segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Empirismo..

E a última premissa de Millor é “Todo homem nasce original e morre plágio? Verdade, meia verdade ou falso?

Vamos lá:
Ao nascer, somos uma espécie de Tabula Rasa, como diria O filósofo inglês John Locke (1632-1704). Locke foi um dos percussores do “Empirismo” ou doutrina que acreditava que o processo do conhecer, do saber e do agir é aprendido pela experiência, doravante, pela tentativa e erro..
Assim, a apreensão do mundo se faz pela nossa experiência para com ele. Ao nascer nada sabemos desse mundo, porém, já possuímos sentidos aguçados e esses são os verdadeiros atores de nosso aprendizado..Olhar a história já é um ato de empirismo.
Com o tempo, aprendemos que fogo queima, alguns, mesmo avisados, precisando colocar o dedinho numa vela. De tanto a mamãe colocar a criança no vaso sanitário, ela acaba fazendo suas necessidades lá. De tanto alguém segurar as mãos da criança ela e andar junto com ela, a criança acaba andando sozinha..
De tanto fazer o mesmo trajeto à escola junto com os pais, aprendemos a ir para qualquer lugar sozinho, aprendemos mais, aprendemos a noção de espaço e tempo...
Nossa originalidade na verdade é o não-saber de regras e culturas. Escolas, famílias e Igrejas nos apontam direções e algumas delas serão as que escolheremos. Precisamos adaptar nossa “animalidade” para conviver com os outros, até porque os outros são nossos grupos, peça chave na sobrevivência. O jovem que usa tatoo e percing ao invés de gravatas, está auto-afirmando no mundo tirano dos adultos, mas está experimentado costumes que já existiram ou existem em várias tribos que vieram antes da cultura ocidental.
Na adolescência, somente com muitos erros, é que aprendemos de fato que beber de mais nos causa desconforto e que chorar por um amor platônico é perder vida. E nosso melhor momento no aprendizado geral é na maturidade, depois dos trinta anos...Isso porque nessa altura, já conhecemos muito do mundo.
Diante desse percurso, no final nos percebemos um amontoado de coisas que nos foram impostas. Somos geralmente um retrato de projetos que não eram exatamente nossos, mas, de um sistema em vigor..
Nosso pensamento é uma cópia, assim como nosso caminhar, nosso estilo, e que pensamento não é uma cópia de outro? Sempre alguém influenciou alguém..Não acredito que exista algo tão original que nunca foi pensado ou mesmo feito em outras épocas...
Por outro lado, o que seríamos se não fossemos clones históricos? Nem no estado animal puro seríamos originais..pois agiríamos conforme necessidades mais primitivas que causam a mesma reação no cerne da espécie.
Não somos réplicas ou cópias defeituosas de nós mesmos, mas plágios com alterações e autos-relevos.
Assim nós somos o que os demais de nossa cultura são. Mesmo os que andam na contramão de uma forma ou outra, confirmam o sistema de sua cultura.

Um comentário:

Dani R. disse...

Amei!!!