domingo, 21 de outubro de 2012

Trecho de "O processo" de Kafka

Trecho de "O processo" de Kafra, fala sobre a burocracia e como a vida de todos é limitada por ela:

"Diante da lei está parado um porteiro. Um homem do campo chega até esse porteiro e pede para entrar na lei. Mas o porteiro diz que ele não pode permitir sua entrada naquele momento. O homem reflete e pergunta, em seguida, se ele poderá entrar mais tarde. "Até é possível", diz o porteiro, "mas agora não". Uma vez que a porta para a lei está aberta como sempre, e o porteiro se põe de lado, o homem se acocora a fim de olhar para o interior. Quando o porteiro percebe o que está acontecendo, ri e diz: "Se te atrai tanto, tenta entrar apesar da minha proibiução. Mas nota bem: eu sou poderoso. E sou apenas o mais baixo entre os porteiros. A cada nova sala há novos porteiros, um mais poderodo do que o outro. Tão-só a visão do terceiro nem mesmo eu sou capaz de suportar".

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A esperança é algo bom ou mal?

 O texto abaixo é do filósofo alemão, Nietzsche, a esperança é algo bom ou mal?
 "Pandora trouxe o vaso que continha os males e o abriu. Era o presente dos deuses aos homens, exteriormente um presente belo e sedutor, denominado "vaso da felicidade". E todos os males, seres vivos alados, escaparam voando: desde então vagueiam e prejudicam os homens dia e noite. Um único mal ainda não saíra do recipiente: então, seguindo a vontade de Zeus, Pandora repôs a tampa, e ele permaneceu dentro. O homem tem agora para sempre o vaso da felicidade, e pensa maravilhas do tesouro que nele possui; este se acha à sua disposição: ele o abre quando quer; pois não sabe que Pandora lhe trouxe o recipiente dos males, e para ele o mal que restou é o maior dos bens - é a esperança. - Zeus quis que os homens, por mais torturados que fossem pelos outros males, não rejeitassem a vida, mas continuassem a se deixar torturar. Para isso lhes deu a esperança: ela é na verdade o pior dos males, pois prolonga o suplício dos homens. (Friedrich Nietzsche, "Humano, demasiado humano", Cia de Letras, p. 63, aforismo 71, ano 2001, São Paulo)

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Pavlov (1849/1936) e o Reflexo Condicionado. Quão livres somos??

No final do século XIX e no início do século XX, um fisiologista russo chamado Ivan Pavlov (1849-1936), ao estudar a fisiologia do sistema gastrointestinal, fez uma das grandes descobertas científicas da atualidade: o reflexo condicionado. Foi uma das primeiras abordagens realmente objetivas e científicas ao estudo da aprendizagem, principalmente porque forneceu um modelo que podia ser verificado e explorado de inúmeras maneiras, usando a metodologia da fisiologia. Pavlov inaugurava, assim, a psicologia científica, acoplando-a à neurofisiologia. Por seus trabalhos, recebeu o prêmio Nobel concedido na área de Medicina e Fisiologia em 1904. (fonte: http://www.cerebromente.org.br/n09/mente/pavlov.htm)
"Essas conclusões deram material ao behaviorismo (teoria proposta por Watson) para afirmar que o ser humano aprende essencialmente através da imitação, observação e reprodução dos comportamentos dos outros, e que nossas ações são meras respostas ao ambiente externo." (fonte: Wikipédia).


 Ele trabalhava com estímulos e respostas através de cachorros. A partir de seus estudos, a chamada Psicologia Behaviorista tomou força...Pergunta: Em termos de Reflexo Condicionado, somos diferentes dos cães?? Eu penso q as diferenças são mínimas, é só observar os comportamentos imitados e quase automáticos, patrocinados pelas TVs em crianças...Pavlov mostrou q com repetições, dia a dia, é possível condicionar...e veja q Hitler dizia q "uma mentira dita várias vzs, torna-se verdade" . Dessa forma, quão livres somos?

sexta-feira, 22 de junho de 2012

A instabilidade da verdade



                                         Nossas verdades: Bonitas, geométricas e instáveis..

sábado, 16 de junho de 2012

Arte engajada da década de 60







Alguém gostaria de interpretar a obra de Tozzi?
 
