicitam, expedem ou fazem executar ordens arbitrárias, devem ser punidos; mas todo cidadão, chamado ou preso em virtude de lei, deve obedecer em seguida; torna-se culpado se resistir.

VIII - A lei não deve estabelecer senão penas estritamente necessárias, e ninguém pode ser punido senão em virtude de uma lei estabelecida e promulgada ao delito e legalmente aplicada.

IX - Todo homem é tido como inocente até o momento em que seja declarado culpado; se for julgado indispensável para a segurança de sua pessoa, deve ser severamente reprimido pela lei. X - Ninguém pode ser inquietado por suas opiniões, mesmo religiosas, contanto que suas manifestações não perturbem a ordem pública estabelecida em lei.

XI - A livre comunicação dos pensamentos e opiniões é um dos direitos mais preciosos do homem; todo o cidadão pode, pois, falar, escrever e imprimir livremente; salvo a responsabilidade do abuso dessa liberdade nos casos determinados pela lei.

XII - A garantia dos direitos do homem e do cidadão necessita de uma força pública; essa força é então instituída para vantagem de todos e não para a utilidade particular daqueles a quem ela for confiada.

XIII - Para a manutenção da força pública e para as despesas de administração, uma contribuição comum é indispensável; ela deve ser igualmente repartida entre todos os cidadãos, em razão de suas faculdades.

XIV - Os cidadãos têm o direito de constatar, por si mesmos ou por seus representantes, a necessidade da contribuição pública, de consenti-la livremente e de vigiar seu emprego, de determinar sua quota, lançamento, recuperação e duração.

XV - A sociedade tem o direito de pedir contas de sua administração a todos os agentes do poder público.

XVI - Toda a sociedade na qual a garantia dos direitos não é assegurada, nem a separação dos poderes determinada, não tem constituição.

XVII - A propriedade, sendo um direito inviolável, e sagrado, ninguém pode ser dela privado senão quando a necessidade pública, legalmente constatada, o exija evidentemente, e sob a condição de uma justa e prévia indenização.

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terça-feira, 17 de julho de 2007

Idade da Razão da humanidade

A fertilidade, a estética e a animalidade..
Etimologicamente animal deriva-se de "anima" ou estado em que o Ser tem "energia", por isso, estado de agitação.
Se percebermos, dentro de nós, o estado ainda animal..nossas interpretações seriam mais otimistas.
Analisemos o seguinte:
Por que será que o Ser Humano, bebê, engatinha? Porque o andar é um comportamento "aprendido" com outras pessoas do grupo.
Como se fala? Se fala porque o bebê lê os lábios, associa os sons de um grupo...Se não houvesse o grupo...somente seria possível balbuciar...
Assim a escrita que precisa ser aprendida...com um grupo...Todo código de sinais somente são aprendidos com o grupo formador...
Por que existe um "breque" de quinta para sexta série do fundamental II no estágio de cognição? Obviamente porque os hormônios da puberdade (ou a fertilidade) desponta e para o corpo existem prioridades maiores como a perpetuação da espécie para se sobrepor...aprender matemática nesse momento não é vital na linguagem natural.
Por que na adolescência, os garotos erguem os ombros, deixam de correr de um lado para outro? Por que as garotas se maquiam e empinam o bumbum??
Porque ambos estão prontos e férteis para a reprodução. E é como se fosse um "cio". A idade juvenil é onde se tem mais condições e ritmo físico para se cuidar da prole, existe então um conflito do racional contra a lógica natural.
Parece q até a adolescência é mais sábio aplicar o esporte à um quadrado fechado que é a sala de aula..
Até a adolescência..a natureza se agita dentro de nós e uma sucessão de erros, vista sob os olhares do racional, acontece.
É depois dos 20 anos que o corpo começa a parar..começa a se estabilizar...tempo é tudo para o controle sobre nós mesmos...
Somente nesse período a reflexão se apropria de nossas vidas..
Agora...analisando a própria humanidade, saindo do micro para o macrocosmo..o conjunto, dá para entender o motivo de tanta violência..Talvez a humanidade ainda esteja no estado de adolescente..agitada .quase irracional.....Talvez ainda leve mais dez mil anos para se auto-respeitar ou objetivar seus desejos...De qualquer forma parece que falta muito para se atingir a idade adulta ou a Idade da Razão.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Doe ouro por SP!


Em 1932, o Estado de SP fêz emergir a Revolução que nos marcaria.
Principiou-se pela mortes dos estudantes Martins, Miranguaia, Drausio e Camargo, formando a sigla MMDC.
Jovens estudantes, mulheres, doaram mais do que ouro por SP, doaram a vida.
Entre as curiosidades destacam-se a invenção da "matraca", instrumento de madeira, girado por uma manivela que faz o som exato de uma metralhadora.

Bem, nós perdemos a revolução mas ganhamos a Constituição Federal.

Abaixo informações:

Quando Getúlio Vargas subiu ao poder, após o golpe de 1930, não respeitou a autonomia de São Paulo, nomeando um Interventor de fora, não conservando seu Presidente (nessa época os governadores eram denominados Presidentes).
Isso desgostou todos paulistas, sobretudo os dirigente do Partido Republicano Paulista (PRP) que não se conformavam com o fato de São Paulo estar sendo comandado por um estranho".
Foi desencadeada uma grande propaganda contra o governo federal, com os lemas:
Canhão Krupp 75 mm, semelhante aos canhões utilizados pelas forças paulistas.
"São Paulo dominado por gente estranha!"; "São Paulo conquistado"; "Tudo pela Constituição" ou "Convocação imediata da Constituinte". O Interventor João Alberto pediu demissão. Getúlio nomeou então um paulista, o diplomata Pedro de Toledo, mas era tarde, os ânimos estavam exaltados. São Paulo tinha um Interventor paulista e civil, mas a situação não se acalmou.

