terça-feira, 26 de junho de 2007

História com fim

História com fim
Dizíamos antes que a repressão puritanista ou calvinista aliada à desigualdade elitista traria a violência.
Brecht chegou a afirmar: "Do rio que tudo arrasta dizem que é violento mas ninguém diz o quanto são violentas as margens que o reprimem". E bem antes do dramaturgo alemão, Rousseau proferia que a violência se originou no exato momento em que, abandonando o estágio de "bom selvagem", o homem colocou uma estaca na terra e disse "Isso é meu".
Mas a psicologia comportamental da década de 40, alquimista do tempo na psiquê, demonstrou claramente que o comportamento pode ser estudado e mais...condicionado.....Alguém se lembra do filme "Laranja mecânica"......onde o personagem cruel é "transformado" ? Essa foi a pedra filosofal que a psiquiatria não descobriu porque se alicerçava na terrível e simplista lobotomia. Radicalismo direto nunca resolveu incógnitas.
E ao que parece violência nunca surgiu...ela sempre esteve.
Esteve dentro de nós.....
Sempre fomos violentos....e paradigmaticamente nunca aceitamos analisar o Mal enquanto parte de nós..ética puritanista? ou estatal?
Somos violentos quando rimos, até involuntariamente, de alguém que tropeça, quando gritamos, quando xingamos....e etc...
Tudo isso porque ainda estamos no estágio animal...temos o instinto e o arquétipo da competição, da preservação incondicional da própria vida...
A questão é que não expandimos em excesso nossa violência própria porque estamos no conforto social....mas..quando o chão some...um outro ser, inconsciente portanto desconhecido de nossa razão, surge.
E a Ética?
Por muito tempo a civilização se valeu do Pacto Social ou do Contrato pelo qual o cidadão abdicava de sua liberdade individual em prol do bem-comum social..No entanto, os pactos parecerem estarem caducos ou rompidos....
Na Idade Média, os pactos sofreram reforços vindo da religiosidade implantada....(haviam crenças)...
Mas as crenças que aceitavam as regras e normas......perderam para o renascimento científico.
Quando o Estado rompeu com a Igreja aliou-se à Tecnologia e esta não tinha exatamente um modelo ético à ser seguido.
Se a violência é um estado que se aflora no sujeito...dependendo do terreno é preciso de agentes controladores (essa era a tarefa da religião)....
Continuamos a sermos condicionados mas não mais pelo Divino e sim pela mídia...e pela ideologia do lucro ocidental que tb influi no Oriente...
Os controladores locais não podem ser totalizantes...mesmos direcionando nossos desejos...
Ficou uma lacuna árida na parte espiritual......essa era nossa esperança real para superarmos o estágio animal....
Esse efeito nos leva ao patológico social....que se acumula à uma superpopulação mundial...cujo território, a água e a alimentação parece que não dará para todos....Sem dizer....na supra taxa de stress...de neuroses....que nos força à defesa, ao ataque ou à catatonia....
O modelo ético religioso foi desfeito, até por efeito dos próprios pecados da instituição religiosa e o que construir moralmente?
Com a ausência do condicionamento religioso ou de uma neo consciência religiosa ...cuja a promessa era a elevação do corpo agitado ao Espírito, a razão parece se encontrar ilhada seduzida apenas pelos reflexos.
Celia Schultz

2 comentários:

Felicio disse...

muito bom esse seu texto. Creio que se o valor da pessoa for levado em consideração a violência perde o sentido. O que não estamos vendo é o valor dela. Pensamos em religião, em tecnologia e deixamos de lado o que somos, construímos, vivemos. Se a esperança não estiver nas pessoas, precisaremos sempre de um Deus, de uma crença? ou estou criando também uma super crença nas pessoas?

Eduardo disse...

Não acha complicado dizer que a violência sempre esteve conosco? Parece que então existiria uma natureza humana, o que faria da questão da violência um labirinto...