Gravura, O Cérebro
Obra de Cláudio Tozzi traz a crítica ao capitalismo na década de 60
Estilo: Arte engajada

domingo, 27 de maio de 2012

Diferença entre Comunismo e Socialismo


É comum o erro entre concepções diferentes, fiz um vídeo na tentativa de expor os conceitos.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Adorno e pseudo-individualidade moderna


"Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
e raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar minhas emoções verdadeiras.
Desembrulhar-me e ser eu, não Alberto Caeiro,
mas um animal humano que a natureza produziu." - Fernando Pessoa

Afinal, o que realmente é original dentro e fora de nós? Ou, não somos originais e sim, uma construção de experiências nossas junto com colegas, amigos, parentes, igreja, escola e mídia?
O que somos de fato? De onde vem nosso pensamento? Nossos gostos?
Se observarmos o filósofo Theodor Adorno (1903/1969), é evidenciada, em sua obra, uma padronização e uniformização de hábitos, costumes e modo de produção. Dessa forma, o individual aliena-se ao universal. É a pseudo-individualidade, ou a identidade que nos foi imposta. 
As instituições como igrejas e escolas, assim como os meios de comunicação em massa podem vir a determinar o que somos, lançando idéias e modismos que fatalmente seguiremos. Esse fator chamamos de "cultura de massa", aquela que impera para a maioria das pessoas, sem questionamentos e sem levar o sujeito a pensar sobre ela. Um exemplo: Quem já ouviu uma música de Villa Lobos? Uma ópera de Carlos Gomes? ou contemplou uma tela de Salvador Dali? Essas composições não são propriamente comerciais, não estão ligadas à modismos, por isso não estão na maioria dos canais abertos de TV.  Não estão ao alcance da maioria e sim de um público erudito e elitizado. 
Resta-nos, contudo, fazer um reconhecimento de toda a cultura que nos foi imposta desde a infância. Tentar abstrair o que nunca nos fez bem, sendo apenas uma "tinta com que nos pintaram os sentidos", para encontrar nosso verdadeiro espaço de identidade e individualidade no mundo. Não somos iguais, a natureza nos fez diferentes. Não podemos sempre seguir os mesmos caminhos.

sábado, 5 de maio de 2012

Disciplina: Prisões de corpos..(leitura a partir de Michel Foucault)

Segundo Michel Foucault (1926/1984), a partir dos séculos XVIII e XIX,  não é preciso, exatamente, "domesticar" os instintos animais presentes no Ser Humanos, mas, se torna tarefa atraente disciplina-lo para poder vigia-lo. Por isso, a ênfase moderna nos quartéis, escolas e hospitais.
A disciplina fabricaria corpos submissos através de fórmulas gerais de dominação. Para tanto, exige-se cercas e muros assim como um local protegido pela monotonia. 
Etimológicamente, o termo "disciplina" se origina com "discípulo", aquele que segue algo ou alguém de forma metódica. Ela seria necessária? 
Bem, vamos dizer que, em sala de aula, carteiras enfileiradas dão ao professor, autoridade instituída, o poder panorâmico de ver a todos de um unico ângulo.Há portanto, um distanciamento claro, entre o sujeito aprendiz e o seu orientador.
Fileiras e filas tornam fácil tarefas complexas, suas essências são o controle da situação. Se de um lado facilitam, do outro trazem questionamentos existenciais, enfim, controlaram o bicho homem? Isso é bom?
Nesse momento, precisamos agora ultrapassar o conceito de "disciplina", quase militarizada, para chegarmos à noção de "respeito", pois são termos que podem interagir, mas, são distintos..
O respeito precisa muitas vezes de uma certa disciplina, afinal não podemos, dentro dos limites do Pacto Social, fazer tudo que desejamos, por ser, em alguns momentos, inviável para um grupo. Todavia, a disciplina não pode ser redundante..repetir-se somente para engaiolar o Ser.
A palavra "respeito" vem do latim "respicere", que significa "olhar para trás"   ...Respeito quer dizer evocar o passado e admirar o que nele foi positivo para a evolução. Esse termo é aliado da palavra "merecimento". É preciso ter merecido estar num determinado cargo ou situação..
Precisamos de alguma disciplina, aquela que nos introduza no campo do respeito aos direitos das pessoas. Com certeza, não precisamos estar enfileirados, porém, precisamos estar cientes de que as pessoas merecem ser ouvidas sem sarcasmos.
Infelizmente, alguma docilização dos corpos precisou ocorrer para que não fossemos apenas revolução e furor.. Isso não foi o preço do capitalismo e sim, da evolução do pensamento sobre o corpo..