No dia 25 de janeiro de 1932, aniversário da cidade de São Paulo, houve um imenso comício na Praça da Sé, colorido com bandeiras de São Paulo. Partidos políticos que eram rivais estavam unidos. O descontentamento foi aumentando e o povo se revoltou. Em 22 e 23 de maio, estudantes e populares queimaram e empastelaram as redações dos jornais ditatoriais e, nesse conflito, foram mortos quatro estudantes de Direito: Miragaia, Martins, Dráusio e Camargo. O nome dos quatro serviu para no futuro designar o movimento paulista: MMDC. O primeiro a morrer foi Camargo, justamente o estudante que era casado e pai de três filhos.

A idéia de revolução tomou conta de todos, sem distinção de classe social. Ninguém podia ficar neutro: ou era a favor ou contra São Paulo! Não se admitia a neutralidade. Enfim, todos eram a favor.

São Paulo estava confiante da vitória, pois contava com o apoio dos militares de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. Mas somente Mato Grosso manteve-se leal a SP. O comandante da Revolução era o general Isidoro Dias Lopes, apoiado fortemente pelo contingente de Mato Grosso, comandado pelo general Bertoldo Klinger.

Médicos, engenheiros, químicos, estudantes, operários, padres, freiras, colégios, comerciantes, empresas, associações, indústrias, donas-de-casa, formaram a solidariedade pública. Todos acorreram em massa ao chamado da Revolução. Era a mobilização de todos os recursos humanos e materiais.

Foram realizados verdadeiros prodígios de técnica, produzindo munição de infantaria, morteiros pesados e leves, granadas de mão e de fuzil, máscaras anti-gases, lança-chamas, etc. Foram blindados trens, automóveis, e montados canhões pesados sobre vias férreas.

No dia 9 de julho de 1932, o Interventor Pedro de Toledo telegrafava ao ditador Getúlio Vargas: "Esgotados os meios que ao meu alcance estiveram para evitar o movimento que acaba de se verificar na guarnição desta Região ao qual aderiu o povo paulista, não me foi possível caminhar ao revés dos sentimentos do meu povo". Começava a Revolução Constitucionalista.

terça-feira, 26 de junho de 2007

História com fim

História com fim
Dizíamos antes que a repressão puritanista ou calvinista aliada à desigualdade elitista traria a violência.
Brecht chegou a afirmar: "Do rio que tudo arrasta dizem que é violento mas ninguém diz o quanto são violentas as margens que o reprimem". E bem antes do dramaturgo alemão, Rousseau proferia que a violência se originou no exato momento em que, abandonando o estágio de "bom selvagem", o homem colocou uma estaca na terra e disse "Isso é meu".
Mas a psicologia comportamental da década de 40, alquimista do tempo na psiquê, demonstrou claramente que o comportamento pode ser estudado e mais...condicionado.....Alguém se lembra do filme "Laranja mecânica"......onde o personagem cruel é "transformado" ? Essa foi a pedra filosofal que a psiquiatria não descobriu porque se alicerçava na terrível e simplista lobotomia. Radicalismo direto nunca resolveu incógnitas.
E ao que parece violência nunca surgiu...ela sempre esteve.
Esteve dentro de nós.....
Sempre fomos violentos....e paradigmaticamente nunca aceitamos analisar o Mal enquanto parte de nós..ética puritanista? ou estatal?
Somos violentos quando rimos, até involuntariamente, de alguém que tropeça, quando gritamos, quando xingamos....e etc...
Tudo isso porque ainda estamos no estágio animal...temos o instinto e o arquétipo da competição, da preservação incondicional da própria vida...
A questão é que não expandimos em excesso nossa violência própria porque estamos no conforto social....mas..quando o chão some...um outro ser, inconsciente portanto desconhecido de nossa razão, surge.
E a Ética?
Por muito tempo a civilização se valeu do Pacto Social ou do Contrato pelo qual o cidadão abdicava de sua liberdade individual em prol do bem-comum social..No entanto, os pactos parecerem estarem caducos ou rompidos....
Na Idade Média, os pactos sofreram reforços vindo da religiosidade implantada....(haviam crenças)...
Mas as crenças que aceitavam as regras e normas......perderam para o renascimento científico.
Quando o Estado rompeu com a Igreja aliou-se à Tecnologia e esta não tinha exatamente um modelo ético à ser seguido.
Se a violência é um estado que se aflora no sujeito...dependendo do terreno é preciso de agentes controladores (essa era a tarefa da religião)....
Continuamos a sermos condicionados mas não mais pelo Divino e sim pela mídia...e pela ideologia do lucro ocidental que tb influi no Oriente...
Os controladores locais não podem ser totalizantes...mesmos direcionando nossos desejos...
Ficou uma lacuna árida na parte espiritual......essa era nossa esperança real para superarmos o estágio animal....
Esse efeito nos leva ao patológico social....que se acumula à uma superpopulação mundial...cujo território, a água e a alimentação parece que não dará para todos....Sem dizer....na supra taxa de stress...de neuroses....que nos força à defesa, ao ataque ou à catatonia....
O modelo ético religioso foi desfeito, até por efeito dos próprios pecados da instituição religiosa e o que construir moralmente?
Com a ausência do condicionamento religioso ou de uma neo consciência religiosa ...cuja a promessa era a elevação do corpo agitado ao Espírito, a razão parece se encontrar ilhada seduzida apenas pelos reflexos.
Celia Schultz