domingo, 26 de agosto de 2007

Por que os alunos são tão apáticos ao conhecimento?

Registos sobre a apatia e a indiferença pós-moderna

O indivíduo pede para ficar só. Cada vez mais só. E, simultaneamente, não se
suporta a si próprio. Odeia estar a sós consigo. Aqui, o deserto já não tem
começo nem fim.
Quem não está hoje sujeito à dramatização e ao stress? Envelhecer.
Emagrecer. Engordar. Desfear-se. Dormir. Educar os filhos ou os netos.
Partir para férias. Regressar de férias. Tudo é um problema… As actividades
elementares tornaram-se um problema.
Quanto mais os políticos se explicam e exibem na televisão, mais toda a
gente se está marimbando. Quanto mais comunicados os sindicatos distribuem,
menos lidos são. Quanto mais os professores se esforçam por fazer com que os
alunos leiam, mais estes deixam de lado os livros… Indiferença, uma profunda
indiferença por saturação toma-nos todos. Indiferença por saturação, excesso
de informação pueril e de isolamento.
A indiferença identifica-se hoje com a pouca motivação, com a «anemia
emocional» (Riesman), e também com a desestabilização dos comportamentos e
juízos «flutuantes» na esteira das flutuações da opinião pública. A
comunicação é efémera e flutuante. Aparece, sobe ao cume, regressa de pronto
à base e desaparece. Efémera, instável, flutuante, promotora permanente da
indiferença.
A apatia já não é uma ausência de socialização. É uma nova socialização
flexível e económica. É uma descrispação necessária ao funcionamento do novo
capitalismo enquanto sistema experimental, acelerado, flutuante,
sistemático.
No capitalismo moderno a apatia torna possível a aceleração das
experimentações, de todas as experimentações e não apenas da exploração.
Podemos então perguntar: está a indiferença geral ao serviço do lucro? Não.
Não apenas ao serviço do lucro. A indiferença que se apossou dos povos
atinge todos os sectores da vida e, por isso, ela é generalizada. A
indiferença é agora meta-política, meta-económica, permitindo ao capitalismo
entrar na sua fase de funcionamento operacional.
O novo capitalismo apela ao efémero, ao flutuante… e por isso à
desestatização. Maldito seja o Estado, grita. Acontece que o Império Romano
não construiu as suas estradas, pontes e aquedutos com os fundos angariados
em actos de beneficência organizados por um grupo de jograis ambulantes.
A vida nas sociedades contemporâneas é doravante governada por uma nova
estratégia. Ela destrona o primado das relações de produção em proveito das
relações de sedução.
A indiferença cresce. Em lado algum é tão visível como no ensino. Aqui, em
poucos anos, com a velocidade de um relâmpago, o prestígio e a autoridade
dos docentes desapareceram quase por completo.
Hoje, o discursos do Mestre encontra-se banalizado, dessacralizado, em pé de
igualdade com o dos média. O ensino é uma máquina neutralizada pela apatia
escolar, feita de atenção dispersa e de cepticismo desenvolto face ao saber.
Grande desapontamento dos Mestres. É esta desafectação do saber que é
significativa. Muito mais do que o tédio, de resto variável, que tomou conta
dos alunos das escolas.
Agora a escola é menos parecida com uma caserna e mais parecida com um
deserto (ressalvando-se o facto de toda a caserna ser um deserto), onde os
jovens vegetam sem grande motivação ou interesse. Perante este desinteresse
as autoridades reagem propondo mais do mesmo. Dizem ser necessário inovar a
todo o custo: mais liberalismo, participação, investigação pedagógica… E o
escândalo está nisso mesmo, porque, quanto mais a escola se põe a ouvir os
pais e os alunos mais estes últimos desabitam sem ruído nem convulsões esse
lugar vazio.
As lutas, os movimentos, o associativismo pujante e as greves estudantis do
pós-68 desapareceram. Os estudantes são agora seres inertes. Vivem a moda, o
efémero, o absolutamente transitório, a imitação. Mais do que agir só
importa macaquear os «produtos» vendidos pelos media. O debate e a
contestação social e política extinguiu-se. A escola é um corpo mumificado e
os docentes corpos fatigados, incapazes de lhe devolver a vida.
Não se trata, para falar com propriedade, de «despolitização». Os partidos,
as eleições, continuam a «interessar» a maioria dos cidadãos. Mas
interessam-lhe do mesmo modo (e até em menor medida) que as apostas no
totoloto ou no euromilhões, a meteorologia, a vida dos «famosos» ou os
resultados desportivos. A política entrou na era do espectáculo…
Nos noticiários passa-se, com naturalidade, da política às variedades. O
relevo e o tempo dado a cada notícia é determinado pela capacidade de
entretenimento que esta tem. A sociedade actual não conhece a hierarquia, as
codificações definitivas, o centro e a periferia. Nada mais lhe interessa do
que estimulações e opções equivalentes em cadeia… Daqui resulta a
indiferença pós-moderna. Indiferença por excesso, não por defeito, por hiper
socialização, não por privação.
O que é que se mostra ainda capaz de nos espantar ou escandalizar? A apatia
que toma conta progressivamente do ser humano corresponde à velocidade da
informação. Esta, uma vez registada é esquecida. Varrida de cena por uma
outra…
O homem ou a mulher cool assemelham-se ao telespectador que experimenta
«para ver», um a um, todos os programas da noite. Ao consumidor que enche o
carrinho no supermercado. Ao veraneante que se angústia na escolha entre as
praias espanholas e o campismo na Córsega… A apatia pós-moderna é induzida
pelo campo vertiginoso dos possíveis.

