quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Paidéia

A opinião que venho formando sobre a escola, se dia for colocada em prática acho que diminui o emprego de vários professores, inclusive o meu. Porém, é o “todo” que importa e não o imediato paliativo de estarmos empregados nessa estrutura, ao meu ver, anacrônica. Porém, é importante ressaltar que em políticas educacionais de vários Estados, o problema já foi detectado e existem esforços de mudanças.
Nosso sistema educacional é o legado do sistema cartesiano de ensino. Lógica sistemática e “decoreba”, praticamente do jeito q era na década de 60 é o que ensinamos..E eu falo do que percebo de escolas públicas e privadas.
É um stress só porque brigamos o tempo todo com alunos crianças e adolescentes que não querem prestar atenção nas aulas, ao contrário, querem ficar nos corredores da escola, quando não a depedram.
Para muitos, o aluno ainda é “a-luno” (do grego, sem luz) ..embora o conceito que mantemos é dito como pedagogicamente “novo” e “criativo”..Porém, na prática tudo permanece com os mesmos resultados, salvo algumas variações...
Não aceitamos que o aluno saiba, em alguns casos, mais do que os professores. Parece que ele ainda é uma “tabula rasa”..
Existe a obrigatoriedade do ensino, o que era para ser consciência cultural de uma nação, por ex. ninguém nos obriga a escovar os dentes, porém fazemos todos os dias, porque é saudável e higiênico. Sabemos que nossos dentes podem ter bactérias e até cair se não forem limpos corretamente..
Quando o aluno é obrigado a vir para a escola e permanecer nela por mais de quatro horas. No entanto, estudos indicam que o cérebro humano tem capacidade de assimilação limitada num mesmo dia...e mais, ele só gravará o que der prazer ao corpo e à sua rotina (leiam Alexander Lowen). Depois, em sala, ele lerá sobre Isótopos e Isóbaros e se questionará como irá usar isso em seu dia-a-dia (e isso já é uma discussão antiga)..Com os movimentos tolhidos, ele conta ansioso no relógio, quanto falta para a hora do intervalo e sairá da escola pensando na garota de seus sonhos..
Não digo que Isótopos não sejam importantes e relevantes..mas, penso que tudo tem sua hora...
Não adianta tentar domesticar movimento e hormônios agitados, iremos falhar..ou criar adultos inseguros e frustrados. Mais fácil dialogar verdadeiramente com eles.
O meu modelo particular de escola seria assim:
1. Primeiro ninguém deve ser obrigado a frequência, estamos num Estado democrático. Podem existir outras formas de letramento, por que não os próprios pais quando se disserem competentes para isso? Ao invés da obrigatoriedade, a escola deve ser mais atrativa, deve oferecer o que o cotidiano comum não oferece...Ai sim, residirá a criatividade do discurso pedagógico.
2. A permanência de frente à lousa deve diminuir. Não creio que algum adulto consiga ficar sentado naquelas cadeiras duríssimas por mais de duas horas...Creio que se o período fosse, por ex. das 8:00 h às 10:30, daria mais prazer e seria mais aproveitado. Depois poderiam ocorrer aulas práticas como Laboratório de Biologia (primeiro dever-se-ia entender o que é a vida), Hortas (precisamos aprender a nos alimentar) são exemplos...Moléculas devem ser vistas em laboratório, lembrem-se eles só entendem a linguagem dos sentidos, o aguço intelectual só vem depois dessa fase. Só somos brilhantes intelectualmente na chamada Idade da Razão, ou seja, na maturidade.
3. Deveria ter nas escolas aulas de Música Clássica: Quer mais matemática que notas musicais? A música estimula o raciocínio..Deve ter piano, violino, até harpa.
4. Arte e Educação física devem ser exaltadas...
5. Por que não aprender ofícios como carpintaria? Ou web design?



Assim, a escola deveria ter em seu cerne, oficinas pluralistas que possam ajudar na formação conjunta do educando...O período pode ser integral ou parcial mas tem que dar prazer ao aluno. Assim, estaríamos próximos do que Sócrates chama de Paidéia. O aluno, sujeito do conhecimento, precisa ser inteiro.
Precisam orientá-lo não para que no futuro saiba se lembrar de uma equação de Báskara que nunca usou mas para que simplesmente seja feliz quando se tornar adulto. Pessoas felizes não fazem mal aos outros. Ao contrário, pessoas felizes e realizadas, fazem a história são mais tolerantes e compreensivas. Tornam a história melhor.
Infelizmente, a escola trabalha com uma ética que sempre permanece em ideais. Para melhorar a ética, já tão esfacelada nesse país, é preciso antes de qualquer coisa, trabalhar para tornar as pessoas felizes. Ela trabalha no "paralelo".. Um dia já chegou a ditar regras, hoje se transformou em catedrática dela mesma. Na verdade, mantinha-se o que já havia: Pessoas espontaneamente criativas permaneciam assim. Pessoas, que por uma razão ou outra, tinham poucos interesses intelectuais, permaneceram limitadas com algumas variações. E para perceber isso é só olhar em volta..
Um dia disseram que era preciso disciplinar e corrigir e será que as pessoas ficaram melhores? As pessoas não precisam saber tudo de uma vez e no tempo que os adultos organizaram. Doses homeopáticas são necessárias e podem fazer toda a diferença.


Obs: Próxima atualização do blog será em 29/02

Nenhum comentário: