quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Obrigada mestre Maurício, Gabriel De La Puente

Eu estava sentada em 1985, numa carteira rabiscada e desconfortável, numa escola de Ensino Médio do noturno, e me perguntava: "Por que tenho que estar aqui, já reprovei três vezes, vou reprovar novamente? Odeio escola, acho que irei parar, da mesma forma que meus outros amigos, contemporâneos, fizeram. Isso aqui não servirá para nada. Não entendo quase nada e nunca irei usar nada disso aqui na vida". Nesse momento, surgiu um professor, meio estranho, não se parecia um professor. Ele entrou, fez um desenho de um boneco na lousa e pediu para uma aluna molhar um giz..Ela chegou e ele colou o giz no nariz do boneco. 
Ninguém estava entendo nada, os melhores alunos da sala estavam atônitos e ele disse: "Sou eu o panaca que irei dar aula de Filosofia para vocês, é tarde demais para vocês reclamarem"..
Pela primeira vez, eu vi a classe toda democraticamente rindo. Nesse momento pensei: "Que matéria é essa que faz a gente rir?". Iniciou-se em mim, um interesse pela Filosofia. 
Conheci os ideais existenciais e libertários. Conheci Sartre e Heidegger . Diante disso, questionei a ditadura que vivíamos na década de 80, entendi porque a 1a República caiu. Apaixonei-me pela Literatura e enfim, compreendi "O alienista" de Machado de Assis, assim como Urupês de Monteiro Lobato. Minhas notas subiram e não mais reprovei. A educação começou a fazer sentido na minha vida. Acabei o EM e resolvi fazer Filosofia na Puccamp, depois História, Pedagogia, Psicologia da Educação, especializações e não acabei ainda. 
Conheci outros ilustres, mas foi o professor de Filosofia, Maurício, que mudou minha direção, apenas com um toque sutil da dúvida real, "- Por que essa disciplina está nos fazendo rir?"...Bem, uma aula diferente pode tornar as pessoas diferentes e entenderem que são singulares ...Pode mudar o rumo das coisas..
Agradeço a esse mestre..(tentei seguir seu exemplo).

sábado, 17 de dezembro de 2011

Obrigada a todos....




Cerimônia de Premiação Top Blog, na Unip da Vergueiro, São Paulo. O Filosofia em Casa, ficou em primeiro lugar assim como o meu outro Blog, As aventuras de Francesco.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Já leram a obra "A revolução dos bichos"?

 A revolução dos bichos -George Orwell - trechos

Somos frágeis seres que, embora  competentes, ainda não aprendemos a arte do franco diálogo. Gostaria que opinassem no trecho que segue abaixo:

"O Homem é o nosso verdadeiro e único inimigo. Retire-se da cena o Homem e a causa principal da fome e da sobrecarga de trabalho desaparecerá para sempre.

O Homem é a única criatura que consome sem produzir. Não dá leite, não põe ovos, é fraco demais para puxar o arado, não corre o que dê para pegar uma lebre. Mesmo assim, é o senhor de todos os animais. Põe-nos a mourejar, dá-nos de volta o mínimo para evitar a inanição e fica com o restante. Nosso trabalho amanha o solo, nosso estrume o fertiliza, e, no entanto, nenhum de nós possui mais que a própria pele. As vacas, que aqui vejo à minha frente, quantos litros de leite terão produzido neste ano? E que aconteceu a esse leite, que poderia estar alimentando robustos bezerrinhos? Desceu pela garganta dos nossos inimigos. E as galinhas, quantos ovos puseram neste ano, e quantos se transformaram em pintinhos? Os restantes foram para o mercado, fazer dinheiro para Jones e seus homens. E você, Quitéria, diga-me onde estão os quatro potrinhos que deveriam ser o apoio e o prazer da sua velhice. Foram vendidos com a idade de um ano --nunca mais você os verá. Como paga por seus quatro partos e por todo o seu trabalho no campo, que recebeu você, além de ração e baia?"

|Trechos extraídos de  http://www.filosofia.com.br/trecho.php

domingo, 30 de outubro de 2011

Vamos estudar um pouco de Psicanálise?

