quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Uma antiga mas nova visão de Pedagogia


Rudolf Steiner, filósofo e um master em Pedagogia. Embora nascido no sec. XIX, concluiu que todo o sistema de ensino tradicional estava errado porque apenas mutilava e condicionava o homem. Acreditava q o papel da escola era o de realçar a criatividade da pessoa, levando-se em conta as individualidades e o tempo próprio de cada um aprender. Infelizmente, ele não foi ou vido. No entanto, existem algumas escolas q utilizam seu método (Waldorf).

O que é a Pedagogia Waldorf?

A Pedagogia Waldorf foi introduzida por Rudolf Steiner em 1919, em Stuttgart, Alemanha, inicialmente em de uma escola para os filhos dos operários da fábrica de cigarros Waldorf-Astória (daí seu nome), a pedido deles. Distinguindo-se desde o início por ideais e métodos pedagógicos até hoje revolucionários, ela cresceu continuamente, com interrupção durante a 2a. guerra mundial, e proibição no leste europeu até o fim dos regimes comunistas. Hoje conta com mais de 1.000 escolas no mundo inteiro (aí excluídos os jardins de infância Waldorf isolados).

As escolas Waldorf sempre foram integradas da 1a à 8a (ou 9a) séries, e até a 12a quando possuem o ensino médio, de 4 anos. Não há repetições de ano, e nem atribuição de notas no sentido usual.

Uma das principais características da Pedagogia Waldorf é o seu embasamento na concepção de desenvolvimento do ser humano introduzida por Rudolf Steiner (veja uma biografia dele). Essa concepção leva em conta as diferentes características das crianças e adolescentes segundo sua idade aproximada. O ensino é dado de acordo com essas características: um mesmo assunto nunca é dado da mesma maneira em idades diferentes.

Ela é uma pedagogia holística em um dos mais amplos sentidos que se pode dar a essa palavra quando aplicada ao ser humano e à sua educação. De fato, ele é encarado do ponto de vista físico, anímico e espiritual, e o desabrochar progressivo desses três constituintes de sua organização é abordado diretamente na pedagogia. Assim, por exemplo, cultiva-se o querer (agir) através da atividade corpórea dos alunos em praticamente quase todas as aulas; o sentir é incentivado por meio de abordagem artística constante em todas as matérias, além de atividades artísticas e artesanais, específicas para cada idade; o pensar vai sendo cultivado paulatinamente desde a imaginação dos contos, lendas e mitos no início da escolaridade, até o pensar abstrato rigorosamente científico no ensino médio. O fato de não se exigir ou cultivar um pensar abstrato, intelectual, muito cedo é uma das características marcantes da pedagogia Waldorf em relação a outros métodos de ensino. Assim, não é recomendado que as crianças aprendam a ler antes de entrar na 1a série. Sobre a necessidade do brincar infantil no jardim-de-infancia, veja-se o artigo "Crisis in the Kindergarten: why Children Need to Play in School" editado pela Alliance for Childhood. Para as caracterizações sucintas do desenvolvimento infantil e juvenil em períodos de 7 anos, os setênios, base fundamental da pedagogia, vejam-se os artigos de Sonia Setzer sobre educação e drogas e o de Sonia Ruella. Como o computador força um pensamento lógico-simbólico, nenhuma escola Waldorf digna desse nome utiliza essa máquina, sob qualquer forma, antes do ensino médio (9a série na seriação Waldorf); ver artigos a respeito.

As escolas Waldorf são totalmente livres do ponto de vista pedagógico, pertencendo em geral a uma associação beneficente sem fins lucrativos. Idealmente, a administração escolar é feita pelos próprios professores (veja-se (texto de Rudolf Steiner a esse respeito). Cada escola é independente da outra: o único que as une é o ideal de concretizar e aperfeiçoar a pedagogia de R.Steiner, visando formar futuros adultos livres, com pensamento individual e criativo, com sensibilidade artística, social e para a natureza, bem como com energia para buscar livremente seus objetivos e cumprir os seus impulsos de realização em sua vida futura. O amor que os professores Waldorf devem desenvolver pelos seus alunos, e o conhecimento profundo que eles adquirem de cada aluno são outras características fundamentais da pedagogia. Por exemplo, idealmente durante os 8 anos do ensino fundamental cada classe tem um único professor que dá todas as matérias principais, isto é, fora artes, artesanato, educação física e línguas estrangeiras (em geral duas, nos 12 anos de escolaridade). No ensino médio há um professor que, durante os 4 anos, assume o papel de tutor da classe. O médico escolar tem nas escolas Waldorf um papel fundamental de apoio médico-pedagógico aos professores, e deve conhecer profundamente a pedagogia.

Nos Estados Unidos, as melhores universidades costumam aceitar com preferência os ex-alunos Waldorf, pois sabem que se trata de jovens diferenciados, com uma vasta cultura, com capacidade de concentração e aprendizado, e alta criatividade. Nesse país, que tanto se caracteriza pela praticidade de seu povo e pela liberdade de ensino, houve nos últimos 30 anos uma explosão de escolas Waldorf, que passam hoje em dia de uma centena.

No Brasil há 25 escolas Waldorf ou de inspiração Waldorf, sendo 4 em S.Paulo (3 com ensino médio). A mais antiga, existente desde 1956, é a Escola Waldorf Rudolf Steiner de São Paulo, que tem cerca de 850 alunos e 75 professores. Agregado a ela há o curso mais antigo de formação de professores Waldorf no Brasil, reconhecido oficialmente.

No Brasil, espera-se que os formados no colegial ainda façam um ano de cursinho para entrarem nos cursos superiores mais concorridos, se bem que tem havido muitos casos de aprovação no vestibular nas melhores universidades, sem cursinho. Em geral, os ex-alunos entram em faculdades de procura média sem necessidade de preparo adicional.


Texto extraído do site de Sociedade Antroposófica: http://www.sab.org.br/pedag-wal/pedag.htm

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O professor de ontem somos nós


A escola assim está boa???
Alguém já ouviu falar em Rudolf Steiner?? Ou do método Waldorf??

Uma breve estorinha:

Um dia ressuscitaram um biólogo, um engenheiro civil e um professor. Todos do século XIX.
O biólogo se assustou quando ouviu falar de biogenética, de clones e de que pessoas estéreis poderiam ter filhos. O engenheiro quase teve um AVC quando foi chamado para ver os Arranha-céus de Manhatan, sem dizer que não entendeu nada quando viu uma planta de casa que incluia aquecedor solar..Agora o professor, ressuscitado, levantou calmamente, colocou seu jaleco, foi para a sala de aula e somente estranhou a caneta bic que estava sob sua mesa.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A moral em Kant

A maioria das pessoas já teve chamado "peso de consciência". Talvez o filósofo alemão Emannuel Kant (1724/1804) possa responder o motivo:
"A razão prática" para Kant é similar à Ética.
Ele denota o conceito de "dever" nas regras morais que só podem consistir na própria forma da lei. "Age sempre de tal maneira que a máxima de tua ação possa ser erigida em regra universal" (primeira regra)..Aliás, ele coloca o Imperativo Categórico: "Cumpre teu dever incondicionalmente". Na segunda regra, o filósofo ressalta que o princípio do dever, não implica em nenhuma "alienação", o que é melhor exposto na terceira regra kantiana. Para se unirem numa justa reciprocidade de direitos e obrigações, os homens só têm que obedecer às exigências de sua própria razão: "Age como se fosses ao mesmo tempo legislador e súdito na república das vontades" (terceira regra) ..
Agora, preste atenção no termo "respeito" na obra do filósofo: Ele é anterior à própria lei..
Percebemos em Kant, que a moral está ligada à consciência e por sua vez, à razão..
O filósofo considera a natureza instintiva humana, por isso determina a necessidade de submissão ao dever, o que não é fácil para o homem, mas, é seu esforço para tanto é necessário para a harmonia social. Em outras palavras, estamos diante da "obrigação moral". Ser "moralmente obrigado" é ter o poder de responder "sim" ou "não" à regra moral, é ter a liberdade de escolher entre o bem e o mal e diante do poder da escolha, nossa responsabilidade aumenta..

