domingo, 1 de março de 2009

O Surrealismo e Nietzsche


A tela mostrada na edição anterior é do mestre do Surrealismo, Salvador Dali.
O Surrealismo foi um movimento artístico e literário que surgiu na França no início da década de 20.
O início do sec. XX foi marcado pela indústria, pelos relógios que delimitavam o tempo urbano e pelo movimento que foi a cada dia se tornando mais rápido..É interessante porque é uma nova revolução. Não é armada, é cultural. As pessoas, antes cegamente regradas, agora começavam a questionar o valor de normas puritanistas...
O Surrealismo é assim, descendente de outro movimento, o "Dadaísmo", se opôs aos valores convencionais de pátria, família e religião. A razão cartesiana é eleita como um monstro engolidor de criatividades natas...
As obras não têm muito significado racional mas têm essência onírica, ou seja, de sonhos, de algo que possibilite a saída da rotina, do real idealizado pelas instituições...
No Brasil, o movimento influencia diretamente o Movimento Modernista, principalmente na obra de Oswald de Andrade. A idéia era contestar, polemizar e ridicularizar as velhas concepções que não faziam ninguém feliz.
Na Europa, o ícone mais conhecido é Salvador Dali (1904-1989) e foi ele quem pintou o Cristo Cruscificado. A imagem que usou para pinta-la foi a da cabeça de um boi que estava pendurada em sua parede e daí criou a perspectiva de um Cristo no alto, como se olhasse para todos em baixo. Pode ser que ele quis dar uma interpretação cósmica à transcendência de Jesus, mas também pode ser que ele só quis mostrar seu livre pensamento...(as vezes alguns intelectuais buscam explicações demais para o que é óbvio)...
Todavia o movimento vai de encontro com idéias de Nietzsche, quando exaltam o sonho e a natureza do homem..
Aliás, em "Assim falou Zaratustra", o filósofo diz "Bem-aventurados os que dormem pois podem sonhar".
O mundo para Nietzsche (1844-1900), não é ordem e racionalidade, mas, desordem e irracionalidade. Arduamente critica o Cristianismo de sua época assim como a moral puritana por não considerar o Corpo, apenas uma aparente racionalidade.
Ele vai mais além do que a crítica, ele diz: "deus está morto". Não obstante, não considero que ele falava da expressão espiritual, até porque adotou o Nirvana budista em sua obra, mas acredito que sua expressão se refere ao deus revelado e obrigatório do protestantismo e catolicismo europeu..Aquele deus que ceifava vidas ou as tornava estéreis..
A obra surrealista mostrava uma forma de pensar nova, aberta ao mundo, à precariedade do corpo e da alma..
Ficamos diante de nós mesmos e de nossas representações..e não apenas diante daquilo que tinham nos ensinado..

Caso haja interesse fiz um vídeo sobre o filósofo Nietzsche:
http://www.youtube.com/watch?v=HTb-FYsdwNs

Próxima atualização: 08/03

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