Esse trecho abaixo é do pai da psicanálise, Sigmund Freud, pertence à obra "Mal estar da civilização":

"O que se faz sentir numa comunidade humana como desejo de liberdade pode ser sua revolta contra alguma injustiça existente, e desse modo esse desejo pode mostrar-se favorável a um maior desenvolvimento da civilização; pode permanecer compatível com a civilização. Entretanto, pode também originar-se dos remanescentes de sua personalidade original, que ainda não se acha domada pela civilização, e assim nela tornar-se a base da hostilidade à civilização. O impulso de liberdade, portanto, é dirigido contra formas e exigências específicas da civilização ou contra a civilização em geral. Não parece que qualquer influência possa induzir o homem a transformar sua natureza na de uma térmita. Indubitavelmente, ele sempre defenderá sua reivindicação à liberdade individual contra a vontade do grupo. Grande parte das lutas da humanidade centralizam-se em torno da tarefa única de encontrar uma acomodação conveniente – isto é, uma acomodação que traga felicidade – entre essa reivindicação do indivíduo e as reivindicações culturais do grupo, e um dos problemas que incide sobre o destino da humanidade é o de saber se tal acomodação pode ser alcançada por meio de alguma forma específica de civilização ou se esse conflito é irreconciliável."

sábado, 22 de outubro de 2011

Trabalho Material e intelectual em Karl Marx

Trabalho braçal e intelectual, observe o texto abaixo, contido na "Ideologia Alemã", do filósofo alemão Karl Marx:


"A maior divisão entre o trabalho material e o intelectual é a traduzida pela separação da cidade e do campo. A oposição entre a cidade e o campo surge com a passagem da barbárie à civilização, da organização tribal ao Estado, do provincialismo à nação, e persiste através de toda a história da civilização até aos nossos dias (Liga contra a lei sobre os cereais). A existência da cidade implica imediatamente a necessidade da administração, da polícia, dos impostos, etc., numa palavra, a necessidade da organização comunitária, partindo da política em geral. É aí que aparece em primeiro lugar a divisão da população em duas grandes classes, divisão essa que repousa diretamente na divisão do trabalho e nos instrumentos de produção. A cidade é o resultado cia concentração da população, dos instrumentos de produção, do capital, dos prazeres e das necessidades, ao passo que o campo põe em evidência o fato oposto, o isolamento e a dispersão. A oposição entre a cidade e o campo só pode existir no quadro da propriedade privada; é a mais flagrante expressão da subordinação do indivíduo à divisão do trabalho, da subordinação a uma atividade determinada que lhe é imposta. Esta subordinação faz de um habitante um animal da cidade ou um animal do campo, tão limitados um como o outro, e faz renascer todos os dias a oposição entre os interesses das duas partes. O trabalho é anui ainda o mais importante, o poder sobre os indivíduos, e enquanto este poder existir haverá sempre uma propriedade privada.
A abolição desta oposição entre a cidade e o campo é uma das primeiras condições de uma existência verdadeiramente comunitária; essa condição depende por sua vez de um conjunto de condições materiais prévias que não é possível realizar por um mero ato de vontade, como se pode verificar à primeira vista (é necessário que essas condições já estejam desenvolvidas). Pode-se ainda considerar a separação entre a cidade e o campo como sendo a separação entre o capital e a propriedade fundiária, como o início de uma existência e de um desenvolvimento do capital independentes da propriedade fundiária, como o começo de uma propriedade tendo por única base o trabalho e as trocas."

sábado, 15 de outubro de 2011

Dia do Professor

Professor? Orientador? Mestre? São todos aqueles que abrigaram em suas asas dentistas, juristas, psicólogos, mecânicos, carpinteiros e outros professores. É aquele que veio para falar aos recém-descobridores da América e aos que ainda estão se descobrindo. Ele é onda de rádio, ele é dúvida, ele é voz. É colorido..Por isso vai além do branco do giz, do negro da antiga lousa. Parabéns a todos que estão nessa luta, quase incompreensível. Feliz Dia do Professor!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Análise de Tela

Essa tela se chama "Persistência da Memória" é do pintor surrealista Salvador Dali  que a concluiu em 1931. Notem a figura dos relógios. O que essa metáfora artística quer dizer?