De: Gilles Lipovetsky

sábado, 18 de agosto de 2007

Desprezível matemática?

Pitágoras, Idade Antiga, ressaltou o número como algo misterioso.....místico...Acreditou no número como solução para problemas, confundiu neles divindade e racionalismo.
Hoje no Brasil...existe uma resistência à Matemática, muitos a vêem como algo entediante, complexo demais para ser entendido....
Mas toda a espacialidade universal é matemática...mesmo não sendo exata.
Estamos num local que está contido em outro local que provavelmente está contido em outro local ...e é geometricamente dosado.
Quando saímos de casa....a casa matematicamente construída, nos deparamos com supermercados....bancos....lojas...do qual dependemos...e precisamos realizar operações financeiras.......e finanças são números potencializados, multiplicados...divididos...numa relação onde se soma ou se subtrai.
O capitalismo...foi envolvido na Idade Moderna pelo protestantismo europeu que se baseava no lucro e na competição dentro do trabalho e acumulo de capital...
Percebemos então reflexos em nossa conta bancária...juros que não entendemos ..taxas que pensamos entender...
A massa se conforma em não entender de taxas...(que mantém a agiotagem)...porque do contrário, teriam que estudar matemática..e se não se entende da matemática convencional ensinada à duros esforços na escola como entenderiam de matemática financeira???
Muitos tinham poucos recursos financeiros...mas, souberam usar os números e se transformaram em grandes investidores....porém outros...até receberam altos valores em dinheiro e conseguiram , além de perder tudo, ainda dever...porque nada entendiam de operações...
Talvez dentro de um capitalismo selvagem...onde permeiam grupos de eloquentes da matemática, seja interessante que muitos não gostem de números...e os vejam mesmo como algo deprimente...

sábado, 11 de agosto de 2007

O martírio paraguaio


Infelizmente, não são atuais fatos como genocídios ou guerras bacteriológicas e virais. Durante a Guerra do Paraguai (1864-1870), a Tríplice Aliança formada por Brasil (chefiado por Duque de Caxias), Argentina e Uruguai aniquilaram cerca de 70% da população paraguaia que só se entregou com a morte de seu ditador em batalha Solano Lopez. Entre as armas utilizadas no território guarani, foram jogados cadáveres infectados por febre amarela e malária de negros escravos que combatiam nos rios que abasteciam as populações civis. Tudo financiado pela Inglaterra, pais do qual a maioria dos demais era servil. E para quem não sabe o Paraguai nesse período era um pais sem analfabetos e com franca prosperidade, exatamente o oposto do que se tornou. A nação guarani lutou com homens, mulheres e crianças. O Paraguai aguarda por respostas que nunca vieram.........

Indicação de Leitura: Chiavenato, Julio José. A guerra do Paraguai

e: http://www.highrisemarketing.com/djweb/historia/textos/guerraparaguai.htm

domingo, 5 de agosto de 2007

O Amor

A lenda do Par Perfeito:

Um dia uma princesa decidiu que queria o Par Perfeito. Filha de um poderoso rei, resolveu procurar as principais pessoas sobre o assunto...Queria de qualquer forma, um amor para namorar, noivar e casar.
Foi dessa forma que encontrou um guru que era o mais entendido nos assuntos do coração e das magias.
Pediu à ele um homem perfeito cujo corpo fosse saudável e atlético, o cérebro inteligente e as atitudes sábias.
O guru então fez a primeira magia e descobriram um homem atleta, gatérrimo, e se parecia o próprio deus Apolo. Mas, de tanto utilizar os músculos, ele se esquecia de trabalhar a mente, não sabia nem ler. Foi então que a princesa pediu por outro homem.
A segunda magia foi feita, descobriram um filósofo que lia e escrevia o dia todo, mas era franzino e baixinho. A princesa então também não quis.
Ficou desapontada.
Como era difícil achar um Par Perfeito?
O guru também informou que não haviam mais homens interessantes no reino mas que poderia tentar a terceira magia: Trocar as cabeças dos corpos do atleta com o filósofo.
E assim foi feito:
Porém, já no primeiro dia.....o que estava com a cabeça do filósofo e corpo do atleta...parou de se exercitar e começou a ler...e a ler muito..e em poucos dias...voltou a ser magro...e franzino. E nesse mesmo dia, o que estava com a cabeça do atleta e corpo do filósofo começou a correr, a saltar....a carregar peso, a bombar...(e nada de ler ou pensar)...e ficou musculoso...
Dá para imaginar que a princesa morreu sozinha, não é?
Para que a estória (ou história) tivesse um final feliz seria preciso aprender a gostar das pessoas vendo-as como elas são....e deixar que "perfeito" seja apenas o desejo.....
Geralmente não amamos uma pessoa mas a representação idílica dela e se encontramos alguém queremos, ou forçamos, que o Ser seja modificado para que se materialize uma idéia que é só nossa.....
Queremos encontrar a nós mesmos em outros corpos diversificados e não entendemos ou fugimos do encontro real. O outro vive sobre o fardo de nossa projeção.
Sem entender a intersubjetividade do encontro.....lamentamos chegar na esquina e não encontrarmos mais do que sombras.