Para ler mais, sugiro que vejam o site: http://www.mundodosfilosofos.com.br/kant2.htm

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Anjos do Sol

Gostaria de indicar aqui um filme chamado de "Anjos do sol" do diretor Rudi Lagemann. O filme retrata a velha estrutura da miséria em suas vertentes como a da prostituição infantil.
A miséria material aliada à cultural leva as pessoas a perderem ou a não terem valores mesmos os básicos como o "certo" e o "errado"..
No filme as crianças são vendidas, sofrem cárcere privado, são violadas por uma verdadeira corrente que inclui desde os pais pobres até deputados. Do mais pobre (materialmente falando) ao mais rico, ninguém questiona o "certo" e o "errado" da situação porque acreditam que estão sempre "certos"..
Insisto em dizer que o problema maior é a miséria de valores..
As pessoas estão dando conotação de "certo" à tudo que equivale ao seu próprio bem-estar..
Na verdade, "o certo" moral é aquele que se refere ao bem-estar de todos. Não perceber que alguém está sendo usurpado é uma atitude anti-humana.
Sugiro ainda que leiam a Crítica da Razão Prática de Emmanuel Kant (1781)..

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A busca pela história real


Há quem aceite a história exatamente como está nos livros, ou, como alguém, ou algo, narrou.
Há quem não acredite na história exatamente como ela se apresenta, especialmente se as fontes originais, que podem servir para novas consultas, não podem mais ser vistas...
Sabemos que a história é contada por alguém ou algum grupo. Já tivemos certezas de que certas "histórias" não foram relatadas na íntegra, ou, diziam o que Drummond chamava de "meia-verdade"..
Como teremos certeza se a América foi descoberta por Colombo? Se o Brasil foi descoberto em 1.500? Se houve o "Grito do Ipiranga"?
Como um cidadão comum tem acesso à registro e fontes históricas? Alguém já assistiu ao filme "O nome da rosa"?
Os livros podem dissimular? Sim, podem.
Complexo, mas se você pesquisar obras sobre a Guerra do Paraguai, por exemplo, principalmente se ela foi narrada em diferentes épocas, encontrará mais de uma versão histórica para o ocorrido em 1864.
Sem dizer que as vezes outros documentos elucidativos de fatos históricos só são descoberto décadas depois de que a investigação científica foi realizada e publicada.
Todavia, é importante saber, ao menos, quais as fontes de pesquisa ou quem escreveu os relatos históricos assim como a ideologia dos pesquisadores do período citado ou ter a comprovação de cientificidade dos pesquisadores..
Por exemplo, a Carta de Pedro Vaz Caminha ao rei de Portugal existe até hoje e é uma das provas científicas da chegada dos portugueses ao Brasil, no período descrito por eles..
Bem, o interessante é que sempre procuremos mais de uma fonte de pesquisa histórica e autores distintos entre si. É preciso ouvir várias vertentes pois nem sempre existe uniformidade nas informações.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

A história que escreve o que somos. ..

Gostaria de aqui deixar questões que não consigo responder na íntegra, ou, sem levantar dúvidas ainda maiores.
- Quem escreve a história? Quem é o sujeito que escreve?
- Como se dá a produção dos livros de história?
- Como temos certeza da fidelidade dos registros?
- A indústria cinematográfica, os jornais, as mídias são a história? Os livros são a história? Relatos, fotos, documentos são história?
- A história é a verdade? O que fazer com contradições substanciais?
- O que é ignorância? A história é conhecimento?
- Qual a história da história?

terça-feira, 16 de junho de 2009

A gente não quer só comida.

Para Karl Marx o trabalho é o ponto fundamental da humanidade. Já que o homem é um Ser social, então ele se desenvolve socialmente, formando as relações de produção. Doravante, o trabalho pode ser uma atividade “alienante” também, ou seja, uma atividade que não permite ao homem enxergar sua própria realidade. O trabalhador não se enxergar na mercadoria que ele mesmo produziu, ou seja, o trabalhador é separado do produto final de seu trabalho.

Durante a revolução industrial, as máquinas começaram a ocupar lugar de destaque no cerne da humanidade. Os novos instrumentos recém-inventados representavam o avanço e precisava de um “novo trabalhador”. Surge então aquele trabalhador não tanto servil nem escravo, mas assalariado.

E o que é salário?

De forma geral, salário é uma forma de pagamento não por uma mercadoria, mas por serviços prestados à alguém ou à uma corporação..Explicando de outra forma você vende sua força de trabalho, vende sua mão de obra, que inclui parte significante de seu tempo e de sua vida para alguém ou para uma instituição. E aqui reside o problema, desde a Revolução Industrial nunca se conseguiu chegar ao valor dito “justo” por essa compra. Veja, qual seria o valor de seu tempo? Qual seria o valor de sua juventude? Qual seria o valor do tempo deixado de dar aos pais, aos filhos ou à um amor? Qual seria o valor de sua saúde também empregada?
Ao que parece se tratando de salários, nunca haverá justiça.

No entanto, se realmente aprecia o que gosta, trabalha por prazer, por aptidão e não forçado pelas circunstâncias, terá outras apreciações que superam seus ganhos financeiros.

Doravante, para Marx as empresas nunca pagam o valor justo e sobre o que não pagam, conseguem lucro. O que é lucro?

Desse conceito chegaremos ao conceito de “mais-valia”, que é o lucro que vem do produto final, quando já houve as extrações das somas gastas com matéria prima e mão de obra. Existe um lucro ganho sobre o produto produzido e esse não fica com o trabalhador, pois ele já ganha um salário pela sua produção.

A questão principal é que no capitalismo, lucro é a essência. E esse lucro pode romper relações humanas assim como destruir o meio-ambiente. No entanto, desde que vários problemas sociais surgiram, desde que se descobriu que a miséria popular pode acarretar em miséria de uma nação ou de um continente e que todos respiram o mesmo ar, não importa de trabalhador ou empresário, algumas coisas começaram a mudar.

O trabalhador do sec. XXI agora é impelido a estudar e a se sindicalizar. Descobriu pouco a pouco, que trabalhar só para comprar pão é muito pouco e que também precisa de qualidade de vida.

No nosso século, o trabalhador que produz é o mesmo que consome e consome muito nos seus poucos horários de folga.

No entanto, com novas tecnologias surgindo irão ocorrer novas mudanças culturais também. O consumo excessivo tem sido uma equação à ser resolvida, uma vez que ele envolve o planeta. Talvez a idéia capitalista de lucro seja paulatinamente substituída pela idéia de existência.

sábado, 23 de maio de 2009

Maisa trabalha III

Durante o período dos gregos antigos, profissões intelectuais como a Filosofia eram enaltecidas. O ócio aristocrático era prestigiado, afinal para poder refletir e pensar era preciso de descanso e tempo. Lembrem-se mesmo a "Democracia" nunca envolveu escravos. Platão e Sócrates eram Aristocratas. Como hoje, falam de trabalho desejado, mas falam em trabalho com status como trabalhar na TV e ter fama. Quem nunca desejou ser atriz ou ator?
Depois, com a queda do Absolutismo, a diminuição espontânea dos nobres e o surgimento paulatino do Capitalismo Industrial, o trabalho físico se torna uma necessidade para muitos, embora continuou a não representar na prática uma virtude para todos. Parafraseando Brecht em seu poema "Perguntas de um operário letrado", alguém se lembra o nome dos pedreiros da Catedral de Notre Dame?
Alguns acreditaram que era melhor crianças, por exemplo, trabalharem do que morrerem de fome. Mas, muitas crianças de épocas passadas morreram de tédio e problemas físicos relacionados ao trabalho repetitivo. Posteriormente, outros acreditaram que trabalho livrava a criança de drogas e do crime e assim, houve quem literalmente explorou essa idéia.
O nascimento das indústrias apenas empregou com salários, mas não desenvolveu dignidade suficiente aos trabalhadores, que antes eram apenas servos. Alguns conseguiram evoluir financeiramente através dele. Outros continuaram em situação de miséria. Por quê?

- O que, por exemplo, Karl Marx (1818-1883) poderia nos dizer sobre a divisão funcional do trabalho?