O veneno nosso de cada dia..


Eu gostaria de contar um "causo" que me ocorreu há tempos atrás, para que sirva de reflexão:

Moro numa casa antiga, de quintal grande e nele morava uma cachorra boxer, chamada de Diana. Uma vez surgiu um rato enorme que amedrontava a todos, menos a Diana.
Tentei tudo para eliminar esse enfadonho invasor: ratoeiras, colas adesivas e nada. Então, resolvi colocar um saco de veneno embaixo do tanque. Por dois dias, o saco mortífero continuava lá, entretanto, no 3o dia, eis que abro a porta e contemplo a seguinte cena: A Diana correndo atrás do roedor e ele tentando desesperadamente correr, carregando o saquinho de veneno pelos seus potentes dentes. Mas, no percurso, derruba o mesmo e parte de volta ao ponto de origem, perdendo o objeto pretendido.
Imagine que o rato estava com fome, imagine que ele ficou "feliz" ao descobrir o "alimento" no saquinho, imagine que ele tenha se desesperado em tentar manter aquela conquista, imagine a decepção e a frustração ao não conseguir carregar aquele objeto de desejos. Imagina a ira que atribuiu à Diana...
Para ele, não existiria animal pior do que a Diana. Doravante, ele nem poderia imaginar quem seria mais selvagem que a Diana, muito menos imaginar quem seria a dona verdadeira do território.

Os habitantes da ilha de Creta antiga, não conheciam muito sobre vulcões, acreditavam que era preciso reverencia-los e muitos se recusaram a partir, quando um deles dominou a cidade..
Os espanhóis lutaram contra nativos nas Américas pelo ouro e muitos morreram pelo ouro, que por sí, só tinha o valor que lhe produziam.. 
Muitas vezes lutamos para consumir venenos...
A realidade é uma dama que se veste na moda..

domingo, 1 de abril de 2012

A incapturável imagem da vida


A incapturável imagem da vida

Caso você vá a Paris, leve uma máquina digital.
Caso não leve uma máquina, não viajou. Com o tempo, as cores da memória se perdem e várias lembranças perdem a definição. Não é só isso, você precisa provar aos outros que esteve em Paris.
Desde que Augusto Comte definiu que é preciso ordem, no final do seculo XIX e salientou o valor da informação registrada em vez da tradição oral, estamos cá tendo que documentar o ímpar, o estranho, o novo e o belo. Resquícios do Positivismo que veio para ficar.
Dessa forma, uma forma quase cartesiana, não confiamos no que vem dos sentidos nem da memória. Alguém disse que esse é o mundo da água, mas, eu creio que é o mundo da imagem. As imagens imperfeitas de Platão? ou as pseudo imagens em detrimento ao original de Feurbach?
Feurbach dizia que nosso século anda se especializado nas falsas imagens, ou seja, nas imagens produzidas..
Não obstante, temos certeza, a imagem já tem autoridade, talvez mais do que suas matrizes..

segunda-feira, 19 de março de 2012

O encontro entre a Arte e a Matemática

Algumas pessoas se apressam e dizem abruptamente, sem conhecimento, que nas Artes não há matemática. Isso é senso comum.
Imagine a 9a sinfonia sem aquele compasso exato? Ou o Rock, sem o compasso 12/8?
Imagine as obras de Michelângelo sem distribuição de espaço? Sem ser marcações geométrica anteriores?
Até Salvador Dali, o louco entre os loucos, usou e abusou da Matemática para pintar telas..Como acham que o gênio surrealista criou Cristo de São João da Cruz?
È na Arte, o encontro milagroso, entre o raciocínio lógico e o abstrato ..
O mundo também é matemático..Adicione essa idéia

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Da geração do psico-tapa à geração do diálogo confuso