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O mundo de Sofia

Um antigo, mas interessante livro de Filosofia:

O livro intitulado O Mundo de Sofia é um romance envolvente que, de forma natural e didática, introduz a História da Filosofia dando rápidas pinceladas sobre o seu desenrolar no Ocidente. Levanta as principais questões estudadas pelos pensadores de todos os tempos, vivo exemplo da inquietude humana e da instintiva busca por referenciais de conduta: Deus, o Universo, o Homem, a Sociedade e a História.
Sofia Amudsen, personagem central de O Mundo de Sofia, é uma jovem estudante que vê a sua vida mudar completamente por conta de cartas anônimas com as mais diversas questões existenciais: Quem é você? De onde você vem? Como começou o mundo? Ao escrever de forma nada erudita, com narrativas em estilo romancista, o escritor Jostein Gaarder nos conduz ao fantástico mundo da história da filosofia e o que se apresentava antes como intangível e misterioso se revela diante de nossos olhos como fascinante e indispensável: a filosofia.

domingo, 11 de setembro de 2011

A moral em Kant

Vamos falar um pouco da moral em Kant?

Mas, primero, o que entendemos por moral?
Podemos dizer que moral é o que se trata do conjunto de valores, de normas e de noções do que é certo ou errado, proibido e permitido, dentro de uma determinada sociedade, de uma cultura.
E o que é ética?
O termo "ética" é de origem grega, derivada de ethos, que diz respeito ao costume, aos hábitos dos homens. Teria sido traduzida em latim por mos ou mores (no plural), sendo essa a origem da palavra moral.
Ética e moral são sinônimos?
Não! "Moral" é prática de uma ética. Ética é a concepção e moral é a prática. A ética tende a ser universal e não particular.
Agora chegamos ao famoso conceito do "imperativo categórico", que é um dos principais elementos da filosofia de Immanuel Kant. Sua ética e moral têm como base esse preceito. Para o filósofo alemão, imperativo categórico é o dever de toda pessoa de agir, conforme os princípios que ela quer que todos os seres humanos sigam, que ela quer que seja uma lei da natureza humana. Dessa forma, ele chega ao cerne da moralidade. Assim, política está submetida ao imperativo categórico da moral, através da ideia de Estado de Direito, que consiste precisamente na submissão do poder ao direito e da submissão do direito à moral. 
Kant afirma o papel da razão na ética. Naturalmente, o homem não é bom, como notara Jean Jackes Rousseau. Consequentemente, deverá haver o apelo ao racional.
Devemos agir, como se nossa ação, pudesse servir de exemplo para todos, de forma universal.
O agir deve ser racional.
Dito de outra forma, a razão formula os deveres e o homem os obedece.
Agora podemos falar em cidadania:
"Para Kant, cidadania é o mesmo que autonomia, aquilo que permite conciliar a ordem com a liberdade e que só pode efetivar-se através da subversão do direito. É a submissão à autoridade que cada um dá a si mesmo, pelo que importa rejeitar a liberdade sem ordem (anarquia), bem como a ordem sem liberdade (despotismo). " (*) (http://topicospoliticos.blogspot.com/2004/10/imperativo-categrico-o-que.html.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O que é inteligência?