Maisa trabalha II


Há cerca de duas décadas era comum os pais inserirem os filhos no mercado de trabalho. Até as décadas de 70 e 80, as filas compostas de pais e filhos para que o menor pudesse tirar a carteira de trabalho eram enormes nas grandes cidades, sendo que nas menores nem havia esse dispositivo, as crianças simplesmente trabalhavam.
Tal qual no período da Revolução Industrial na Europa, era o normal que uma família tivesse até 10 filhos e todos, com menos de 12 anos, trabalhassem, geralmente em serviços agrícolas como o corte de cana-de-açucar. A renda média das famílias aumentava conforme o número de filhos no mercado de trabalho.
Assim, abusos foram cometidos sem que pudesse haver uma fiscalização mais rigorosa.
Entretanto, a situação mudou com o advento da Constituição de 1988 e sua proibição ao trabalho do menor. Ao menor fica oferecido a Escola e não o trabalho remunerado. Mas, há pais que devido à uma situação econômica dramática, não concordam com o aparato constitucional. E sempre há aqueles que comparam trabalho à utilidade do Ser. Não vêem na escola um campo fértil para a Cidadania, visto que seus resultados não são imediatos pois não há salário mensal. Nossa miséria de valores obriga alguns a perceberem o filho não como responsabilidade, mas como fonte de renda.
A criança da década de 50, brincava de pipa escondida e quando vista brincando poderia sofrer castigos físicos de seus pais, pois estava em horário de trabalho. Geralmente ela dividia este trabalho com seus inúmeros irmãos e isso era comum para a época, independente de terem ocorrido duas Guerras Mundiais e muita gente ter perdido os seus filhos de forma ignóbil.
A pergunta que vigorava no passado era " - 0 que você vai ser quando crescer?", quer dizer, no que "você irá trabalhar? "O trabalho em primeiro lugar" sempre, mas, não se observava o desenvolvimento sadio físico e psíquico das crianças, já que avós e pais haviam passado pela mesma situação e sobreviveram.
Algumas trabalhavam de "guardinhas", outras nas lavouras e poucas se atreviam a pensar algo além daquele cenário...
Interessante, observar que mesmo com todos os filhos trabalhando, poucos daquela época tiveram a tão esperada vida confortável..No entanto, muitas crianças daquela época, hoje adultas, possuem problemas físicos como artrite, artrose, cardiopatias e hiper-tensão. O irônico é que se ganharam algum dinheiro no passado estão gastando agora com sua saúde.
Obviamente, não deve ter sido o caso de Maisa, ter ido trabalhar por imposição dos pais, mas foi preciso observar as condições de seu trabalho pela Promotoria da Infância e Juventude, já que o caso foi assistido em tempo real pela mídia.
Diz a Constituição Federal:

Constituição Federal

O artigo 7º, XXXIII da Constituição Federal estabelece a "proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito anos e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos".


Assim, cabe ao menor, estudar, ter lazer e ser verdadeiramente criança e não importa qual o salário que ele poderia vir a receber. Salários não costumam pagar pela saúde emocional e física. Só pagam pela força de trabalho vendida. "Tudo ao seu tempo".

Não obstante, cabe aos pais a responsabilidade do bom desenvolvimento do filho e por conseguinte, aos filhos cuidarem de seus pais quando estes estiverem impossibilitados.

Maisa trabalha I


Durante essa semana houve uma polêmica iniciada tanto pela opinião pública quanto pelos orgãos de direito da Criança e do Adolescente sobre a normalidade do trabalho da apresentadora mirim, Maisa (ver: http://www.youtube.com/watch?v=XiUymzmStMk) do Programa Silvio Santos. A Promotoria da Infância e Juventude concluiu que poderiam haver prejuízos psico-sociais à criança e o programa envolvendo a imagem da criança foi retirado do ar.
Na verdade, ela não pode também ter vínculo empregatício, já que tem seis anos de idade. O contrato de trabalho é então firmado com os pais mas assegurando ressalvas que dizem respeito aos limites da criança enquanto trabalhadora.
O que a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) diz sobre o trabalho do menor?
- Seguindo os passos da Constituição da República, a CLT proíbe o trabalho dos menores de 16 anos de idade, salvo na condição de aprendiz, a partir dos 14 anos. A CLT também aumentou a idade mínima de trabalho, dos 14 para os 16 anos de idade, por determinação da Lei 10.097 de 19/12/nº 2000.
- Até os 18 anos o menor depende de autorização de seu responsável legal para contratar trabalho. Aos 18 anos, ao menor é lícito contratar diretamente, adquirindo, portanto, plena capacidade trabalhista.
- A duração da jornada de trabalho do menor não sofre limitações: submete-se aos mesmos princípios gerais, sendo, portanto, no máximo de 8 horas diárias ou 44 horas semanais (art. 411, CLT c.c. 7º, XIII, CF/88). É vedada a prorrogação da jornada diária de trabalho ao menor para cumprir horas extraordinárias destinadas ás exigências rotineiras da empresa. Dispõe o artigo 414 da CLT quando "o menor de 18 anos for empregado em mais de um estabelecimento, as horas de trabalho em cada um serão totalizadas". É uma particularidade que caracteriza a limitação da jornada máxima de trabalho do menor. Ao contratar um segundo emprego o menor nele não poderá cumprir número de horas a não ser aquelas disponíveis para completar ao todo, incluídas as horas em que já estiver prestando serviços em outro emprego, 8 horas. Justifica-se a exigência pela necessidade de preservação da escolaridade do menor, para o que necessitará de algum tempo livre, bem como a sua constituição fisiológica, que não deve ser sobrecarregada com os inconvenientes de maior tempo de trabalho profissional.
- O empregador é obrigado a conceder ao menor o tempo necessário para a freqüência às aulas (CLT, art. 427). Além disso, os estabelecimentos situados em lugar onde a escola estiver a distância maior que dois quilômetros e que ocuparem, permanentemente, mais de 30 menores analfabetos, de 14 e 18 anos, serão obrigados a manter local apropriado em que lhes seja ministrada a instrução primária. É o que estabelece o parágrafo único do artigo 427 da CLT.
VOcê pode conferir essas informações no site: http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=2058
Assim, trabalho infanto-juvenil sofre severas restrições quando não é proibido perante a Constituição de 1988 no Brasil.
Porém, existem algumas esclarecimentos que se fazem necessários assim como algumas dúvidas. Por isso, essa postagem continuará...

domingo, 17 de maio de 2009

Palavras..

Muito do que dizemos não tem o significado que pensamos ter e o irônico é que as vezes alguns acreditam estar ofendendo outra pessoa.
As palavras ganham significados não na hora em que são inventadas, mas com o passar do tempo. Talvez as gírias existam como uma forma de reação à palavra formal, que por sua vez tem significado oficial e normativo.
"No início tudo era o verbo", as palavras por si só têm significados quando nossa mente atribui. E ela é capaz de mudar nossa percepção com relação ao objeto real. Por ex. se você disser para alguém que o que ela acabou de comer estava com datas vencidas, essa pessoa poderá passar mal mesmo que seja falsa sua afirmativa. Nossas interpretações sobre qualquer objeto, precisam de palavras.
Já o que chamamos de "palavrões" nada mais é do que o sentido moral que construímos sobre a palavra que por si não tem significados além dos seus radicais.
Uma boa dica de estudos é a Psicolinguística. Ela é o estudo da relação entre a linguagem e a mente.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Cultura: Gíria


A gíria, linguagem informal que não se orienta pelo Português oficial, é uma criação popular, uma forma de expressão que se introduz no "paralelo". Ela vem e fica. Na década de 70, o cantor Roberto Carlos tornava cotidianas as expressões como "Cara" e "Coroa" como também "bicho". Até hoje se usa esse vocabulário, principalmente entre os jovens. Algumas são consideradas "palavrões", ou, palavras ofensivas.
No entanto, as perguntas que não querem se calar são:

1. O que quer dizer, ou, você sabe o significado de?

- "E ae"
- "Tô fora meu!"
- "Filho da mãe!"
- " Cara, você é massa!"
- "Caracas"
- "Conhece minha goma,meu cafofo?"
- "Esse mané não é mole"
- "Não sei, falô!"
- "Olha os home!"
- "Faz tudo nas coxas"
- "Vai de retro!"
- "Não tô nem ai"
- "E ai véio?"
- "Tá ligado?"

2. Por que palavras podem ser ofensivas? Todas palavras ofensivas são consideradas gírias?

3. O vocábulo "acho" é considerado gíria? Ex. "- Eu acho que irei"

4. Você já ouviu falar de psicolinguística?

sexta-feira, 24 de abril de 2009

É de ouro?