Venho de uma geração que não conheceu nem o ECA nem os Direitos Humanos.
Nossa geração foi marcada pelo autoritarismo, onde patriarcas e militares governavam nossas casas e nossas vidas. As surras eram costumeiras, muitas nem entendíamos. Pais nos agrediam, professores e colegas também. Tínhamos limites físicos, reais, que nos assombravam..Os mais rebeldes conseguiam escapar e burlar a vigilância, porém, cedo ou tarde, aderiam ao sistema único de ensino. Engolíamos literalmente o choro e quando alguém se queixava, alguém também dizia, que na sua época havia sido pior..
Tínhamos que nos casar, que ter filhos, que trabalhar e sermos iguais aos nossos antecessores..Nessa época, escola não era tão importante quanto trabalhar
Perdi muitos colegas, alguns porque fugiram dessa teia e se perderam, outros porque se conformaram demais. Sobrevivíamos porque conseguimos mascarar nossos reais desejos.
Lembro que os psicólogos, que falavam sobre a importância do diálogo, eram citados, mas, também falavam que isso vinha de loucos, confusos e vagabundos.
Época ingrata em que nossos, poucos defensores, chegaram a sofrer mais do que nós.
Não obstante, vivíamos as formas rústicas de prazeres, com muito pouco, ou, nenhum dinheiro A mesma calça jeans, duas ou três camisetas falsificadas das grifes Pierre Cardin e Fila, no máximo, dois tênis. A única coisa razoavelmente barata era o cigarro, o Hollywood..
Nem sonhávamos com fast foods ou telefones sem fio...
Ambicionávamos apenas liberdade, respeito e paz.
No entanto, as coisas começaram a mudar quando já tínhamos passado dos 20 anos. A ditadura, ao menos oficialmente, se foi com o Figueiredo. Uma nova Constituição, mesmo em cordas bambas, surgiu e com ela, direitos.
Novamente surgem os psicólogos, dessa vez, junto com filósofos, pedagogos e sociólogos. Aos poucos, as Ciências Humanas projetava sua sombra..Agora, falavam em Piaget e Florestan Fernandes..Agora é a vez da compreensão..Tudo vai se abrindo. Época das esperadas aberturas..
Tais aberturas, aliadas ao progresso industrial e à consequente produção tecnológica afloram trazendo novos desejos..
Com o tempo, as gerações, podem comer melhor, não mais o básico. Podem várias usar roupas originais. Podem consumir..e tudo é rápido demais..
Comida rápida, relações intersubjetivas rápidas e quem é lerdo no trânsito é vaiado.
Famílias trabalham muito, para ter logo a vida que desejam.
O psico-tapa foi legado à ignorância, mas o desconforto continua.
Pais não mais batem ou gritam com seus pimpolhos, dão-lhes todo conforto, mas, muitos, se mantem ausentes e o que chamam de diálogo moderno, mais parece uma isenção de relação, de conivência e apelo ao mais fácil, ou seja, ceder ao "Sim". Se antes limite era a lei, agora não sabe o que fazer sem alguns limites e descobriu-se que são necessários. Por mais críticas que as margens recebam, são elas que levam o rio ao mar..
Escolas agora são inclusivas e obrigatórias, no entanto, a massificação abstraiu a essência criativa de muitos..
Existe conforto, tecnologia, melhor distribuição de renda, mas e felicidade? Felicidade não se compra num fast food e não vem de forma imediata. Ela é uma construção, uma forma completa de se chegar ao Eu. Ela não está nas buscas do Google.
Passamos de uma fase para outra, mas, ainda não há diálogo pois este culmina na transformação positiva a favor da existência e do bem estar pessoal de ambas as partes.
Ainda bem que não há mais psico-tapas, não obstante, permanecem as várias reprovações..
Como numa gangorra, ficamos indo aos extremos e ainda não acertamos o ponto de equilíbrio que poderia minimizar o desconforto ontológico.
Mas, uma coisa é preciso enfatizar, provavelmente estamos a caminho do diálogo verdadeiro. Ainda bem que agora os psicólogos são ouvidos e os loucos são os que dizem que o passado, da minha geração, era melhor. 
Célia Schultz

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Bullying, uma realidade difícil

