sábado, 23 de maio de 2009

Maisa trabalha II


Há cerca de duas décadas era comum os pais inserirem os filhos no mercado de trabalho. Até as décadas de 70 e 80, as filas compostas de pais e filhos para que o menor pudesse tirar a carteira de trabalho eram enormes nas grandes cidades, sendo que nas menores nem havia esse dispositivo, as crianças simplesmente trabalhavam.
Tal qual no período da Revolução Industrial na Europa, era o normal que uma família tivesse até 10 filhos e todos, com menos de 12 anos, trabalhassem, geralmente em serviços agrícolas como o corte de cana-de-açucar. A renda média das famílias aumentava conforme o número de filhos no mercado de trabalho.
Assim, abusos foram cometidos sem que pudesse haver uma fiscalização mais rigorosa.
Entretanto, a situação mudou com o advento da Constituição de 1988 e sua proibição ao trabalho do menor. Ao menor fica oferecido a Escola e não o trabalho remunerado. Mas, há pais que devido à uma situação econômica dramática, não concordam com o aparato constitucional. E sempre há aqueles que comparam trabalho à utilidade do Ser. Não vêem na escola um campo fértil para a Cidadania, visto que seus resultados não são imediatos pois não há salário mensal. Nossa miséria de valores obriga alguns a perceberem o filho não como responsabilidade, mas como fonte de renda.
A criança da década de 50, brincava de pipa escondida e quando vista brincando poderia sofrer castigos físicos de seus pais, pois estava em horário de trabalho. Geralmente ela dividia este trabalho com seus inúmeros irmãos e isso era comum para a época, independente de terem ocorrido duas Guerras Mundiais e muita gente ter perdido os seus filhos de forma ignóbil.
A pergunta que vigorava no passado era " - 0 que você vai ser quando crescer?", quer dizer, no que "você irá trabalhar? "O trabalho em primeiro lugar" sempre, mas, não se observava o desenvolvimento sadio físico e psíquico das crianças, já que avós e pais haviam passado pela mesma situação e sobreviveram.
Algumas trabalhavam de "guardinhas", outras nas lavouras e poucas se atreviam a pensar algo além daquele cenário...
Interessante, observar que mesmo com todos os filhos trabalhando, poucos daquela época tiveram a tão esperada vida confortável..No entanto, muitas crianças daquela época, hoje adultas, possuem problemas físicos como artrite, artrose, cardiopatias e hiper-tensão. O irônico é que se ganharam algum dinheiro no passado estão gastando agora com sua saúde.
Obviamente, não deve ter sido o caso de Maisa, ter ido trabalhar por imposição dos pais, mas foi preciso observar as condições de seu trabalho pela Promotoria da Infância e Juventude, já que o caso foi assistido em tempo real pela mídia.
Diz a Constituição Federal:

Constituição Federal

O artigo 7º, XXXIII da Constituição Federal estabelece a "proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito anos e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos".


Assim, cabe ao menor, estudar, ter lazer e ser verdadeiramente criança e não importa qual o salário que ele poderia vir a receber. Salários não costumam pagar pela saúde emocional e física. Só pagam pela força de trabalho vendida. "Tudo ao seu tempo".

Não obstante, cabe aos pais a responsabilidade do bom desenvolvimento do filho e por conseguinte, aos filhos cuidarem de seus pais quando estes estiverem impossibilitados.

Um comentário:

Anônimo disse...

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