Sinceramente penso que quem se auto proclama "inteligente"  desconhece o conceito em essência. Esse termo já foi utilizado para segregar e elitizar, por que não dizer para direcionar preconceitos? Mesmo que alguém saiba matemática, física, química, astrofísica, aramaico e grego, mas não saiba interagir com seu vizinho, por que seria inteligente?
Inteligência é um conjunto de aptidões, dons,  poder de adaptação e poder de diálogo com a própria espécie.
Vejamos o que a "tia Wiki", fala sobre inteligência:
"O psicólogo Howard Gardner desenvolveu a teoria das inteligências múltiplas, identificando sete diferentes tipos inteligência: lógico-matemática, linguística, espacial, musical, cinemática, intrapessoal e interpessoal. Mais recentemente, Gardner expandiu seu conceito acrescentando à lista a inteligência naturalista e a inteligência existencial.
Daniel Goleman e outros investigadores desenvolveram o conceito de inteligência emocional e afirmam que esta inteligência é pelo menos tão importante quanto a perspectiva mais tradicional de inteligência. A inteligência emocional proposta por Goleman pode ser visualizada nas inteligências intrapessoal e interpessoal, propostas por Gardner.
Os proponentes das teorias de múltiplas inteligências afirmam que a teoria g é no máximo uma medida de capacidades académicas. Os outros tipos de inteligência podem ser tão importantes como a g fora do ambiente de escola. Conforme foi dito acima, qualquer que seja o nível de abrangência de um teste ou de vários testes, haverá um fator principal g, que explica grande parte da variância total observada na totalidade de itens ou na totalidade de testes.
Se forem elaborados 7 a 9 testes para aferir as 7 a 9 inteligências, ficará patente que desse conjunto também emerge um fator geral que representa, talvez, mais de 50% da variância total. Se fossem considerados os 120 tipos de inteligência propostos por Guilford, também haveria um fator comum g que poderia explicar grande parte (talvez 50% ou mais) da variância total de todas essas habilidades (ou inteligências)." -( Fonte: www.pt.wikipedia.org/wiki/inteligência)


 

" A única coisa que sei é que nada sei" - Sócrates

 
 
 
 






 
 
 
 
 
 

 
 

sábado, 27 de agosto de 2011

Ser bom...ser mal, o que somos?

 
Penso que ser bom ou ser mal só dá para avaliar dentro de uma situação ou uma ocasião específica.
Ex: Pessoas ditas boas, bons filhos, bons amigos, bons vizinhos, em situação limite de guerra, perdidos na selva do Vietnã na década de 60, perderam também o humanismo, talvez por medo, por fome, por dor. Estupraram, saquearam, roubaram e mataram. Depois, ao regressar, a consciência de si voltou, ou voltou em partes, então assumiram ou uma  "outra identidade" (a da guerra)..ou não conseguiram mais viver consigo mesmo, dado o conflito interno. 
Outros, que nunca tinham tido uma ação bondosa (fraternal ou filantrópica), quando o Titanic afundou em 1912, surpreenderam ao preferir morrer, tentando salvar colegas de trabalho ou cedendo seu lugar no bote salva-vida a uma criança. Somente nas situações limites, creio que dá para saber quem é menos egoísta, menos animal primitivo e competidor, ou "bom". 
O efeito social da civilização nesse animal humano é só uma maquiagem tribal, que utilizamos e nem sabemos se gostamos. Ser "bom" dentro do conforto social, não é difícil, não é sequer uma prova de força. Autores como Maquiavel foram um sábios ao observar essa estrutura paradgmática..


Vocês concordam com esse artigo abaixo? É uma pesquisa que tem o título:  Experimentos monstram o lado bom e ruim do Ser humano.

http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/963294-experimentos-mostram-lado-bom-e-ruim-do-ser-humano.shtml

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

domingo, 14 de agosto de 2011

O Príncipie de Maquiavel II - trechos

CAPÍTU0 XVII

DA CRUELDADE E DA PIEDADE; SE É MELHOR SER AMADO QUE TEMIDO, OU ANTES TEMIDO QUE AMADO


Reportando-me às outras qualidades já referidas, digo que cada príncipe deve desejar ser tido como piedoso e não como cruel: não obstante isso, deve ter o cuidado de não usar mal essa piedade. César Bórgia era considerado cruel; entretanto, essa sua crueldade tinha recuperado a Romanha, logrando uní-la e pô-la em paz e em lealdade. O que, se bem considerado for, mostrará ter sido ele muito mais piedoso do que o povo florentino, o qual, para fugir à pecha de cruel, deixou que Pistóia fosse destruída. Um príncipe não deve, pois, temer a má fama de cruel, desde que por ela mantenha seus súditos unidos e leais, pois que, com mui poucos exemplos, ele será mais piedoso do que aqueles que, por excessiva piedade, deixam acontecer as desordens das quais resultam assassínios ou rapinagens: porque estes costumam prejudicar a comunidade inteira, enquanto aquelas execuções que emanam do príncipe atingem apenas um indivíduo. E, dentre todos os príncipes, é ao novo que se torna impossível fugir à pecha de cruel, visto serem os Estados novos cheios de perigos. Diz Virgílio, pela boca de Dido:
Res dura,et regni novitas me talia cogunt
moliri, et late fines custode tueri.