Observando a sociedade, quem tem acesso ao conhecimento? Digo conhecimento e não apenas informação, já que o conhecer personifica o que fazer diante da mesma.
Os caminhos do "conhecer" englobam:
1. Estímulos e ambiente propício desde o berço
2. Domínio em mais de um idioma: No mínimo inglês, porém, o correto seria noções avançadas em alemão, russo e latim..
3. Livros, revistas especializadas, variando faixa etária.
4. Viagens: Não é possível ter limitações geográficas
5. TVs à cabo, internet.
Enfim, conhecimento não é apenas letramento, ou se saber ler e escrever ou mesmo estar em bons colégios. Isso é só o início.
Se analisar o conhecimento não é para todos e não é nada democrático. Quem eram os filósofos da antiguidade? Nobres e Aristocratas. Quem são os conhecedores hoje? Pessoas cujo poder aquisitivo é o suficiente para que a preocupação central da casa seja a Cultura e nela coloquem partes substanciais de seus recursos sem sentir a mínima falta. Pessoas que não precisam trabalhar oito horas por dia, ao contrário, podem ficar dias sem trabalhar para viajar ou contemplar um curso de boa qualidade. Pessoas que podem aprender latim e ler cópias de parirus da antiguidade no Vaticano.
Sim, o conhecimento é de ouro, não é para todos e é a verdadeira libertação. Quanto mais se conhece mais se torna liberto. "A verdade o libertará". Sua importância real não é divulgada nem estimulada e alguns caminhos para se chegar até ele parece que foram feitos em dunas..Quando falta conhecimento sobre futilidade.
Conhecimento é algo caro, de luxo, que emana recursos próprios, sendo portanto muito mais do que pensam alguns, uma questão de boa vontade.

terça-feira, 21 de abril de 2009

"Comunistas" e "consumistas"

Acreditando ser importante observar o que penso sobre os termos "Comunistas" e "Consumistas", faço então a continuação da postagem anterior.

- Quando eu evidenciei o termo "comunistas" no texto anterior, era para ilustrar uma situação que ocorreu no Brasil durante os períodos de Vargas e da Ditadura militar até 1984, onde havia a idéia de que a ideologia comunista representava um perigo maior à nação. Nesse momento de Guerra Fria, onde havia as posições opostas de esquerda e direita, o partidários dessa idéia de Karl Marx aqui eram considerados pela imprensa nacionalista oficial como "terroristas" ou ameaça à liberdade. Não sei exatamente a identidade dos comunistas brasileiros até porque não vivi nesse período, porém sei que eram pessoas letradas, pessoas com acesso à informações, pessoas cuja formação engloba bons colégios, portanto, eram pertencentes à classe média. Também sei que quando existe guerra, mesmo ideológica, excessos são cometidos pelos dois lados, mesmo que um lado perca e mostre a face das monstruosidades que sofreu..Nesse parâmetro, a violência do lado oposto é citada por ambas as partes e por sua vez, o outro lado se defende dizendo que existia uma causa necessária.
Hoje o mundo evoluiu e voltamos ao pluripartidarismo, embora a idéia de política parece perder poder junto às camadas populares..É nesse momento que entra o "consumismo".
- O Consumismo não tem mais o sentido atribuído em décadas passadas de ser apenas um servo maior do capitalismo selvagem. O consumismo agora significa também estar no cerne da tecnologia, de uma provável evolução. Porém, com certeza, o consumidor em demasia, ainda preserva os resquícios de não precisar contemplar outras áreas de seu Ser como o "Ethos", ou, a felicidade coletiva..Nesse ponto, a violência é justificada para alguns, como a necessidade de se Ter algo..E isso alcança todas as camadas sociais e para alguns o conhecimento tal qual o conhecemos seria supérfluo.
Assim, a distinção dos termos.
Acredito que a raiz da violência seja o homem que não conseguiu ainda evoluir espiritualmente, que ainda se mantém materialista. No entanto, em cada momento da história existem formas de justificações.

sábado, 18 de abril de 2009

Os PCs e a Educação..


Aproveitando-me de uma interessante conversa com um amigo sociólogo, deixo o pensamento aqui.

Nesse momento, as escolas de SP estão sendo equipadas com novas tecnologias até para que se desperte novas habilidades. Computadores, peças cujos recursos se propõem a ajudar no progresso do homus habilis, se instalam nas repartições públicas. No entanto, um problema básico, as salas de informáticas passam a ser trancadas como cofre e mesmo assim, alguns computadores são roubados ignobilmente, já que seu fim também era o de melhorar a situação social daqueles que nem acesso a escola tinham..Informá-los, fazê-los conhecer, o que era antes apenas privilégio de uma minoria. Todos sabem, desde a antiguidade, conhecimento sempre foi artigo de luxo.

Mas, por que tal fenômeno ocorre??

Bem, provavelmente a tentativa da União em conjunto com os Estados, seja a idéia de fortalecer e apoiar a Educação para que ela transforme a realidade nacional. Entretanto, ela é um galho de uma árvore e não o tronco que mantém a vida da seiva. Dizem que ela é o galho mais importante. Talvez seja.

Antes o que denominavam violência, vinha de uma classe média intelectualizada, chamada de “comunista”. Esses cidadãos foram conhecidos como o “perigo vermelho”. Não obstante, uma camada popular, bem mais pobre, ignorada desde o império, cresceu e se organizou melhor do que qualquer base política oficial..Hoje não existe mais o “perigo vermelho” e a própria classe média anda sendo questionada sobre sua existência mas existe uma prole que já se acostumou a estar de fora das escolas e, pior, a saber que não precisa estar dentro dela para sobreviver e ter tanto lucro como outros..O problema do Brasil é a soma de problemas que vêm desde o império português e que sempre foi remendado com paliativos..

Por outro lado, como filha direta do capitalismo industrial, a propaganda se desenvolve e condiciona muitos ao consumismo. São tantas coisas: celulares, tênis, PCs..Veja vamos trocar os termos históricos: "comunismo" e "consumismo", parece ironia, né? É importante andar de carro novo e que se dane quem esta dentro dele ou como conseguiu o carro novo?

O consumo faz seu ninho em nosso Ser num período onde proletários se agruparam..A Ética não vem da escola, deve ser desenvolvida por ela, mas vem da casa, da religião, da comunidade local..que por sua vez está perdida em seus caminhos..

Estamos vivendo um estado de miséria, superior aos períodos pós guerras. Nele não faltam recursos mas faltam direções e pior, motivos concretos para se continuar vivendo. A futilidade reina e é só perceber o número de pessoas que viajam pelos modismos, perdendo sua essência..

Todavia, penso que o aparato tecnológico que as escolas vem recebendo assim como o reforço da idéia de Cidadania tal qual rege a LDB dará frutos, só que não será imediato. Assim, como essa onda de violência urbana levou séculos para se desenvolver e se criar, os efeitos de uma nova consciência cuja educação é uma das protagonistas, também darão resultados. Já viu ação sem reação? Efeitos virão e provavelmente nos ajudarão numa sociedade melhor. Provavelmente nossos netos irão viver essa cidadania plantada hoje, o que é bom também. As consciências levam tempo para serem trabalhadas e desenvolvidas, elas precisam de comprovações de que o caminho oferecido é realmente o mais eficiente..
Eu acredito que tudo isso dará bons efeitos, porém não a curto prazo..

No momento, estamos enfrentando erros antigos, a síntese de problemas sociais como a indiferença. Agora estamos criando uma nova tese que provavelmente irá passar pela antítese e sobreviver..

Na Noruega, Centros de Conveniências ficam abertos, sem ninguém olhando, com caixas automáticos, sem que ninguém roube nada. Eles preferem pagar e mostrar que são uma sociedade responsável e fraterna. Isso que precisamos importar, a idéia de que podemos nos respeitar.



Peço para que tb vejam o BLOG:

http://portaldasociologia.blogspot.com/

domingo, 12 de abril de 2009

"Ser é ser percebido" - Racionalismo ou Empirismo??

