domingo, 27 de maio de 2012

Diferença entre Comunismo e Socialismo


É comum o erro entre concepções diferentes, fiz um vídeo na tentativa de expor os conceitos.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Adorno e pseudo-individualidade moderna


"Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
e raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar minhas emoções verdadeiras.
Desembrulhar-me e ser eu, não Alberto Caeiro,
mas um animal humano que a natureza produziu." - Fernando Pessoa

Afinal, o que realmente é original dentro e fora de nós? Ou, não somos originais e sim, uma construção de experiências nossas junto com colegas, amigos, parentes, igreja, escola e mídia?
O que somos de fato? De onde vem nosso pensamento? Nossos gostos?
Se observarmos o filósofo Theodor Adorno (1903/1969), é evidenciada, em sua obra, uma padronização e uniformização de hábitos, costumes e modo de produção. Dessa forma, o individual aliena-se ao universal. É a pseudo-individualidade, ou a identidade que nos foi imposta. 
As instituições como igrejas e escolas, assim como os meios de comunicação em massa podem vir a determinar o que somos, lançando idéias e modismos que fatalmente seguiremos. Esse fator chamamos de "cultura de massa", aquela que impera para a maioria das pessoas, sem questionamentos e sem levar o sujeito a pensar sobre ela. Um exemplo: Quem já ouviu uma música de Villa Lobos? Uma ópera de Carlos Gomes? ou contemplou uma tela de Salvador Dali? Essas composições não são propriamente comerciais, não estão ligadas à modismos, por isso não estão na maioria dos canais abertos de TV.  Não estão ao alcance da maioria e sim de um público erudito e elitizado. 
Resta-nos, contudo, fazer um reconhecimento de toda a cultura que nos foi imposta desde a infância. Tentar abstrair o que nunca nos fez bem, sendo apenas uma "tinta com que nos pintaram os sentidos", para encontrar nosso verdadeiro espaço de identidade e individualidade no mundo. Não somos iguais, a natureza nos fez diferentes. Não podemos sempre seguir os mesmos caminhos.

sábado, 5 de maio de 2012

Disciplina: Prisões de corpos..(leitura a partir de Michel Foucault)

Segundo Michel Foucault (1926/1984), a partir dos séculos XVIII e XIX,  não é preciso, exatamente, "domesticar" os instintos animais presentes no Ser Humanos, mas, se torna tarefa atraente disciplina-lo para poder vigia-lo. Por isso, a ênfase moderna nos quartéis, escolas e hospitais.
A disciplina fabricaria corpos submissos através de fórmulas gerais de dominação. Para tanto, exige-se cercas e muros assim como um local protegido pela monotonia. 
Etimológicamente, o termo "disciplina" se origina com "discípulo", aquele que segue algo ou alguém de forma metódica. Ela seria necessária? 
Bem, vamos dizer que, em sala de aula, carteiras enfileiradas dão ao professor, autoridade instituída, o poder panorâmico de ver a todos de um unico ângulo.Há portanto, um distanciamento claro, entre o sujeito aprendiz e o seu orientador.
Fileiras e filas tornam fácil tarefas complexas, suas essências são o controle da situação. Se de um lado facilitam, do outro trazem questionamentos existenciais, enfim, controlaram o bicho homem? Isso é bom?
Nesse momento, precisamos agora ultrapassar o conceito de "disciplina", quase militarizada, para chegarmos à noção de "respeito", pois são termos que podem interagir, mas, são distintos..
O respeito precisa muitas vezes de uma certa disciplina, afinal não podemos, dentro dos limites do Pacto Social, fazer tudo que desejamos, por ser, em alguns momentos, inviável para um grupo. Todavia, a disciplina não pode ser redundante..repetir-se somente para engaiolar o Ser.
A palavra "respeito" vem do latim "respicere", que significa "olhar para trás"   ...Respeito quer dizer evocar o passado e admirar o que nele foi positivo para a evolução. Esse termo é aliado da palavra "merecimento". É preciso ter merecido estar num determinado cargo ou situação..
Precisamos de alguma disciplina, aquela que nos introduza no campo do respeito aos direitos das pessoas. Com certeza, não precisamos estar enfileirados, porém, precisamos estar cientes de que as pessoas merecem ser ouvidas sem sarcasmos.
Infelizmente, alguma docilização dos corpos precisou ocorrer para que não fossemos apenas revolução e furor.. Isso não foi o preço do capitalismo e sim, da evolução do pensamento sobre o corpo..

O veneno nosso de cada dia..


Eu gostaria de contar um "causo" que me ocorreu há tempos atrás, para que sirva de reflexão:

Moro numa casa antiga, de quintal grande e nele morava uma cachorra boxer, chamada de Diana. Uma vez surgiu um rato enorme que amedrontava a todos, menos a Diana.
Tentei tudo para eliminar esse enfadonho invasor: ratoeiras, colas adesivas e nada. Então, resolvi colocar um saco de veneno embaixo do tanque. Por dois dias, o saco mortífero continuava lá, entretanto, no 3o dia, eis que abro a porta e contemplo a seguinte cena: A Diana correndo atrás do roedor e ele tentando desesperadamente correr, carregando o saquinho de veneno pelos seus potentes dentes. Mas, no percurso, derruba o mesmo e parte de volta ao ponto de origem, perdendo o objeto pretendido.
Imagine que o rato estava com fome, imagine que ele ficou "feliz" ao descobrir o "alimento" no saquinho, imagine que ele tenha se desesperado em tentar manter aquela conquista, imagine a decepção e a frustração ao não conseguir carregar aquele objeto de desejos. Imagina a ira que atribuiu à Diana...
Para ele, não existiria animal pior do que a Diana. Doravante, ele nem poderia imaginar quem seria mais selvagem que a Diana, muito menos imaginar quem seria a dona verdadeira do território.

Os habitantes da ilha de Creta antiga, não conheciam muito sobre vulcões, acreditavam que era preciso reverencia-los e muitos se recusaram a partir, quando um deles dominou a cidade..
Os espanhóis lutaram contra nativos nas Américas pelo ouro e muitos morreram pelo ouro, que por sí, só tinha o valor que lhe produziam.. 
Muitas vezes lutamos para consumir venenos...
A realidade é uma dama que se veste na moda..