O príncipe, contudo, deve ser lento no crer e no agir, não se alarmar por si mesmo e proceder por forma equilibrada, com prudência e humanidade, buscando evitar que a excessiva confiança o torne incauto e a demasiada desconfiança o faça intolerável.
Nasce daí uma questão: se é melhor ser amado que temido ou o contrário. A resposta é de que seria necessário ser uma coisa e outra; mas, como é difícil reuni-las, em tendo que faltar uma das duas é muito mais seguro ser temido do que amado. Isso porque dos homens pode-se dizer, geralmente, que são ingratos, volúveis, simuladores, tementes do perigo, ambiciosos de ganho; e, enquanto lhes fizeres bem, são todos teus, oferecem-te o próprio sangue, os bens, a vida, os filhos, desde que, como se disse acima, a necessidade esteja longe de ti; quando esta se avizinha, porém, revoltam-se. E o príncipe que confiou inteiramente em suas palavras, encontrando-se destituído de outros meios de defesa, está perdido: as amizades que se adquirem por dinheiro, e não pela grandeza e nobreza de alma, são compradas mas com elas não se pode contar e, no momento oportuno, não se torna possível utilizá-las. E os homens têm menos escrúpulo em ofender a alguém que se faça amar do que a quem se faça temer, posto que a amizade é mantida por um vínculo de obrigação que, por serem os homens maus, é quebrado em cada oportunidade que a eles convenha; mas o temor é mantido pelo receio de castigo que jamais se abandona.
Deve o príncipe, não obstante, fazer-se temer de forma que, se não conquistar o amor, fuja ao ódio, mesmo porque podem muito bem coexistir o ser temido e o não ser odiado: isso conseguirá sempre que se abstenha de tomar os bens e as mulheres de seus cidadãos e de seus súditos e, em se lhe tornando necessário derramar o sangue de alguém, faça-o quando existir conveniente justificativa e causa manifesta. Deve, sobretudo, abster-se dos bens alheios, posto que os homens esquecem mais rapidamente a morte do pai do que a perda do patrimônio. Além disso, nunca faltam motivos para justificar as expropriações, e aquele que começa a viver de rapinagem sempre encontra razões para apossar-se dos bens alheios, ao passo que as razões para o derramamento de sangue são mais raras e esgotam-se mais depressa.
Mas quando o príncipe está à frente de seus exércitos e tem sob seu comando uma multidão de soldados, então é de todo necessário não se importar com a fama de cruel, eis que, sem ela, jamais se conservará exército unido e disposto a alguma empresa. Dentre as admiráveis ações de Aníbal, menciona-se esta: tendo um exército imenso, constituído de homens de inúmeras raças, conduzido a batalhar em terras alheias, nunca surgiu qualquer dissensão entre eles ou contra o príncipe, tanto na má como na boa fortuna. Isso não pode resultar de outra coisa senão daquela sua desumana crueldade que, aliada às suas infinitas virtudes, o tornou sempre venerado e terrível no conceito de seus soldados; sem aquela crueldade, as virtudes não lhe teriam bastado para surtir tal efeito e, todavia, escritores nisto pouco ponderados, admiram, de um lado, essa sua atuação e, de outro, condenam a principal causa da mesma.
Para prova de que, realmente, as outras suas virtudes não seriam bastantes, pode-se considerar o caso de Cipião, homem dos mais notáveis não somente nos seus tempos mas também na memória de todos os fatos conhecidos, cujos exércitos se revoltaram na Espanha em conseqüência de sua excessiva piedade, pois que havia concedido aos seus soldados mais liberdades do que convinha à disciplina militar. Tal fato foi-lhe censurado no Senado por Fábio Máximo, o qual chamou-o de corruptor da milícia romana. Os locrenses, tendo sido arruinados e abatidos por um legado de Cipião, não foram por ele vingados, nem a insolência daquele legado foi reprimida, resultando tudo isso de sua natureza fácil; tanto assim que, querendo alguém desculpá-lo perante o Senado, disse haver muitos homens que melhor sabiam não errar do que corrigir os erros. Essa sua natureza teria com o tempo sacrificado a fama e a glória de Cipião, tivesse ele perseverado no comando; mas, vivendo sob o governo do Senado, esta sua prejudicial qualidade não só desapareceu, como lhe resultou em glória.
Concluo, pois, voltando à questão de ser temido e amado, que um príncipe sábio, amando os homens como a eles agrada e sendo por eles temido como deseja, deve apoiar-se naquilo que é seu e não no que é dos outros; deve apenas empenhar-se em fugir ao ódio, como foi dito.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O Príncipie de Maquiavel - trechos