Bem, segundo o Empirismo que é um movimento que acredita que as experiências são as principais formadoras de idéias, só é possível crer naquilo que experimentamos por alguma necessidade com os sentidos..
No sec XVII, Locke demonstrou que a mente seria, originalmente, uma tábula rasa. Nela é gravado o conhecimento verdadeiro e isso só ocorre devido à sensação.
Para Hobbes, também filósofo empírico da Idade Moderna , só era possível atingir a verdade através de raciocínios corretos, fundamentados pelas sensações.
O Empirismo tornou-se uma das bases da Ciência moderna, principalmente no tocante à experimentação. Afinal, para que uma teoria científica seja considerada válida, é preciso que ela seja experimentada, testada. Assim acontece por ex. com remédios, cosméticos, automóveis e objetos de uso geral..
Têm experimentos que duram anos. Até a Psicologia faz experimentos. Já ouviram falar de "Reflexos Condicionados" que iniciaram com Pavlov no início do sec. XX?
Mas o Empirismo se opõe radicalmente ao Racionalismo, já que este último se baseia no princípio das idéias inatas, ou seja, a doutrina da Razão acreditava que já nascemos com conhecimentos e capacidades naturais de conhecimento. Nosso raciocínio tem todas as habilidades para chegar sozinho a verdade. Já os sentidos, esses são nossas fontes de erro.

Agora vamos analisar..
Se as duas correntes (Empirismo e Racionalismo) se opõe, qual seria mais coerente??
Essa resposta virá da Alemanha, de um filósofo chamado Emmanuel Kant...

terça-feira, 24 de março de 2009

Empirismo

- Já parou para pensar?

- Ao nascermos temos ou não conhecimento? Qual o conhecimento que leva o bebê a chorar por quer proteção?
- Instinto é conhecimento? Decorar o caminho de casa faz parte de nosso intelecto? e como decoramos?
- Como formamos idéias?
- O conhecimento sobre as coisas vem apenas da experiência?
- Qual a importância da experiência para a vida prática?

domingo, 15 de março de 2009

Penso, logo existo

Todos nós sentimos que as dúvidas do texto anterior têm pronta resposta, mas como dize-las?
Segundo Renè Descartes (1596/1650), primeiro precisamos ter o ingrediente principal: A dúvida.
Quando começamos a duvidar de tudo, tudo mesmo, até de nossa existência, iniciamos a jornada rumo ao conhecimento..
Descartes trouxe importantes regras para que a ciência cumprisse realmente seu papel: Necessidade de Método, dúvida e caráter de verificação para saber se algo é falso ou verdadeiro.
Escreveu o "Discurso do Método" onde mostra que ele consiste na realização de quatro tarefas básicas: verificar se existem evidências reais e indubitáveis acerca do fenômeno ou coisa estudada; analisar, ou seja, dividir ao máximo as coisas, em suas unidades de composição, fundamentais, e estudar essas coisas mais simples que aparecem; sintetizar, ou seja, agrupar novamente as unidades estudadas em um todo verdadeiro; e enumerar todas as conclusões e princípios utilizados, a fim de manter a ordem do pensamento.
Por sua forma de pensar que privilegia a Razão, ele ficou conhecido como Racionalista.
Para o filósofo, nossos sentidos nos enganam por serem são falhos.
E nós, provamos que existimos porque estamos pensando sobre nossa própria existência, mesmo na dúvida: "Penso, logo existo".

domingo, 8 de março de 2009

Cartesianismo?

- Como provamos que estamos nesse momento aqui, na frente desse computador?

- Quais as provas de que não somos um programa inteligente, um chip com memória?

- Como provamos que isso tudo aqui, agora, não é um sonho?

- Como provamos que a matéria que tocamos, realmente existe e não é um universo holográfico?

- Como provamos que existimos?

domingo, 1 de março de 2009

O Surrealismo e Nietzsche


A tela mostrada na edição anterior é do mestre do Surrealismo, Salvador Dali.
O Surrealismo foi um movimento artístico e literário que surgiu na França no início da década de 20.
O início do sec. XX foi marcado pela indústria, pelos relógios que delimitavam o tempo urbano e pelo movimento que foi a cada dia se tornando mais rápido..É interessante porque é uma nova revolução. Não é armada, é cultural. As pessoas, antes cegamente regradas, agora começavam a questionar o valor de normas puritanistas...
O Surrealismo é assim, descendente de outro movimento, o "Dadaísmo", se opôs aos valores convencionais de pátria, família e religião. A razão cartesiana é eleita como um monstro engolidor de criatividades natas...
As obras não têm muito significado racional mas têm essência onírica, ou seja, de sonhos, de algo que possibilite a saída da rotina, do real idealizado pelas instituições...
No Brasil, o movimento influencia diretamente o Movimento Modernista, principalmente na obra de Oswald de Andrade. A idéia era contestar, polemizar e ridicularizar as velhas concepções que não faziam ninguém feliz.
Na Europa, o ícone mais conhecido é Salvador Dali (1904-1989) e foi ele quem pintou o Cristo Cruscificado. A imagem que usou para pinta-la foi a da cabeça de um boi que estava pendurada em sua parede e daí criou a perspectiva de um Cristo no alto, como se olhasse para todos em baixo. Pode ser que ele quis dar uma interpretação cósmica à transcendência de Jesus, mas também pode ser que ele só quis mostrar seu livre pensamento...(as vezes alguns intelectuais buscam explicações demais para o que é óbvio)...
Todavia o movimento vai de encontro com idéias de Nietzsche, quando exaltam o sonho e a natureza do homem..
Aliás, em "Assim falou Zaratustra", o filósofo diz "Bem-aventurados os que dormem pois podem sonhar".
O mundo para Nietzsche (1844-1900), não é ordem e racionalidade, mas, desordem e irracionalidade. Arduamente critica o Cristianismo de sua época assim como a moral puritana por não considerar o Corpo, apenas uma aparente racionalidade.
Ele vai mais além do que a crítica, ele diz: "deus está morto". Não obstante, não considero que ele falava da expressão espiritual, até porque adotou o Nirvana budista em sua obra, mas acredito que sua expressão se refere ao deus revelado e obrigatório do protestantismo e catolicismo europeu..Aquele deus que ceifava vidas ou as tornava estéreis..
A obra surrealista mostrava uma forma de pensar nova, aberta ao mundo, à precariedade do corpo e da alma..
Ficamos diante de nós mesmos e de nossas representações..e não apenas diante daquilo que tinham nos ensinado..

Caso haja interesse fiz um vídeo sobre o filósofo Nietzsche:
http://www.youtube.com/watch?v=HTb-FYsdwNs

Próxima atualização: 08/03

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Explique...



- Você sabe de quem é essa obra?
- Já pesquisou sobre o Surrealismo?
- A tela expressa o quê?
- Tem idéia de como foi produzida a perspectiva dessa tela?

Uma dica: O título da tela é "Cristo de São João da Cruz", foi produzida em 1951 e seu autor não era Cristão.





Próxima atualização do blog será em 01/03



quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Paidéia

A opinião que venho formando sobre a escola, se dia for colocada em prática acho que diminui o emprego de vários professores, inclusive o meu. Porém, é o “todo” que importa e não o imediato paliativo de estarmos empregados nessa estrutura, ao meu ver, anacrônica. Porém, é importante ressaltar que em políticas educacionais de vários Estados, o problema já foi detectado e existem esforços de mudanças.
Nosso sistema educacional é o legado do sistema cartesiano de ensino. Lógica sistemática e “decoreba”, praticamente do jeito q era na década de 60 é o que ensinamos..E eu falo do que percebo de escolas públicas e privadas.
É um stress só porque brigamos o tempo todo com alunos crianças e adolescentes que não querem prestar atenção nas aulas, ao contrário, querem ficar nos corredores da escola, quando não a depedram.
Para muitos, o aluno ainda é “a-luno” (do grego, sem luz) ..embora o conceito que mantemos é dito como pedagogicamente “novo” e “criativo”..Porém, na prática tudo permanece com os mesmos resultados, salvo algumas variações...
Não aceitamos que o aluno saiba, em alguns casos, mais do que os professores. Parece que ele ainda é uma “tabula rasa”..
Existe a obrigatoriedade do ensino, o que era para ser consciência cultural de uma nação, por ex. ninguém nos obriga a escovar os dentes, porém fazemos todos os dias, porque é saudável e higiênico. Sabemos que nossos dentes podem ter bactérias e até cair se não forem limpos corretamente..
Quando o aluno é obrigado a vir para a escola e permanecer nela por mais de quatro horas. No entanto, estudos indicam que o cérebro humano tem capacidade de assimilação limitada num mesmo dia...e mais, ele só gravará o que der prazer ao corpo e à sua rotina (leiam Alexander Lowen). Depois, em sala, ele lerá sobre Isótopos e Isóbaros e se questionará como irá usar isso em seu dia-a-dia (e isso já é uma discussão antiga)..Com os movimentos tolhidos, ele conta ansioso no relógio, quanto falta para a hora do intervalo e sairá da escola pensando na garota de seus sonhos..
Não digo que Isótopos não sejam importantes e relevantes..mas, penso que tudo tem sua hora...
Não adianta tentar domesticar movimento e hormônios agitados, iremos falhar..ou criar adultos inseguros e frustrados. Mais fácil dialogar verdadeiramente com eles.
O meu modelo particular de escola seria assim:
1. Primeiro ninguém deve ser obrigado a frequência, estamos num Estado democrático. Podem existir outras formas de letramento, por que não os próprios pais quando se disserem competentes para isso? Ao invés da obrigatoriedade, a escola deve ser mais atrativa, deve oferecer o que o cotidiano comum não oferece...Ai sim, residirá a criatividade do discurso pedagógico.
2. A permanência de frente à lousa deve diminuir. Não creio que algum adulto consiga ficar sentado naquelas cadeiras duríssimas por mais de duas horas...Creio que se o período fosse, por ex. das 8:00 h às 10:30, daria mais prazer e seria mais aproveitado. Depois poderiam ocorrer aulas práticas como Laboratório de Biologia (primeiro dever-se-ia entender o que é a vida), Hortas (precisamos aprender a nos alimentar) são exemplos...Moléculas devem ser vistas em laboratório, lembrem-se eles só entendem a linguagem dos sentidos, o aguço intelectual só vem depois dessa fase. Só somos brilhantes intelectualmente na chamada Idade da Razão, ou seja, na maturidade.
3. Deveria ter nas escolas aulas de Música Clássica: Quer mais matemática que notas musicais? A música estimula o raciocínio..Deve ter piano, violino, até harpa.
4. Arte e Educação física devem ser exaltadas...
5. Por que não aprender ofícios como carpintaria? Ou web design?