Irei lhe perguntar se sofreu bullying, mas você irá dizer que não. Seu reino juvenil é a estética e por ela você entregará todos os anéis e os dedos. Já passou pelo luto do corpo infantil, agora uma nova imagem estética se apresenta. Uma imagem confusa diante do espelho e que precisa ser aprovada por um grupo. Faz parte da construção de seu ego. Admitir que um grupo, com membros populares, lhe sacodem a vaidade com frases severas, é dar legitimidade ao que eles dizem?. É depor contra sí? No bullying, o sujeito receptor se limita, se entristece, se acua e seu ultimo ponto de apoio é a criar amigos na própria psiquê. Lá, eles se sentem seguros, protegidos, de volta ao utero, lugar que não havia mocinhas e bandidos. O bullying é uma relação, assim como um exercício, antigo de poder, estranhamente pode estar relacionado à iniciação sexual, onde os papéis das personalidades que pleiteiam a soberania, invadindo qualquer espaço, ou, tem bases nos velhos arquétipos de competição, que, alguns, não conseguem disfarçar socialmente. O sujeito que pratica a ação luta pela força alfa , enquanto aquele que a sofre, busca mascara-la, com todas as suas forças. Caso encarasse a realidade, sem nega-la para sí mesmo, teria que tomar uma atitude. Perceber a realidade, é ter que fazer algo sobre ela e a maioria de nós não tem preparo para tal. No tempo juvenil ainda não há forças suficientes para a luta da transformação, somente sementes dessas. O bullying acontece no banheiro, na fila da merenda, pelos cantinhos que os adultos esquecem.. Como monitorar? Alguns pais enfatizam qualidades dos filhos, como estética física, desempenho em esportes, desempenho intelectual, sem contudo, enfatizar virtudes inteligentes como: boa relação com vizinhos, amiguinhos na escola, sociabilidade, afetividade, simpatia, caráter fraternal... Essa pode ser uma saída, conscientizar os pais dos que praticam bullying a promover um diálogo mais eficiente com os filhos. "O filho é o pai" - Sigmund Freud.

Célia Schultz
 *Trechos do texto que escrevi em 2009, pela Fapi - Faculdade de Pinhais, no curso de Pedagogia para   Licenciados

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Ciência e Tecnologia: Dúvida

Pergunta: A tecnologia, se tornou um acessório encantador e necessário. Robôs, cirurgias milagrosas, aumento de faixa etária devido aos avanços científicos, equipamentos sofisticados (Iphone, Ipad, etc)...No entanto, na possibilidade de ocorrer uma catástrofe natural ou hipoteticamente criada, no caso de acidente nuclear, como seria recomeçar? 
Voltar para a selva original? Savanas? No meu caso, não sei caçar, plantar ou colher, se estivesse em selva aberta não passaria de um dia. No caso de uma catástrofe, dessa vez, ainda contaríamos com as aptidões naturais? Conseguiríamos, fazer as coisas mais básicas, como encontrar água? 
Veja, o sapiens sobreviveu por se adaptou, nós, "melhorados" pela evolução, conseguiríamos sobreviver num cenário mais elementar? A tecnologia, no caso do que cito, poderia também significar o final de aptidões de sobrevivência, que antes tínhamos?