Trechos de "O Príncipe. de Maquiavel"


"...Naturalmente, seria muito louvável que um príncipe possuísse todas as boas qualidades acima mencionadas, mas como isso não é possível, pois as condições humanas não o permitem, é necessário que tenha a prudência necessária para evitar o escândalo provocado pelos vícios que poderiam faze-lo perder seus domínios, evitando os outros, se for possível; se não for, poderá pratica-los com menores escrúpulos. Contudo não deverá preocupar-se com a prática escandalosa daqueles vícios sem os quais é difícil salvar o Estado; isto porque, se se refletir bem, será fácil perceber que certas qualidades que parecem virtudes levam à ruína, e outras, que parecem vícios, trazem como resultado o aumento da segurança e do bem-estar.." 

"Todos os Estados, todos os governos que tiveram e têm autoridade sobre os homens, foram e são ou repúblicas ou principados. Os principados são: ou hereditários, quando seu sangue senhorial é nobre há já longo tempo, ou novos. Os novos podem ser totalmente novos, como foi Milão com Francisco Sforza, ou o são como membros acrescidos ao Estado hereditário do príncipe que os adquire, como é o reino de Nápoles em relação ao rei da Espanha. Estes domínios assim obtidos estão acostumados, ou a viver submetidos a um príncipe, ou a ser livres, sendo adquiridos com tropas de outrem ou com as próprias, bem como pela fortuna ou por virtude."



domingo, 7 de agosto de 2011

quinta-feira, 21 de julho de 2011

George Berkeley

George Berkeley — 1685-1753, foi um filósofo irlandês.


Ficou famoso por usar a Filosofia imaterialista.

Berkeley aceita o empirismo de Locke, mas não admite a passagem dos conhecimentos fornecidos pelos dados da experiência para o conceito abstrato de substância material. Por isso, e assumindo o mais radical empirismo, Berkeley afirma que uma substância material não pode ser conhecida em si mesma. O que se conhece, na verdade, resume-se às qualidades reveladas durante o processo perceptivo. Assim, o que existe realmente nada mais é que um feixe de sensações e é por isso que ser é ser percebido. O que está em xeque não é a negação do mundo exterior, mas sim o conceito fundamental, desde Descartes, de uma idéia de matéria como constituinte de tudo o que é e que fosse diferente da substância pensante. Para fugir do subjetivismo individualista (pois tudo que existe somente existiria para a mente individual de cada indivíduo).
Berkeley postula a existência de uma mente cósmica que seria universal e superior à mente dos homens individuais. Deus é essa mente e tudo o mais seria percebido por Ele (de modo que a existência do mundo exterior à mente individual e subjetiva do homem, estaria garantida).

sábado, 16 de julho de 2011

O Eca é "maior de idade", completou 21 anos..

No último dia 13, o Estatuto da Criança e do Adolescente completou 21 anos. Com ele, uma nova visão sobre o menor de idade surgiu. Se antes, muitas crianças e adolescentes eram vítimas da extrema autoridade dos adultos, cujo olhar dirigido era como se eles fossem "adultos mirins" em deveres, atualmente, o Brasil está aprendendo a vê-los e ouvi-los como cidadãos.
O ECA surgiu em 1990, instituído pela Lei 8069, de 13 de julho. que regulamenta os direitos das crianças e dos adolescentes.
Inspirado pela Constituição Federal de 1988, no art. 227, a qual antecede a Convenção dos Direitos das Crianças(1990) pela Assembléia Geral da Nações Unidas, com toda integralização no âmbito internacional .