Assim, a escola deveria ter em seu cerne, oficinas pluralistas que possam ajudar na formação conjunta do educando...O período pode ser integral ou parcial mas tem que dar prazer ao aluno. Assim, estaríamos próximos do que Sócrates chama de Paidéia. O aluno, sujeito do conhecimento, precisa ser inteiro.
Precisam orientá-lo não para que no futuro saiba se lembrar de uma equação de Báskara que nunca usou mas para que simplesmente seja feliz quando se tornar adulto. Pessoas felizes não fazem mal aos outros. Ao contrário, pessoas felizes e realizadas, fazem a história são mais tolerantes e compreensivas. Tornam a história melhor.
Infelizmente, a escola trabalha com uma ética que sempre permanece em ideais. Para melhorar a ética, já tão esfacelada nesse país, é preciso antes de qualquer coisa, trabalhar para tornar as pessoas felizes. Ela trabalha no "paralelo".. Um dia já chegou a ditar regras, hoje se transformou em catedrática dela mesma. Na verdade, mantinha-se o que já havia: Pessoas espontaneamente criativas permaneciam assim. Pessoas, que por uma razão ou outra, tinham poucos interesses intelectuais, permaneceram limitadas com algumas variações. E para perceber isso é só olhar em volta..
Um dia disseram que era preciso disciplinar e corrigir e será que as pessoas ficaram melhores? As pessoas não precisam saber tudo de uma vez e no tempo que os adultos organizaram. Doses homeopáticas são necessárias e podem fazer toda a diferença.


Obs: Próxima atualização do blog será em 29/02

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Empirismo..

E a última premissa de Millor é “Todo homem nasce original e morre plágio? Verdade, meia verdade ou falso?

Vamos lá:
Ao nascer, somos uma espécie de Tabula Rasa, como diria O filósofo inglês John Locke (1632-1704). Locke foi um dos percussores do “Empirismo” ou doutrina que acreditava que o processo do conhecer, do saber e do agir é aprendido pela experiência, doravante, pela tentativa e erro..
Assim, a apreensão do mundo se faz pela nossa experiência para com ele. Ao nascer nada sabemos desse mundo, porém, já possuímos sentidos aguçados e esses são os verdadeiros atores de nosso aprendizado..Olhar a história já é um ato de empirismo.
Com o tempo, aprendemos que fogo queima, alguns, mesmo avisados, precisando colocar o dedinho numa vela. De tanto a mamãe colocar a criança no vaso sanitário, ela acaba fazendo suas necessidades lá. De tanto alguém segurar as mãos da criança ela e andar junto com ela, a criança acaba andando sozinha..
De tanto fazer o mesmo trajeto à escola junto com os pais, aprendemos a ir para qualquer lugar sozinho, aprendemos mais, aprendemos a noção de espaço e tempo...
Nossa originalidade na verdade é o não-saber de regras e culturas. Escolas, famílias e Igrejas nos apontam direções e algumas delas serão as que escolheremos. Precisamos adaptar nossa “animalidade” para conviver com os outros, até porque os outros são nossos grupos, peça chave na sobrevivência. O jovem que usa tatoo e percing ao invés de gravatas, está auto-afirmando no mundo tirano dos adultos, mas está experimentado costumes que já existiram ou existem em várias tribos que vieram antes da cultura ocidental.
Na adolescência, somente com muitos erros, é que aprendemos de fato que beber de mais nos causa desconforto e que chorar por um amor platônico é perder vida. E nosso melhor momento no aprendizado geral é na maturidade, depois dos trinta anos...Isso porque nessa altura, já conhecemos muito do mundo.
Diante desse percurso, no final nos percebemos um amontoado de coisas que nos foram impostas. Somos geralmente um retrato de projetos que não eram exatamente nossos, mas, de um sistema em vigor..
Nosso pensamento é uma cópia, assim como nosso caminhar, nosso estilo, e que pensamento não é uma cópia de outro? Sempre alguém influenciou alguém..Não acredito que exista algo tão original que nunca foi pensado ou mesmo feito em outras épocas...
Por outro lado, o que seríamos se não fossemos clones históricos? Nem no estado animal puro seríamos originais..pois agiríamos conforme necessidades mais primitivas que causam a mesma reação no cerne da espécie.
Não somos réplicas ou cópias defeituosas de nós mesmos, mas plágios com alterações e autos-relevos.
Assim nós somos o que os demais de nossa cultura são. Mesmo os que andam na contramão de uma forma ou outra, confirmam o sistema de sua cultura.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Agora irei responder à primeira premissa de MillÖr:

"Democracia é quando eu mando, ditadura é quando você manda"

No cerne político do capitalismo é comum falar em “democracia” e “cidadania”, conceitos irmãos, que cavalgam em nossa história principalmente na oratória.
Mas, o que é democracia?
A palavra "Democracia" tem sua origem na Grécia Antiga (demo significa povo e kracia significa governo). Essa forma de governar foi desenvolvida na cidade de Athenas. Doravante, para os gregos antigos, política era algo muito sério. Entendiam a política como uma ciência superior capaz de reger a vida de todos os cidadãos.
A democracia grega trazia o discurso da “igualdade”. Igualdade perante a lei (isonomia), e igualdade de poder se pronunciar na assembléia (isagoria), ou seja, direito à pronunciar-se.
No entanto, nesse mesmo período, nem todos poderiam votar ou pronunciar-se até porque a Grécia antiga não considerava todos cidadãos como era o caso dos escravos. Mulheres também não tinham direito algum...
E por fim, Sócrates e Platão diziam que ela traria também a demagogia (muito utilizada no Brasil moderno).Demagogia é um termo de origem grega que significa “a arte de conduzir o povo”. Em sua variante a demagogia é uma forma de discursar, teorizar, obter compensações de alguém e nada colocar em prática...
A Revolução Francesa em 1789 tentou implantar um modelo de Igualdade, mas não foi bem assim que tudo aconteceu...
Durante a revolução industrial (principalmente no Sec. XIX) ficou muito comum o termo “democracia”. Houve inclusive uma pressão sob o Brasil escravocata para a abolição. Ela era associada, não apenas a igualdade, mas à liberdade. Porém, isso tudo porque é preciso ser livre para trabalhar e consumir dentro de um sistema...Escravos só dão prejuízos..
Mas, igualdade e liberdade, são conceitos românticos...
Países como EUA, só deram liberdade para negros quase no final do sec. XX...
Ingleses prenderam Mandela na África do Sul e pregavam abertamente a segregação racial...
Sem dizer na miséria que muitos são confinados e nos grandes latifúndios que ainda existem no Brasil...
Drummond dizia em seu poema Favelário Nacional “Somos diferentes e queremos ser sempre diferentes”...Assim, será que Democracia já existiu em algum país de nosso globo?
É fácil ter estátua da liberdade, difícil é tirar mendigos debaixo dela.
Porém, quem são os tiranos?
Veja cristãos eram punidos nas jaulas de leões durante o Império Romano. Depois os papas cristãos condenavam à tortura judeus e pessoas de outras religiões. Depois Stalin matou e aprisionou qualquer um que tivesse ligações religiosas na URSS...Israel, de vítima do Holocausto, é carrasco do povo palestino...
Bem, parece que o poder não apenas corrompe mas muda posições e posturas éticas. Cada um que pode experimentar dele, gosta tanto a ponto de querer cada vez mais pessoas trabalhando para seu sistema..E basta que uma parcela desse poder seja ameaçada já é o suficiente para que seja gerado um plano de defesa, que inclui, é claro, uma dominação de massas que pode incluir desde o uso de forças até meios como articulações de reflexo condicionado que se dão pela mídia...Qualquer informação pode ser manipulada..depende do marketing que ganha....Hitler conseguiu multidões com o Rádio e o jornal...
Assim, fica claro que quem está no poder não quer contrariações e quem está sob esse poder e está sendo explorado, está apenas do outro lado, mas isso não é condição para que se chegar ao mesmo poder que questiona, tenha exatamente ações diferentes...
Fernando Pessoa dizia algo interessante: “Será que tens fome de comida ou da sobremesa alheia?”

