sábado, 18 de fevereiro de 2012

O burro dentro de nós


O burro dentro de nós

Pesquisei no Google para ver se encontrava a original alusão ao termo "burro", como vulgarmente dito, a pessoa inapta ao aprendizado, ou, aquele que não tinha as competências primordiais para o ato de aprender. Históricamente nada encontrei de relevante ao tema. Também não entendi exatamente a referência ao animal híbrido, será que tem arquétipos jocosos por essa razão?
Assim, me sobram as definições vivenciais e notadas. Minha mãe dizia que "burros são os que não iam à escola, ou que dela saiam". Porém, conheci analfabetos, que não conheciam as letras, mas mapeavam a complexa geografia da cidade de São Paulo em minutos (coisa que eu nunca consegui). Conheci outros, que da escola, conheceram somente as estruturas que ajudaram erguer, mas a ergueram quase sem engenheiros. E como explicar catadores de latinhas que conseguem dizer qual o peso das mesmas, antes da balança oficial? Meu avô dizia que "burro eram os teimosos, que não entendiam as coisas como eram". No entanto, Vicent Van Gogh também foi um teimoso, morreu frustrado porque, além de seu irmão, ninguém mais gostou de sua arte. Morreu teimando.
Como tenho dificuldade para encontrar o sujeito "burro", então tentarei encontrar seus intérpretes..
Há muito tempo o conhecimento é artigo de luxo, de segregação, de elitismo. Há muito tempo, as escolas não são para todos.
Teoricamente, educadores deveriam levar a libertação das amarras da ignorância. Paulo Freire já discursava sobre isso, mas Narcísio acha convenientemente burro quem não é espelho.
O que nós educadores, fizemos, com efeito, para transformar essa história?
Engenheiros inventam prédios que se sustentam sob terremotos, geneticistas decodificam nosso DNA, Físicos buscam o quântum e nós, educadores, o que descobrimos, de novo, para levar o conhecimento verdadeiro? O que transformamos das velhas estruturas?
Se alguém é "burro", não devem ser nossos contestadores.

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