Agora uma pergunta para vocês pesquisarem, quando a Constituição determina que o cidadão não é mais menor de idade? 18 ou 21 anos? Tem diferença quanto ao sexo? Vocês sabem como se é convencionado a idade da adolescência? 

 Para ler mais, acesse o link abaixo:

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/07/13/eca-mudou-a-maneira-de-a-sociedade-lidar-com-criancas-e-adolescentes-diz-secretaria.jhtm

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Filhos da Armênia

A história mundial está repleta de torturas, massacres e genocídios tanto de brancos, como de índios ou negros..Quem comanda o xadrêz, retira os peões do adversário do tabuleiro.
Em nossa história, temos mais que campos minados, onde jovens soldados são mutilados, sem ter, por vezes, conhecido a paquera de seus sonhos. Nesse aglomerado de terras e mares, civis também cambaleiam, atônitos, diante do horror de não se saber tudo.. 
Ninguém sabe ao certo quando o primeiro homem afrontou o outro, mais fraco, tornando-se proprietário de vidas..
Assim, temos os homens e a teimosia de suas verdades.
Dizem que guerra é guerra. Não obstante, ela é feita de mães que choram. Dá para ver uma gigante Pietá, sentada, com o filho adulto no colo..
Toda nação é uma mãe, que de uma forma ou outra, irá chorar ao perceber que suas crianças já não brincam em seus jardins. É uma mãe que entende a saudade e aprendeu a sussurrar...
Em 1915, durante o final do Império Turco-Otomano, o país da Armênia sofreu um holocausto, provavelmente um dos primeiros genocídios do sec. XX..Segundo dados divulgados pelo povo armênio, foram mortos 1 milhão e 500 mil pessoas.
Ainda não houve pleno reconhecimento internacional do ocorrido e já se passou 96 anos..


Para ler mais, acesse os links: 


http://pt.wikipedia.org/wiki/Genoc%C3%ADdio_arm%C3%AAnio
http://www.verbonet.com.br/verbonet/index.php?option=com_content&view=article&id=11294:vaticano-publicara-documentos-sobre-o-genocidio-na-armenia&catid=5:noticias&Itemid=25

domingo, 10 de julho de 2011

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Vamos ver Francis Bacon e o empirismo?

Para quem não estudou o Empirismo, essa linha de pensamento foi também fundamental para a caracterização da ciência atual. No entanto, entra em contraste com o Racionalismo de Descartes.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

René Descartes

Agora vamos começar a responder as perguntas do último post.
Podemos iniciar com Renè Descartes (1596/1650), filósofo e matemático francês, que viveu durante a Idade Moderna. Muito conhecido na Matemática pelo notório “Plano Cartesiano”, um sistema de coordenadas.
Viveu numa época marcada pelas guerras religiosas entre Católicos e Protestantes na Europa - a Guerra dos 30 anos.
A partir de Descartes inaugurou-se o chamado Racionalismo.
O que seria o Racionalismo?
A princípio seria uma corrente filosófica que iniciou com a definição do raciocínio, que é a operação mental, discursiva e lógica.
Bem, para ele, a dúvida era o primeiro passo para se chegar ao conhecimento. Sem dúvidas, não podemos dizer que é algo é verdadeiro, não é mesmo? Assim, a dúvida só deve deixar de existir quando surgirem ideias claras e distintas.
Só se pode dizer que existe aquilo que puder ser provado. Essa última premissa ajudou e muito as atividades da Ciência.
Assim, ele cria o chamado Método:
Podemos dividi-lo em 4 regras básicas:
1. Verificar se existem evidências reais e indubitáveis acerca do fenômeno ou coisa estudada;
    1. Analisar, ou seja, dividir ao máximo as coisas, em suas unidades mais simples e estudar essas coisas mais simples
    2. Sintetizar: ou seja, agrupar novamente as unidades estudadas em um todo verdadeiro;
    3. Enumerar todas as conclusões e princípios utilizados, a fim de manter a ordem do pensamento.
Podemos então perceber que ele coloca Ordem e Rigor no que pretende conhecer.
Nós podemos colocar a existência de tudo em dúvida, mas então o que sobraria? Bem, “se eu estou aqui pensando, então eu existo”, “Penso, logo existo”
Repare o caráter da Idéia em seu pensamento. Há algo que não precisamos colocar em dúvida? Sim, as ideias inatas:
Estas ideias inatas são claras e distintas, não são inventadas por nós, mas produzidas pelo entendimento sem recurso à experiência. Elas subsistem no nosso ser, em algum lugar profundo da nossa mente, e somos nós que temos liberdade de as pensar ou não. Representam as essências verdadeiras, imutáveis e eternas, razão pela qual servem de fundamento a todo o saber científico (1).
São consideradas ideias inatas a existência de Deus e as certezas matemáticas. Essas não precisam passar pelo Método acima citado.