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Assistam Dog Ville

Bem, vamos tentar responder às premissas de Millör. Vou começar pela segunda frase:

- "O capitalismo é a exploração do homem pelo homem. O socialismo é o contrário"

É possível imaginar um sistema político e econômico que não tenha relações com o Capitalismo? Lembrando que o termo "Capitalismo" não tem apenas um referente. Na verdade, podemos distinguir as palavras: Capitalismo, Capitalismo Comercial, Capitalismo Industrial e Capitalismo Financeiro.
O capitalismo começa na Europa nos séculos XI ao XV aproximadamente. Nesse momento, a Europa vivia a situação feudal, porém, também era a época dos Cruzadas, estes representaram a viabilização do comércio entre vários países.
Os governos eram absolutistas e a tarefa maior era garantir o mercantilismo, através de colônias que pudessem representar lucro em ouro e prata. Dai surge, um agente novo nessa relação: O Burguês, que não era nobre, mas conseguia dar fluxo à moeda, fazia-a ir e vir.
Capitalismo, portanto, é o acúmulo de "capital", de moeda e se mantém principalmente pela propriedade privada.
Capitalismo Comercial: Existiu ainda na economia mercantilista, representa os séculos XV à XVIII. Foi marcado pelo período das Grandes Navegações como a de Cabral. É um momento de colonização de África e América para designar o período. Existe circulação de dinheiro através da comercialização além-mar. Mas ainda não há produção, maquinários, definições de trabalho, salvo a mão de obra escrava.
Capitalismo Industrial: Podemos dizer que ele vai dos séculos XVIII até o início do século XX. Nesse período encontramos a primeira máquina à vapor, criada por James Watt que penso particularmente representar o início da tecnologia moderna. Ainda existem impérios mas muitos estão em crise. Houve a Revolução Francesa, marco do papel da burguesia na economia das nações. As primeiras indústrias vão surgindo e se aprimorando cada vez mais, trabalhadores, antes apenas rurais, agora começam a aprender usar máquinas. As escolas aumentam também (antes eram apenas para as elites). O campo começa a ser trocado pelas cidades que prometem trabalho. E o trabalhador inicia um novo projeto, agora tem um salário. Mas qual o salário? Quanto vale sua força de trabalho? QUais as condições de trabalho? O filósofo Karl Marx é desse período e faz uma ilustre crítica em sua obra: "O capital". Interessante é que a primeira vez que se institui sindicatos e as categorias trabalhistas se unem com o mesmo objetivo.
O dinheiro agora não está nas mãos de um Senhor Feudal ou de um nobre protegido por uma coroa real, mas nas mãos de burgueses, de quem podia não apenas comercializar, mas também fabricar bens de consumo.
Capitalismo Financeiro: Já vem no período posterior que é marcado pelo capital concentrado nas mãos de grandes coorporações e das famosas "sociedade anônimas", ou seja, S.A. Assim, os bancos, por ex, passam a ter grande poder sobre a economia..Nesse contexto, o capital é finalmente internacionalizado. Um outro exemplo significante do período são as Multi-nacionais, presentes em vários países, mas, com sedes únicas no país de origem.
Muitos foram os críticos do sistema capitalista, que já vimos evolue ao longo da história, mas sempre deixa sequelas sociais. Afinal, há sempre a presença de riqueza e miséria, antagonicamente paralelas.
Nos dias atuais presenciamos a Globalização em tese deveria ser a união de recursos e isso incluiria uma melhora nas regiões demográficas mais carentes.
Porém, ainda assistimos à antagonismos e a explorações...
No entanto, e o sistema socialista? "Socialismo" também não é um termo elementar.
Podemos dizer a priori que seria uma teoria que se volta contra a exploração e às desigualdades, ou mesmo, que seria uma teoria voltada não para o lucro, mas para o bem-estar da população. Temos, por ex, as seguintes teorias: Socialismo Utópico (sec. XIX-XX) e o Socialismo Crítico (Sec. XIX e XX).
O socialismo prevê, entre outros, o controle da sociedade privada, mas isso não quer dizer necessariamente "Comunismo". O socialismo necessita que Estado exerça o controle econômico. Já o Comunismo, ou, Socialismo Crítico, idealizado por Karl Marx, no final do sec. XIX, prevê que a própria classe trabalhadora detenha esse poder.
Um dos paises que tentaram incorporar as idéias de Marx foi a Rússia, que de império se torna uma República Socialista em 1917. Lá o Estado tinha total controle. No entanto, na prática ainda houve explorações e principalmente controle de liberdades individuais. Doravante, saúde, transporte e emprego eram responsabilidade total do Estado.
Em si a ideologia socialista é positiva quando prevê o final das desigualdades..Porém, dificil demais essa prática, principalmente se o Estado tiver controle soberano.
Os trabalhadores explorados pelos Csares, tornaram-se explorados por Lênin.
Em Cuba, os trabalhadores tiveram muitos direitos físicos, muito mais que na época de Fugêncio Batista, mas, perderam o direito de expressão e a miséria também existe lá, o país não conseguiu a produção interna necessária.
Parece-me que miséria, exploração e corrupção, independe de correntes econômicas. Nesse momento é bom citar Hobbes quando diz que o "homem é o lobo do homem"..
Assim, penso que o problema não é especificamente o sistema sócio-econômico que uma nação apresenta, mas fundamentalmente o próprio sujeito do processo, o homem, que em sua essência primitiva, ainda tem psiquê primata, mantém uma sociedade onde os fortes ainda dominam os fracos..os explorando.
Mesmo com toda a evolução estamos marcados pelas diferenças gritantes e talvez seja porque já nascemos diferentes. E quando digo "mais forte", não estou dizendo, em síntese, o mais rico. Um traficante em uma comunidade pode ser o mais forte, uma babá pode ser mais forte que a mãe da criança quando ela tem mais tempo, etc...Parece que o mais forte é alguém que detém uma ferramenta que nem todos têm, essa pode inclusive ser o conhecimento e nem precisa ser sofisticado, basta ser um pouco a mais...
Pessoas sem recursos também podem explorar outras pessoas. Sobre isso, seria interessante assistir ao filme "Dog Ville" de Lars Von Trier, de 2004.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Pense e responda...

Millor Fernandes é um dos raros cérebros que sabe tanto a ponto de fazer humor. Humor é coisa de pessoas extra-inteligentes..que não precisam de faculdades e até mesmo de escolas para obter conhecimento. É a categoria dos auto-didatas, uma classe, aliás, que deveria ser mais reconhecida porque prova ao longo da história seu valor.
Doravante, você concordaria com as afirmações do filósofo abaixo?:


- Democracia é quando eu mando, ditadura é quando você manda
- O capitalismo é a exploração do homem pelo homem. O socialismo é o contrário
- Todo homem nasce original e morre plágio

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Linguagem digital, o que diria Marcuse??