sábado, 18 de fevereiro de 2012

O burro dentro de nós


O burro dentro de nós

Pesquisei no Google para ver se encontrava a original alusão ao termo "burro", como vulgarmente dito, a pessoa inapta ao aprendizado, ou, aquele que não tinha as competências primordiais para o ato de aprender. Históricamente nada encontrei de relevante ao tema. Também não entendi exatamente a referência ao animal híbrido, será que tem arquétipos jocosos por essa razão?
Assim, me sobram as definições vivenciais e notadas. Minha mãe dizia que "burros são os que não iam à escola, ou que dela saiam". Porém, conheci analfabetos, que não conheciam as letras, mas mapeavam a complexa geografia da cidade de São Paulo em minutos (coisa que eu nunca consegui). Conheci outros, que da escola, conheceram somente as estruturas que ajudaram erguer, mas a ergueram quase sem engenheiros. E como explicar catadores de latinhas que conseguem dizer qual o peso das mesmas, antes da balança oficial? Meu avô dizia que "burro eram os teimosos, que não entendiam as coisas como eram". No entanto, Vicent Van Gogh também foi um teimoso, morreu frustrado porque, além de seu irmão, ninguém mais gostou de sua arte. Morreu teimando.
Como tenho dificuldade para encontrar o sujeito "burro", então tentarei encontrar seus intérpretes..
Há muito tempo o conhecimento é artigo de luxo, de segregação, de elitismo. Há muito tempo, as escolas não são para todos.
Teoricamente, educadores deveriam levar a libertação das amarras da ignorância. Paulo Freire já discursava sobre isso, mas Narcísio acha convenientemente burro quem não é espelho.
O que nós educadores, fizemos, com efeito, para transformar essa história?
Engenheiros inventam prédios que se sustentam sob terremotos, geneticistas decodificam nosso DNA, Físicos buscam o quântum e nós, educadores, o que descobrimos, de novo, para levar o conhecimento verdadeiro? O que transformamos das velhas estruturas?
Se alguém é "burro", não devem ser nossos contestadores.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

O muro da vergonha


Ode à liberdade de pensamento



Que a liberdade de pensamento seja seu mais valioso bem
Que não possa ser negociada, sublimada, subordinada ou esquecida
Que você possa, com ela,
Crer ou não crer, em outros pensamentos..
Que você possa errar ou acertar por si mesmo
Que seja vista por direito natural, inalienável
Que seja punido exemplarmente quem tolher ou denegrir
esse direito natural
Sejam pessoas,
Sejam ideologias,
Seja o Estado
Que muros sejam considerados hediondos
Que sem ela, todos os outros direitos sejam considerados nulos
Todas as Cartas Magnas sejam ilusórias
Proclame-se
Registre-se
Publique-se
Cumpra-se

Homenagem ao soldado alemão Hans Conrad Schumann que saltou sobre uma barricada de arame farpado na rua Bernauer, para o setor de Berlim Ocidental em 15 de agosto de 1961. Foi imortalizado nesta fotografia, quando pulou do outro lado da cerca de arame farpado, que se tornou mais tarde, o Muro de Berlim. Muitos morreram ao tentar atravessar o Muro de Berlim.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Conflito de Egos..

Vamos refletir sobre o que diz esse artigo do filósofo Hélio Schwartsman


" O ano começou. É tempo de resoluções. As promessas que fazemos a nós mesmos com o intuito de nos tornar pessoas melhores e mais felizes podem assumir muitas formas: iniciar aquela dieta, exercitar-se regularmente, não pegar tanto no pé do filho adolescente. Invariavelmente elas dão com os burros na água. Por quê?

O florescente ramo dos estudos da felicidade traz algumas pistas interessantes. Nós, seres humanos, somos ruins em agir com vistas a metas futuras porque, ao contrário do que acreditamos, nossa experiência de "eu" se decompõe em muitos eus que funcionam de forma diversa e têm interesses, às vezes, conflitantes.

É preciso distinguir entre o eu autobiográfico e o eu que vive as experiências. O primeiro é um ator racional, que gerencia as informações e, em geral, toma as decisões. O segundo é pura sensação. É ele que, minuto a minuto, experimenta as dores e os prazeres a que nos submetemos.

E o problema é que o eu autobiográfico age como um tirano, que nunca leva em conta os interesses do eu experiencial. Operando mais com a memória do que com o instante, não hesita, por exemplo, em aumentar a experiência dolorosa aqui e agora desde que isso lhe pareça necessário para maximizar o que imagina serão suas lembranças futuras.

O eu experiencial, embora menos poderoso na hierarquia cortical, não está desprovido de meios. Ligado às camadas mais primitivas do cérebro, mobiliza recursos como a preguiça e o desgosto, capazes de sabotar até as mais sólidas resoluções de ano novo.

Esse descompasso entre os diferentes eus está na origem de alguns dos mais importantes erros (ou acertos) que uma pessoa pode cometer, consubstanciados em decisões como as de poupar para a aposentadoria, casar-se e ter filhos. O problema aqui é que o eu futuro imaginado quase nunca corresponde ao eu futuro real. É por isso que a busca pela felicidade é mais capciosa do que parece." - Por Hélio Schwartsman - bacharel em filosofia