Para ver mais (1)
http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/seminario/descartes/racionalismo.htm

terça-feira, 21 de junho de 2011

Perguntas

Perguntas para refletir:

1. De onde surgem nossas idéias sobre as coisas? Seria da experiência sobre sobre as coisas?

2. A idéia sobre as coisas se forma a partir da experiência de nosso dia-a-dia?

3. Existe idéia inata, ou seja, que está no sujeito, sem que este precise ter algum tipo de experiência?

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Educação hoje: Neoliberalismo

Aos educadores e alunos que pensam e tem dúvidas sobre a Educação no Brasil, sugiro que leiam esse texto : Educação, Globalização e Neoliberalismo: O debate precisa continuar, de Robinson dos Santos Y Antonio Inacio Andrioli.
O link é esse:

http://www.rieoei.org/deloslectores/905Santos.pdf

sábado, 28 de maio de 2011

Lei 11.684 - Institui obrigatoriedade do ensino de Filosofia e Sociologia no Ensino Médio

 Lei 11.684 de 2008


Foi sancionada pelo Presidente da República em exercício, José de Alencar, em 2008
 
ALTERA O ART. 36 DA LEI N° 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996, QUE ESTABELECE AS DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL, PARA INCLUIR A FILOSOFIA E A SOCIOLOGIA COMO DISCIPLINAS OBRIGATÓRIAS NOS CURRÍCULOS DO ENSINO MÉDIO.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O que é Metafísica?

O que é Metafísica?

Quando você ouvir o termo “metafísica”, parabéns! Acabou de se deparar com um termo da Filosofia que já foi muito estudado no pensamento desde a Antiguidade.
A palavra tem origem grega com os termos “metà” (além de) e “phisys” (natureza, físico).
Para alguns ela é uma vilã pois denota conceitos que não precisam de investigação empírica, ou seja, não podem ser constatados pela experiência..Assim, são consideradas questões metafísicas por ex: De onde viemos? Temos realmente livre arbítrio?
Se você já questionou sua existência no sentido de saber se possui espírito e se ele estará vivo após sua morte, então realizou uma pergunta metafísica.
Um dos primeiros a conceituar a Metafísica, foi Aristóteles (384 - 322 a.C.) e escreveu um conjunto de escritos chamados de “Metafísica”
Para Aristóteles, na antiguidade, ela era a Filosofia Primeira. E pode se entender-se este ser superior ou supremo de dois modos: ou como estudo formal daquilo que depois se irá chamar formalidades, e, nesse caso, a metafísica será aquilo que depois se irá chamar ontologia, ou então como estudo da substância separada e imóvel – o primeiro motor, Deus — e nesse caso será, como Aristóteles lhe chama, “filosofia teológica”, isto é, teologia (1).
Os estudos da Metafísica sofrem críticas pois, não precisando de comprovação empírica, também não podem ser cientificamente comprovados.

Para ler mais na internet:
(1) http://forumfilosofia.wordpress.com/2007/04/19/metafisica-significado/