Segundo o filósofo alemão, que participou da Escola de Frankfurt, sendo também um de seus críticos, Hebert Marcuse (1898-1979), a sociedade consumista, derivante das vertentes tecnocratas, torna o homem apenas uma peça numa linha de montagem.
Assim, o homem seria chamado por ele de "unidimensional", ou seja, um individuo fútil que consegue apenas ver as aparências das coisas. Nesse panorama, a máquina e a tecnologia dominam o homem, que por sua vez tem uma visão estereotipada da felicidade. A "felicidade holywoodeana" ou as estórias de novelas das vinte horas, por exemplo, é um modelo à ser desejado pelas massas. O sujeito "seria" feliz porque a mídia lhe diz o que é "ser feliz". Diante desses fatores, não existe liberdade plena, nem valores reais da verdadeira felicidade.
"Felicidade" na sociedade consumista seria o casamento com alguém parecido com o Brad Pitt ou ter uma bela TV LCD na sala de estar.. Dessa forma, o sujeito permanece moldado e condicionado pela Mídia que também faz parte do ambiente tecnológico e seria um veículo considerável da propaganda capitalista..
No entanto, e agora? O que diria Marcuse com a expansiva Globalização cujos focos parecem caminhar para um mesmo centro, que na verdade ainda não sabemos qual é??
Como nos vemos sob a perspectiva, agora, digital?
Será que estamos criando novos excluídos?
A globalização tem faces positivas quando une povos estranhos entre si, quando torna a linguagem acessíveis e comuns. Quando se evoluiu do telégrafo para um teclado de com mouse, também encurtamos distâncias e tivemos a chance de conhecer o que nossos avós morreram apenas desejando...
A tecnologia está nos levando à cabo para além de oceanos. Entretanto, pode realmente estar nos escravizando. É paradoxal, de um lado a liberdade de informação e, porque não dizer, de conhecimento. A escolha pela fonte de informação. Porém, de outro lado, podemos também sofrer condicionamentos. E fica mais uma pergunta: Algum dia, na história, não sofremos condicionamentos? Mesmo na pré-história, existia a "lei do mais forte" e o mais "sábio" se calava e obedecia...E isso provavelmente era o que muitas matriarcas diziam aos seus entes: "- Fica quieto, o outros é mais forte" .
Quanto à uma nova classe de excluídos sociais. Não parece que possa surgir uma "nova classe" pois a classe que não tem computadores atualmente não seria a mesma que também não sabe escrever, é geralmente agrícola e tem, em seu cerne, alta mortalidade infantil por cólera?
Mas, será que as classes sociais ainda se mantém intocáveis?
Particularmente, acredito que o advento da linguagem digital aumentou a possibilidade de encontros interpessoais e estes acabam levando à correntes de saberes diferentes.
Escolas públicas, antes carentes atendendo à um público carente, agora tem PCs e parecem que agilizam suas conquistas pedagógicas.
Todavia ainda não termos a certeza de que iremos encontrar a liberdade e o prazer de sermos nós mesmos..encontrando novos e melhores valores. Ainda há muito consumismo e consumismo humano (até tráfico de pessoas temos)...No entanto, as coisas parecem estar mudando muito, o inventor da famosa "WWW" (World Wide Web Consortium), mais conhecida como "Web" , Tim Berners-Lee, em entrevista aqui no Brasil, afirmou que nada ganhou pelo fabuloso invento mas que ao ver as empresas e pessoas usando, fica muito mais feliz do que se tivesse recebendo uma fortuna. Aliás, ele ainda declarou que ficou imensamente feliz por ter conseguido se manter no trabalho que gosta de fazer..Ao que parece estamos dando sinais de um novo sistema, mais cooperativo que utilitarista, mais consciente de humanismo que tínhamos antes.

domingo, 18 de janeiro de 2009

A era dos monstros

“Um dia vi um monstro como ninguém, metade dele era homem e a outra metade também”

Na última postagem me referi ao terrorismo global e arquétipo, mas agora gostaria de especificar, falar do terrorismo urbano..
Aqui em Americana, uma família foi assassinada na última quarta-feira, incluindo suas crianças.
Já sabemos que a história da humanidade é a história da tragédia..mas, ainda não entendemos se é porque é nossa essência ou se é um exagero no DNA de auto proteção de nosso Gene , ou seja, nos tornamos tão auto-protetores, que enxergamos qualquer um como ameaça considerável..
Eu acredito que as pessoas não amam os filhos suficientemente para que eles aprendam o que é o amor, sentimento integrado ao nosso bem viver...O Ser que o possui geralmente é feliz, é preenchido e pessoa assim não quer a tristeza dos demais...aliás, chora junto se for o momento.
Buda em seus ensinamentos orais dizia que “Não se considerava feliz porque sabia que existia no mundo multidões de pessoas infelizes”...
Siddharta Gautama (século VI a.C. - c.563 a.C. - c. 483 a.C.), Buda, ou, o Iluminado, falava sobre o Nirvana, ou seja, a superação dos apegos dos sentidos materiais. Todavia, parece que o Nirvana é para poucos já que vivemos um choque de egos, um reino de múltiplos Nasrcisos que morrem pela imagem mas não morreriam de tristeza por saber que o seu companheiro sofre em silêncio..Assim, nossas paixões nos guiam e nossa aparência é um circo ...
Irônico queremos um mundo diferente mas tratamos o mundo de forma igual sempre...
Por sua vez, amor é um sentimento que necessita de experiência, de tarefas abstratas como o querer bem dos pais...A ausência de afeto na vida cotidiana é o fator significante para que o terrorismo do desafeto cause o terrorismo urbano...

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Era do terror, repetição monótona..

Existe a Era do Terror??

“Terror” indica sentir pavor, muito medo, “Terrorismo” é o ato de praticar o terror contra alguém ou uma massa ...

Historicamente o mais conhecido “Período do Terror” que já vivemos foi justamente na época de Enciclopedistas e Filósofos que falavam de “Igualdade, Fraternidade e Liberdade”. Era o século que se acreditava guiado pela Razão, ou seja, por lógica e pensamento organizado. Estávamos no sec. XVIII.. Havia a certeza de que pobres seriam ouvidos, de que a descendência de Reis do Sol seria apenas um conto de fábulas no futuro..De que a rígida e hierárquica Igreja findou seus poderes..Era a vez dos oprimidos..

Guiados pelo pensamento de Rousseau, os amigos Robespierre e Danton fizeram a Revolução, marco divisor de nossa história. No entanto, cabeças rolaram indiscriminadamente, estupros das nobres eram encorajados. Mataram o pobre Luiz XVII, de dez anos de idade, na prisão Temple. Mataram, inclusive, Danton, um dos líderes...

Mataram reis, nobres, clérigos, depois camponeses que eram considerados contra-revolucionários...e só depois perceberam que a fome continuava na França e que a morte alheia não trazia mais comida..Não obstante, acredito que não haja algo mais repetitivo na história do que a palavra “matar”..

A Revolução Francesa foi apenas uma de todas as outras que ainda vivemos...

Antes, os Assírios (1363/1000 a.c) também aterrorizavam na antiga Mesopotâmia, mutilando adversários...A Igreja queimava infiéis vivos na Idade Média. Depois a Revolução Comunista na URSS, China e Cuba, matam mais gente em seus próprios territórios que a peste negra quando invadiu a Europa na Idade Média.. Também vieram os nazi-fascistas . Depois o “Setembro Negro”. Depois o 11 de Setembro. E há muito a Faixa de Gaza. A “repetição” é parte de nosso universo falado...

O inacreditável é que há quem sempre culpe bruxas fantásticas e místicas pelo terror...e quem tenha medo de alienígenas.

Discutimos se tudo isso é racional ou passível de entendimento. Se é lógico vangloriar a razão se não compreendemos o foco exato do terror, de estamos nos matando, usando como artífice uma religião ou a nossa própria defesa...

Os astronautas que puderam ver a terra de longe diziam que era impossível crer que aquele “pontinho” visto de tão longe pudesse ter tanta gente brigando ao mesmo tempo. Parece que sempre fomos um espetáculo de terror. A tecnologia não nos melhorou e ao questionarmos porque sobrevivemos além do Homem de Neandertal, provavelmente não foi por esse tipo de inteligência...Aliás ainda não superamos o tempo de existência na terra que o Neandertal teve...

A diferença dos terrores anteriores é que agora temos satélites para mostrar a tragédia em tempo real..

Será que o terror faz parte de um gene egoísta e potencialmente sádico?